“Checagem fake” do UOL diz que estudo da Lancet não motivou boicote da cloroquina

0
Anúncio:

Em suposta checagem, o UOL tentou desmentir a fala do médico pneumologista Wagner Malheiros, de que o estudo da revista Lancet, retirado após descoberta de fraudes, motivou as restrições ao uso de hidroxicloroquina para o tratamento de covid-19 em estados e municípios brasileiros. Informações de notícias da época confirmam que entidades e secretarias se basearam na fraude científica da Lancet, que foi usada pela Organização Mundial da Saúde (OMS), para boicotar o medicamento, o que segundo o médico pode ter causado a morte de milhares de pessoas.

Em defesa da OMS, da revista Lancet e das secretarias regionais que boicotaram o medicamento, a “checagem” do UOL tenta descredibilizar a fala do médico que responsabiliza estados e municípios por milhares de mortes por covid-19, ao rejeitarem o medicamento. Mas notícias da época desmentem a versão do UOL.

Anúncio:

A matéria chegou até a usar como argumento o fato de o Ministério da Saúde não ter mudado o protocolo para uso do medicamento, sem contextualizar o fato de que o governo brasileiro tem sido combatido por estados e municípios em relação a diversos pontos polêmicos sobre o combate à pandemia, o que inclui protocolos de uso da medicação.

Diante da afirmação de Malheiros de que a Sociedade Brasileira de Infectologia é controlada por “petistas” ou esquerdistas, o UOL insinuou ser falso a partir da suposta inexistência de vínculo formal entre a entidade e o Partido dos Trabalhadores. O médico lembra, porém, que a inexistência de vínculos formais não anulam a percepção de quem atua no meio. “Quem convive no meio médico e os conhece, sabe que realmente são todos de esquerda”, diz Malheiros.

O mesmo se pode dizer de seus colegas estrangeiros, como o editor da revista Lancet, que é colunista do The Guardian e tanto na coluna quanto nas redes sociais dedica-se a críticas aos governos conservadores, além de defesas reiteradas da China, país que o concedeu prêmio, conforme pode ser lido ao final da matéria.

Checando o UOL: estudo da Lancet motivou boicote à cloroquina em estados e municípios brasileiros?

Publicada nesta terça-feira (18), a matéria do UOL diz o seguinte:

São falsas as afirmações feitas pelo médico Wagner Malheiros em um vídeo postado no Facebook e republicado no YouTube em que ele atrela um estudo publicado pela revista científica The Lancet a mortes por covid-19. No vídeo, Malheiros destaca a publicação do fim de maio que, 11 dias depois, foi removida, para defender o uso da cloroquina no tratamento da covid-19. O médico argumenta que governos deixaram de receitar a droga por causa desse texto e isso teria causado mortes. Não há nenhuma comprovação de que governos estaduais ou prefeituras, no Brasil, tenham restringido o uso de cloroquina durante esse período. Além disso, não existe comprovação científica de que a cloroquina tenha eficácia contra o novo coronavírus.

No entanto, o jornal Diário de Pernambuco do dia 25 de maio traz a manchete: “Recife retira cloroquina e hidroxicloroquina de protocolo da Covid-19 após OMS alertar para riscos”. A notícia informa que a OMS se baseou no estudo da revista Lancet.

Apesar de a Secretaria da Saúde do Recife já não ter como protocolo a droga, o estudo da Lancet, junto da recomendação da OMS, motivou a retirada do medicamento do protocolo hospitalar, conforme explicou a matéria, que dá conta ainda de que a OMS chegou a enviar à direção do Hospital Universitário Oswaldo Cruz (Huoc) “um e-mail recomendando a suspensão do uso de cloroquina em pacientes com a Covid-19”.

Motivado pelo impacto midiático da divulgação que a OMS fez do estudo fraudulento, o médico Demetrius Montenegro, chefe do setor de Infectologia do Huoc, a OMS pediu a todos os hospitais que fazem parte deste estudo para suspenderem o “braço que utiliza a cloroquina no estudo”.

Em junho, uma matéria do próprio UOL, a partir de informações a agência AFP, diz que o estudo da Lancet causou uma divisão do mundo a respeito do medicamento, informando uma lista de países que interromperam o uso para tratamento de covid-19. O medicamento, que sofre violento boicote da indústria farmacêutica, especialmente da Gilead Sciences, fabricante do remdesivir, que substituiria da cloroquina, vem sendo atacado e boicotado por grande parte da imprensa nacional e internacional mesmo antes do estudo da Lancet, um trabalho que se mostrou falso e com erros científicos que motivaram a retratação da OMS pelo seu uso.

Até mesmo o presidente Donald Trump, segundo a matéria antiga do UOL, teria desistido do medicamento. Defensor fervoroso da molécula, o presidente Donald Trump garantiu que a tomava diariamente como medida preventiva. Após a publicação do estudo na “The Lancet”, porém, disse que parou de usá-la, diz a matéria.

Apesar de promovido pelo governo brasileiro, a hidroxicloroquina foi fortemente combatida nos estados e municípios até pouco tempo, baseados no estudo da Lancet, e em matérias jornalísticas que politizavam o medicamento que classificavam como “sem evidências científicas”.

O pneumologista Wagner Malheiros, entrevistado por Estudos Nacionais, já denunciou o poder de pressão exercido por gigantes farmacêuticas como a Gilead Sciences contra o medicamento que segundo vários especialistas vem salvando vidas diariamente diante da epidemia do covid-19. A própria experiência de Malheiros em sua clínica mostra o benefício do medicamento quando usado nos estágios iniciais da doença.

Editor do The lancet 

O atual editor da revista científica The Lancet, o Dr. Richard Horton, mostra-se claramente comprometido com a esquerda. Em 03/08/2020, ele publicou um artigo no jornal de esquerda The Guardian, em que argumenta que está ocorrendo uma “reação social anti-china” de maneira desproporcional. Embora ele mesmo tenha listado alguns dos absurdos ocorridos na China, como o fato de o governo ter calado o primeiro médico a alertar sobre o vírus, ele se queixa de que o mundo não estaria reconhecendo os esforços da China no combate à pandemia iniciada no país. Em 2015, ele recebeu prêmio do governo Chinês. Sua coluna no jornal The Guardian e seu Twitter mostram com tranquilidade sua ideologia de esquerda em defesa da China e contra governos conservadores.