Parceria da Fiocruz com a China para monitoramento territorial gera desconfiança

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Uma parceria assinada em 2018 pela presidente da Fiocruz, Nísia Trindade Lima, e o vice presidente da Academia Chinesa de Ciências, Zhang Yaping, aprofundou articulações iniciadas em 2015 por Dilma Rousseff e a República Popular da China. Com a parceria, a Fiocruz cede à China dados territoriais do Brasil.

A parceria tem gerado desconfianças por permitir monitoramento de informações do clima e território brasileiro ao país que vive em ditadura comunista e deu origem à propagação do novo coronavírus.

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De acordo com o site da Fiocruz, um dos acordos “prevê o intercâmbio de cientistas e de dados” entre os países. Outro acordo firmado envolveu a Fiocruz e o “CDC” Chinês (órgão de controle de doenças do governo chinês). A China também articulou envio de pesquisadores chineses para o Brasil.

Um desses projetos da Fiocruz é o Sentinela que monitora fronteiras brasileiras com objetivo de controle de doenças. Nesse projeto, outro parceiro chave é a França.

Destaque entre os acordos firmados está o objetivo do controle e monitoramento para respostas frente à propagação de vírus em epidemias. Em 2017, um evento entre a entidade brasileira e autoridades chinesas teve foco no compartilhamento de descobertas sobre vírus zika, onde o presidente da Sociedade Chinesa de Virologia destacou “a importância das grandes instituições de pesquisa mundiais” no compartilhamento de seus trabalhos e dados. A preocupação do pesquisador chinês era mapear elementos centrais “na re-emergência dos vírus: mudanças climáticas, alterações no comportamento humano e a facilidade que os vírus têm para se adaptar a novos hospedeiros por meio de mutações genéticas.”

Segundo o site em chinês referente a parceria, o projeto visa permitir a “observação conjunta e troca de dados da cadeia de meridianos do ambiente espacial solar-terrestre no hemisfério ocidental” (Brasil). Permite ainda, aos chineses, realizar “a exploração e pesquisa do ambiente espacial solar-terrestre nas regiões“, sendo uma “ponte para a China realizar atividades científicas, tecnológicas, educacionais e outras no Brasil”.

O site em chinês ainda explica que “a construção do laboratório recebeu grande atenção e forte apoio dos principais líderes da China e do Brasil”, após “assinado pelo premier chinês Li Keqiang e pela presidente brasileira [Dilma] Rousseff em 19 de maio de 2015”.

Reforçam ainda: “A construção do laboratório sul-americano foi altamente valorizada e apoiada pelo Ministério da Fazenda da China, Ministério das Relações Exteriores, Ministério da Ciência e Tecnologia, Academia de Ciências, Embaixada da China no Brasil e Consulado da China em São Paulo”.

Tendo como preocupação a questão das mudanças climáticas, o laboratório é visto como ação estratégica e monitora diversos elementos do clima e do território brasileiro.

Diz o site, em chinês:

“A construção e operação do laboratório sul-americano está prevista para 10 anos. Os primeiros cinco anos são o período inicial de construção e operação. Será concluída a estrutura de organização, infraestrutura, subcentro de dados sul-americano do Centro Sul-Americano, além do monitoramento da média e alta atmosfera e ionosférico Equipamentos (implantação de altímetro digital ionosférico, GPS ionosférico TEC e monitor de cintilação, Doppler wind lidar). O segundo período de cinco anos é para expandir a construção e melhorar o período de operação. Irá melhorar ainda mais o mecanismo de operação do Centro da América do Sul e implantar equipamentos de monitoramento ionosférico e de média e alta atmosfera mais potentes (como radar de espalhamento de alta frequência VHF, medição de temperatura do vento de alta altitude em estado sólido Lidar, etc.).”

A lista de acordos China-Brasil para cooperação na área da saúde estão listadas no site do Ministério da Saúde.