Censura e pobreza extrema marcam ditadura venezuelana

O regime totalitário de Nicolás Maduro levou a Venezuela ao caos total. Fome, perseguição e censura é a realidade dos venezuelanos.

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(Foto/Ariana Cubillos)
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O regime totalitário e ilegítimo de Nicolás Maduro levou 96% dos venezuelanos à extrema pobreza, segundo novo estudo da Nacional de Condições de Vida 2019-2020 (Encovi), divulgada hoje (03/08).

A pesquisa, publicada por pesquisadores da Universidade Católica Andrés Bello em Caracas, mostra que os níveis de pobreza na Venezuela dispararam durante 2019, fazendo com que o país se tornasse oficialmente o mais pobre da América Latina e do Caribe.

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Com base nesses índices, 64,8% das famílias na Venezuela vivem na pobreza. De acordo com o relatório, esses números foram 13% menores em 2018, ilustrando como Maduro afundou ainda mais a economia venezuelana desde o ano passado.

Considera-se que apenas 3% das famílias na Venezuela têm segurança alimentar, em comparação com 10% das famílias em 2018, segundo o relatório. Isso significa que 97% dos venezuelanos não sabem ao certo de onde virá sua próxima refeição ou quando ela chegará.

“A Venezuela se afastou consideravelmente de seus pares sul-americanos, se aproximando da situação que alguns países do continente africano enfrentam”, afirma o relatório.

A live

O evento, que foi realizado por meio de live, na sexta-feira (28/07), reuniu a nata dos ditadores latino-americanos. Ataques aos Estados Unidos e à contribuição do capitalismo para o aumento da pandemia, iniciada pela China.

O evento reuniu os ditadores da Nicarágua, Daniel Ortega, e da Venezuela, Nicolás Maduro, além do líder do regime ditatorial cubano, Miguel Díaz-Canel e foi mediado pela dirigente petista Mônica Valente, secretária-executiva do Foro, que reúne 123 partidos de esquerda de 27 países da América Latina e do Caribe.

O mega evento contou a gigantesca visualização de 800 pessoas. O evento foi transmitido pelo canal no Youtube do PT e pela presidência de Cuba, simultaneamente.

“Desde o seu surgimento o Foro demonstrou que eram factíveis novos objetivos de luta, de construir uma sociedade mais justa e com igualdade de oportunidade para todos”, disse Valente na abertura, após chamar Ortega, Maduro e Diáz-Canel de “companheiros”.

Ao lado de sua esposa Rosario Murillo, o ditador nicaraguense, Ortega, criticou os Estados Unidos e afirmou que o país comete abusos e violam os diretos humanos.

“Eles dizem que são os pais da democracia, mas são os pais do colonialismo, do imperialismo, do terrorismo, da violação dos direitos humanos dos nossos povos”, declarou.

Entre outros assuntos, os participantes trataram do objetivo de construir uma sociedade mais justa. Para isso, portanto, seria necessário retomar o poder. “O Foro demonstrou que eram factíveis esses objetivos de luta”, garantiu Valente na abertura, depois de chamar Ortega, Maduro e Diáz-Canel de companheiros. Além disso, discutiu-se o papel supostamente imperialista dos Estados Unidos na América Latina, críticas a Jair Bolsonaro e ainda os protestos no continente. “Quiseram nos culpar pelos protestos no Chile, Peru, Colômbia, Brasil. Somos culpados de acordar os povos, despertar os povos”, concluiu Maduro.

Censura e Direitos Violados

Na última semana de julho, dia 20/07, A Rede de Venezuelanos no Brasil divulgou o Boletim de atualização sobre a situação dos direitos humanos na República Bolivariana da Venezuela. De acordo com o documento, até 13 de julho existiam 410 pessoas detidas por razões políticas no país vizinho, sendo 284 civis e 126 funcionários militares.

Além dos cidadãos detidos, 29 deputados tiveram os direitos violados desde 2017.

– Detenção arbitrária, perseguição e assédio

▪ De acordo com informações da ONG Foro Penal, até 13 de julho de 2020 existiam 410 pessoas detidas por razões políticas na Venezuela. Desse total, 379 eram homens e 31 eram mulheres. O relatório também informou que 284 eram civis e 126 eram funcionários militares.

▪ Desde março de 2017, o TSJ retirou a imunidade de 29 deputados da Assembleia Nacional sem seguir os procedimentos previstos na Constituição e desrespeitando o devido processo.

▪ Atualmente, cinco deputados da Assembleia Nacional da Venezuela continuam injustamente detidos, em flagrante violação de suas imunidades parlamentárias. Os deputados são: Juan Requesens, Gilber Caro, Ismael León, Renzo Prieto e Tony de Geara

– Liberdade de expressão, reunião e participação

▪ De acordo com dados da ONG Espacio Publico, o mês de junho fechou com a ocorrência de 28 infrações que, juntas, somam mais de 60 violações de liberdade de expressão, figurando entre as mais frequentes: intimidação, ameaças e censuras. Como parte dessas ações, foram registradas 15 detenções a jornalistas e trabalhadores da imprensa.

▪ Durante o primeiro semestre de 2020, o Observatório Venezuelano de Conflito Social registrou 4.411 protestos no país. Desse total, 79% dos protestos estiveram relacionados com demandas de direitos econômicos, sociais, ambientais e culturais.

▪ Em 12 de junho, o ilegítimo Tribunal Supremo de Justiça venezuelano (TSJ), que atua como escritório jurídico do regime de Maduro, designou novas autoridades ao Conselho Nacional Eleitoral (CNE), ignorando os procedimentos estabelecidos na Constituição Venezuelana, que conferem à Assembleia Nacional está atribuição, e indicando somente indivíduos de comprovada lealdade à ditadura.

▪ Nos dias 15 e 16 de junho, o mesmo Tribunal suspendeu os diretórios dos partidos Acción Democrática e Primero Justicia, duas das principais organizações políticas da alternativa democrática na Venezuela. Em seguida, o Tribunal designou diretorias ad honorem, sob o controle de dirigentes políticos expulsos dessas organizações, após participação em escândalos de extorsão favoráveis a Maduro, com o objetivo de impedir a ratificação do deputado Juan Guaidó como presidente da Junta Diretiva da Assembleia Nacional.

– Colapso dos serviços públicos

▪ De acordo com a pesquisa nacional da Comissão Presidencial de Expertos no Setor da Saúde e da Assembleia Nacional, realizada em 08 de julho de 2020, 90,6% dos venezuelanos não contam com serviço contínuo de energia elétrica, 72,5% da população não recebe água de forma constante e 41% não tem fornecimento de gás doméstico. A mesma pesquisa identificou que 57,9% da população sofre com falhas no acesso a combustível e 34% não têm acesso nenhum a combustível.

– Crise do sistema de saúde no contexto da pandemia do coronavírus

▪ Até 19 de julho de 2020, existiam 11.483 casos confirmados de Covid-19 em todo o país.

– Crise migratória

▪ Segundo dados da Migración Colombia, até final de junho 81.000 venezuelanos tinham retornado à Venezuela e outros 30.000 estavam aguardando para cruzar a fronteira devido aos problemas gerados pela pandemia do coronavírus.

– Panorama socioeconômico

▪ A Assembleia Nacional da Venezuela revelou uma taxa de inflação de 19,5% durante o mês de junho. O parlamento também reportou uma taxa de inflação de 508,47% durante o primeiro semestre de 2020 e uma inflação interanual de mais de 3.500%