O lugar de fala de Felipe Neto e do Min. Barroso no debate político

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Existem expressões e rotulações que os movimentos de esquerda se apropriam e que nada dizem a uma alma honesta. No entanto, assistindo o debate entre o Ministro do STF, Luís Roberto Barroso, com o youtuber Felipe Neto foi inevitável lembrar a expressão “lugar de fala”. Porque a coisa vem se alastrando desde a Roda-Viva, Jornal Nacional, New York Times e agora chegou no STF e Presidente do Congresso Nacional, todos dando voz ao youtuber que sabe imitar uma foca como ninguém.

Para encurtar a história, “lugar de fala” na cabeça da esquerda brasileira é rotular o discurso de alguém conforme o seu lugar ou condição social. Se alguém está falando sobre os negros e esse alguém é loiro de olhos azuis, ele está apenas falando de algo que não vive na pele. Se eu, homem, opino sobre a condição de vida da mulher, estou apenas expressando o meu lugar de fala enquanto homem, sem saber o que é ser mulher. Isso vale para os movimentos LGBTs, feminismo, movimento sem terra e segue a lista. É um reducionismo mental barato, verdade, mas que domina todo o imaginário da esquerda.

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Pois bem, o Ministro Barroso disse na introdução da live:

Eu sou da geração que conviveu com o embate radical entre o socialismo e capitalismo, entre economias planificadas e livre mercado e não essa tentativa de desconstruir ou de desqualificar o outro”.

No entanto, o Ministro Barroso está apenas reverberando o seu “lugar de fala” enquanto Juiz da Suprema Corte. Está em suas mãos o poder de editar leis (através de interpretações) e aplica-las a seu bel-prazer como faz o seu colega Ministro Morais ao perseguir apenas direitistas. Esse sim é um lugar de fala ultra, megaempoderado, diria alguém da esquerda.

Mas, um terrível engano do Ministro Barroso precisa ser registrado neste artigo. De acordo com o Ministro, o confronto entre socialismo e capitalismo que ele diz ter assistido foi um duelo radical entre “economias planificadas e de livre mercado”, o que conota um tremendo desconhecimento do que se passou naquele tempo não muito longínquo.

O socialismo de Stálin, Lenin, Trotsky, Mao Tzé-Tung, Nacional Socialismo Alemão (Hitler), Fidel Castro, Ho Chi Minh, Kim iL-Sung e outros tantos, não tem a ver com economia planificada, mas com poder absoluto sobre a massa popular. Enquanto homens adeptos a aspectos capitalistas como Churchill e Ronald Reagan e outros poucos tentavam barrar o avanço macabro daquele socialismo sobre seus próprios países.

Hoje, gente como: Putin, Xi Jinping, Hugo Chavez, Maduro, família Kichiner, Lula, Dirceu, Haddad (que tem mestrado em economia soviética e doutorado em Marx), Kim Jong Un, Angela Merkel, Barney Sanders, e uma horda de políticos e editores de jornais, artistas e empresários são declaradamente entusiastas de ideias que aqueles socialistas mataram milhões para implementá-las. Todavia, esses são recebidos pela extrema-imprensa como os paladinos da democracia, são unidos contra o que eles mesmos chamam de rede de ódio. Lê-se rede de ódio: Donald Trump, Jair Bolsonaro e Boris Johnson e seus respectivos apoiadores.

O youtuber F. Neto empolgado com a fala do Ministro Barroso lascou logo as suas teorizações:

um fundamentalismo e uma radicalização passou a compor a mente dessa galera [internet] através de canais do Youtube, páginas de Facebook e depois grupos de Whatsapp e Telegram e etc, e virou toda essa bola de neve que agora estamos vendo”.

Prosseguiu o youtuber em suas análises:

O problema foi essa radicalização fundamentalista que atrai ódio junto com ela (…) dentro dos nossos estudos [sic] há uma certeza que está muito clara e já é consenso, esse ódio é articulado, têm comandantes e tem pessoas que ordenam”.

Agora, pergunto eu, que raio de rede de ódio é essa que não tem uma ideologia estabelecida ou uma guarda pretoriana ao seu favor? Não esquecemos a facada em Jair Bolsonaro que nada se fizeram, apenas tacharam o criminoso de louco. Nem mesmo o STF moveu um dedo em relação a isso. Porém, enquanto isso, o Foro de São Paulo seguiu arrebanhando políticos que ganharam nossas eleições e se tornaram deputados; senadores; governadores; prefeitos; vereadores, gente das quais é impossível saber nomes, títulos e afiliações partidárias, ideológicas e as suas reais intensões para o Brasil.

Na verdade, é difícil saber a origem das ideias do F. Neto, pois ele se tornou famoso pelos seus vídeos de cabelos coloridos, gritos adolescentes, imitando os gruídos e trejeitos da foca ou dublando animaizinhos pela internet afora. Este é o lugar de fala do F. Neto, vídeos bobinhos no Youtube. Então, pode ser outra imitação de foca por parte do youbuter, vai saber.

Sendo assim, é claro que existe uma desonestidade gritante no Brasil, uma rede de ódio contra os posicionamentos pró-governo e que se torna impossível qualquer discussão política. Mas garanto, não é da direita, e muito menos de bolsonaristas ou olavistas que emanam essas confusões, pois esses apenas reagem aos vastos anos de mentiras e ocultações da elite brasileira. Mas certos grupos de políticos e de comunicadores que dão de ombros ao interesse nacional, vêm fomentando toda essa balbúrdia, diria Weintraub.

No fim, pelo visto, o imitador de foca e o Ministro da Suprema Corte conseguiram dialogar com maravilhosas concordâncias, intermediados por um jornalista da Folha, claro. Afinal, parece que o lugar de fala deles não é problema. O problema está conosco que tivemos que assistir o rapaz da foca milagrosamente debater sobre política brasileira com Ministro do Supremo Tribunal Federal do Brasil e esse lhe atribuir razões.