Polícia de Hong Kong prende 4 estudantes por incitar secessão nas redes sociais

Quatro estudantes de Hong Kong, envolvidos em grupos pró-independência são presos.

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Foto: Isaac Lawrence / AFP / CP Memória
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Quatro estudantes de Hong Kong, envolvidos em um grupo que luta pela independência e democracia do distrito chinês, foram presos pela polícia na quarta-feira (29) sob a nova lei de segurança nacional. Três homens e uma mulher, com idades entre 16 e 21 anos, são suspeitos de “organizar e incitar a secessão”.

Essas são as primeiras prisões de figuras políticas públicas desde que entrou em vigor a polêmica lei, imposta pelo regime comunista de Pequim em seu território semiautônomo em 30 de junho. A norma penaliza “subversão, secessão, terrorismo e conluio com forças estrangeiras”.

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“Nossas fontes e nossa investigação mostram que o grupo anunciou recentemente nas redes sociais a criação de uma organização que defende a independência de Hong Kong”, afirmou aos jornalistas Li Kwai-wah, agente da nova unidade de segurança nacional da polícia de Hong Kong.

Os integrantes foram identificados por autoridades políticas e mídia local.

“Eles dizem que desejam estabelecer uma república de Hong Kong e que lutarão sem reservas por ela. Eles também disseram que querem unir todos os grupos pró-independência em Hong Kong para esse fim”, disse Li Kwai-wah, superintendente de uma unidade formada para fazer cumprir a lei de segurança.

Sem direitos políticos

A censura chinesa está cada dia mais voraz. Doze candidatos pró-democracia foram vetados. Outros candidatos ainda podem sofrer as mesmas sanções.

De acordo com o Executivo da Região Administrativa Especial de Hong Kong, a medida foi tomada porque os candidatos “não apresentaram devidamente assinada a declaração em que se comprometem a proteger a Lei Básica [miniconstituição do território autônomo] e a jurar lealdade à República Popular da China”.

A autoridade eleitoral considera que quem defende a independência de Hong Kong, pede a outros países para intervirem nos assuntos locais, se nega a aceitar que a região é território sob soberania de Pequim e se opõe à lei de segurança nacional “não pode proteger a Lei Básica de forma honesta”.

Os partidos pró-democracia realizaram em julho primárias para nomear seus candidatos às eleições parlamentares, apesar dos avisos das autoridades de que corriam o risco de violar a nova lei de segurança. A votação, que contou com a participação de mais de 600 mil pessoas, foi considerada ilegal pelas autoridades da China. Nas eleições de setembro, os candidatos pró-democracia esperavam garantir uma maioria de mais de 35 das 70 cadeiras, o que daria ao grupo mais poder para vetar legislações pró-establishment.

“O governo está construindo uma assembleia do Partido Comunista da China no Legco [Conselho Legislativo] para eliminar a maior parte das vozes de oposição. Ultrajante”, escreveu no Twitter Nathan Law, ativista pró-democracia que fugiu para o Reino Unido no início de julho.

A Lei de Segurança

Ela prevê que crimes de secessão, subversão, terrorismo e conluio com forças estrangeiras sejam punidos até com prisão perpétua. Atos de vandalismo contra determinados equipamentos públicos e meios de transporte serão considerados terrorismo. Manifestações são consideradas atos de subversão.

A lei prevê, ainda, que empresas ou grupos que violarem a nova lei serão multados e poderão ter suas operações suspensas no território. Além disso, será ampliada a supervisão de ONGs e agências de notícias estrangeiras que atuam na região bem como de professores estrangeiros que que não defenderem a “honra da nação”.

Logo após a aprovação da lei, livros com temáticas pró-democracia e/ou de autores democráticos foram retirados das bibliotecas e livrarias da China.

A China defende que a nova lei se fez necessária após a série de protestos contra o governo local e contra Pequim iniciados em junho de 2019, que muitas vezes terminaram de forma violenta. As manifestações contrárias ao que muitos viam como um aumento da interferência chinesa geraram a mais grave crise em décadas no território.

Um dia após a lei entrar em vigor, Wong deixou o cargo de chefe do grupo pró-democracia Demosisto por preocupação de que seria alvo da nova legislação. Após a decisão desta quinta-feira (30), ele acusou Pequim de mostrar “total desrespeito à vontade dos moradores de Hong Kong”, atropelar “o último pilar da cidade” e tentar mantê-la sob sua legislatura.

*Com informações da UOL e da DW.