China quer punir professores estrangeiros que não defenderem “honra da nação”

O projeto foi batizado de “medidas para o emprego e a gestão dos professores estrangeiros”.

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A China está travando duas guerras de informações: uma no exterior e outra interna para a sua população, ambas lideradas pelas autoridades chinesas encabeçadas pelo presidente Xi Jinping. Ao que tudo indica, eles veem o Ocidente como fraco e submisso. E somos mesmo. (Foto: Naohiko Hatta - Pool/Getty Images)
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O governo chinês preparava uma nova lei cujo principal objetivo é vigiar as atividades de professores estrangeiros. O texto está sendo submetido a uma consulta popular desde 21 de julho no site do ministério chinês da Educação Nacional.

Embora o texto preveja reprimir crimes como abuso sexual ou consumo e venda de drogas, seu foco são medidas de ordem moral, como punir comportamentos considerados “nocivos para a soberania nacional e prejudiciais para a honra da China”.

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“Os atos considerados “perigosos” incluem todos os tipos de crítica ao governo ou qualquer menção, junto aos alunos, sobre as manifestações de contestação em Hong Kong, já que esses protestos são vistos como um questionamento da segurança pública. As instituições são obrigadas a denunciar os professores que desrespeitarem a regra e os culpados são imediatamente punidos, com risco de perderem o emprego”, destacou o site RFI.

O projeto de lei faz parte de uma série de medidas idealizadas pelo governo chinês, como a Lei de Segurança Nacional, que visa reforçar o controle ideológico do país. O sistema educacional chinês deve seguir a linha do Partido Comunista e cria um escudo para que Pequim combate “ideias liberais perigosas” provenientes do Ocidente.

A ameaça para inúmeras escolas internacionais na China

Especialistas afirmam que a nova lei representa uma ameaça para inúmeras escolas internacionais na China.

Segundo o pesquisador Jiang Xueqin, citado pelo jornal Globe and Mail, “o objetivo é tornar impossível o funcionamento do ensino estrangeiro na China. Isso pode ser feito aumentando o custo para o funcionamento desses estabelecimentos ou fazendo com que as escolas estrangeiras não se diferenciem mais das escolas chinesas”.

De acordo com o jornal local China Daily, em 2018 o país contava com 500 mil estabelecimentos que davam cursos de inglês, boa parte deles empregando estrangeiros como professores.

*Com informações do RFI