Liberdade em risco e capitalismo se autodestruindo

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Créditos da imagem: Guille3691.
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O capitalismo vem se autodestruindo, aos poucos, há alguns anos. E nossa liberdade nunca esteve tão em risco. A pandemia do novo coronavírus fez acelerar esse processo. Os protestos contra o racismo, iniciados nos EUA e que se espalham por outros lugares no mundo, são o exemplo puro e acabado do método pelo qual grupos organizados pretendem destruir o atual sistema e colocar um sistema “mais justo e igualitário” no lugar.

Ainda há tempo em deter esse processo, em vias adiantadas de cumprir com seus objetivos, desde que haja uma ação coordenada, vigorosa e destemida para lidar com o mal que o capitalismo cultivou e ajudou a crescer, acreditando ser uma de suas bases de sustentação.

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Antes de tudo, precisamos entender os atores envolvidos nesse processo e como cada um contribuiu para tal.

ATORES

Grupos identitários: são o instrumento para obter a destruição do capitalismo. Tratam-se de grupos pequenos, organizados, com boa entrada na mídia e universidades, que se dizem representantes de minorias sociais (negros, mulheres, LGBTs, etc). Para esses grupos, o antigo conceito marxista da luta de classes, entre patrões e empregados, evoluiu para uma disputa entre opressores e oprimidos. Se antes, a revolução seria a partir da união dos proletariados contra a exploração, agora a revolução será dada a partir da união dos oprimidos contra a opressão. As ideias desses grupos são baseadas em conceitos marxistas e tem como premissa de que o sistema capitalista está na raiz das opressões.

Especialistas: O especialista nada mais é do que o militante de um grupo identitário que obteve um ou mais diploma. Geralmente, a pessoa ocupa uma cadeira em alguma universidade ou centro de pesquisa e não cansa de utilizar o argumento da autoridade, seja seu doutorado, mestrado, ou qualquer outra coisa, para justificar o que está defendendo. Ou seja, a tabela é feita da seguinte forma: o especialista vai dar um ar de racionalidade às ideias defendidas pelos grupos identitários. Para isso, vai se utilizar de veículos midiáticos.

Mídia: a grande imprensa, principalmente jornais impressos e noticiários da televisão, dão vazão às ideias defendidas pelos especialistas de cima. É comum ver um sociólogo falando sobre Segurança Pública, ao invés de um policial, por exemplo. Assim como é comum ver filósofos debatendo assuntos ligados às finanças governamentais. E, claro, jornalistas que buscam noticiar fatos e dados de modo a corroborar a visão desses especialistas e dos grupos identitários. E, com isso, dão material para programas e ações políticas.

Políticos: aqui, tratamos daqueles ligados a partidos de esquerda. Seja no Brasil ou no exterior, a linha mestra dos discursos programáticos e eleitorais dos partidos de esquerda passou a ser focada nas demandas de grupos identitários, que acabam se transformando em propostas legislativas ou ações de governo, justificadas em matérias da mídia ou estudos conduzidos pelos especialistas. Nada disso, entretanto, seria possível sem a participação das empresas.

Empresas: pequenas, médias ou grandes, as companhias deveriam ser um dos principais pilares do capitalismo, estão sendo corroídas internamente, pelos grupos identitários, indireta ou diretamente, ajudando a eleger políticos que irão propor e talvez aprovar projetos que prejudiquem o andamento de seus negócios.

O PAPEL DAS EMPRESAS NESSE PROCESSO

Independente do tamanho ou setor, as empresas estão sempre em busca de agregar um novo mercado consumidor às suas marcas. Seja mediante promoções ou compras de licenciamento para produtos personalizados, as empresas estão procuram por gatilhos que despertem a intenção do consumidor em comprar sua marca.

Boa parte das grandes, médias e até pequenas empresas estão sendo equivocadamente levadas a pensar que grupos identitários (minorias) se constituem uma grande oportunidade de mercado e que seria importantíssimo que o “marketing social” privilegie a valorização de suas agendas. Elas estão sendo levadas a pensar isso graças aos “especialistas”, que são militantes disfarçados, com PhDs etc.

Os especialistas viram como as empresas são instrumentos importantes a serviço da revolução, por isso, fizeram delas peça essencial do jogo. Os especialistas formam os profissionais que assumirão os setores chave como recursos humanos e marketing nas grandes empresas e estes chegam com belos currículos e aval para implementar tudo aquilo que aprenderam com os “melhores” em termos de marketing e identidade corporativa. A mídia ajuda a dizer quais são os especialistas e melhores escolas.

Na prática, os diretores raramente se envolvem, mas muitos já aderiram a essas agendas também. Além disso, as grandes corporações e multinacionais não assumem muitos riscos ao fazerem isso, já que muitas vezes detêm tamanho domínio de mercado que dificilmente a população em geral deixará de comprar seus produtos por conta de um “marketing de lacração”.

E isso se deve em grande medida pela falta de opção do cliente, portanto, as ações de marketing identitário podem ter efeito nulo nas vendas de mega corporações, mesmo que a população seja majoritariamente avessa a essas pautas. Agora as pequenas e médias empresas, entram pelo modismo, copiando as grandes, turbinada pelo fato de que contratam profissionais recém saído de universidades para posições de marketing, recursos humanos e outras, o que aumentam as chances de terem representantes dessas agendas internamente com seus discursos de tolerância que jamais irá tolerar o abandono das pautas identitárias.

Foi no Vale do Silício, entre as empresas de tecnologia, que a moda começou.  As companhias passaram a valorizar cada vez mais a chamada “diversidade”, garantindo políticas de recursos humanos que priorizassem a inclusão de minorias em seus quadros de funcionários.

Logo a “diversidade” passou ser um negócio lucrativo, inclusive com uma consultoria desenvolvendo o selo “Great Place to Work”, concedido a empresas que cumpriam metas de “diversidade” internas.

A moda do Vale do Silício se alastrou por outras companhias, bancos, escritórios, entre outros. As empresas acreditavam que a acomodação estava dada. Ao valorizarem a “diversidade”, garantiam a acomodação de forças com os grupos identitários, aplacando uma possível revolta contra o capitalismo.

No entanto, as empresas não se deram conta do que significa a “diversidade”.

AFINAL, O QUE É DIVERSIDADE?

De acordo com a definição, diversidade é relacionada a variação, multiplicidade, variedade.

Portanto, ter diversidade dentro de uma empresa pressupõe ter funcionários e líderes de etnias diferentes, sexos diferentes, orientação sexual diferente e, o principal, PENSAMENTOS diferentes.

Porém, na prática, a “diversidade” exercida dentro das empresas é outra.

Elas buscam pessoas que estejam de acordo com os pensamentos dos grupos identitários. Ou seja, que concordem com as problematizações e pautas desses grupos.

Se o ambiente terá negros e homossexuais, não se pode deixar um racista ou homofóbico frequentá-lo. Porém, essas definições acabam ganhando enorme elasticidade.

Basta uma pessoa discordar de alguma bandeira dos militantes LGBT para ser considerada homofóbica. Ou ainda, basta apoiar um político de direita, e ela já será considerada apoiadora do “discurso de ódio”.

Desta forma, para conseguir manter estabilidade nessas empresas, as pessoas tornam-se escravas do POLITICAMENTE CORRETO e podem temer opinar, seja ao vivo ou nas redes sociais, a respeito de temas polêmicos, visto que sua opinião poderá ser considerada um discurso de ódio.

Ou seja, a diversidade que é existe é falsa. Sim, até pode haver gays, negros e mulheres trabalhando no ambiente. No entanto,não há diversidade de pensamento e opinião. O que existe é o pensamento único.

Desta forma, as empresas acabam contribuindo para que seus quadros de funcionários sejam compostos por militantes de grupos identitários, que podem se manifestar livremente (inclusive, promovendo discurso de ódio, como mostraremos a seguir) e por pessoas de centro-direita ou conservadoras, que devem se manter em silêncio, sob o risco de uma possível demissão.

Tudo isso tem um efeito devastador para as empresas, a democracia e a liberdade.

COMO ISSO AFETA AS EMPRESAS?

Ao fomentar militantes de grupos identitários e deixá-los implementar e disseminar as ideias dos especialistas dentro das companhias, indiretamente as empresas estão construindo a possibilidade da destruição de seu modelo de negócios e na tomada de decisões que contrariam as leis de mercado.

Um exemplo recente é a Ifood. A empresa de tecnologia possui o selo GPTW e é bastante comprometida com a “diversidade”. Eis que os entregadores que utilizam a plataforma decidiram fazer uma paralisação, para forçar a empresa a garantir direitos e aumentar sua remuneração.

Não deu outra. Grupos identitários abraçaram a pauta dos entregadores, inclusive, funcionários da própria empresa apoiaram o movimento utilizando o argumento de opressores e oprimidos, tratando sobre os males do capitalismo selvagem.

Outro exemplo são os bancos. No Brasil, há uma série de projetos de lei que podem, simplesmente, destruir o mercado de crédito e arrebentar com as atividades dos bancos, como o tabelamento de juros e o aumento da Contribuição Social sobre o Lucro Líquido (CSLL). Tais projetos são apoiados por políticos, especialistas e, claro, pelos grupos identitários, os quais são cada vez mais valorizados pelos próprios bancos.

O Bradesco, por exemplo, financia uma artista que, recentemente, fez um quadro no qual segurava a cabeça do Presidente Jair Bolsonaro. Clique aqui.

A lideranças das empresas ainda não está dominada por tais grupos, entretanto, com seu crescimento dentro do quadro de funcionários, é questão de tempo para que as decisões e a composição de diretoria e conselho reflita a opinião desses grupos.

Nos EUA, o CEO do Facebook, Mark Zuckerberg, enfrentou uma enxurrada de críticas e protestos dos próprios funcionários da rede social para que removesse uma postagem do Presidente Donald Trump.

No Brasil e nos EUA, um perfil chamado “Sleeping Giants” pressiona empresas a retirarem propagandas de sites conservadores, sob o argumento de que eles espalham fake news e discurso de ódio.

Essa é uma faceta de como os movimentos influenciam a democracia.

COMO ISSO AFETA AS DEMOCRACIAS?

Quando grupos identitários, especialistas, mídia e empresas juntam-se, dizendo uma só coisa, é praticamente impossível haver espaço para o contraditório. No entanto, com as redes sociais, o contraditório foi bastante forte.

A eleição de Donald Trump em 2016, o plebiscito do Brexit também em 2016 e a vitória de Jair Bolsonaro no Brasil em 2018 são exemplos da força das redes sociais em dar voz à maioria silenciosa, que discorda frontalmente do “falso consenso” alardeado.

Não à toa, bastaram esses resultados para que as orelhas daqueles que fomentam o falso consenso ficassem em pé. Logo, começaram as pressões para que as redes sociais sofressem maior regulação. O argumento é de que as redes sociais serviam como meio para difusão de fake news e discursos de ódio e plataformas e governos deveriam tomar medidas para coibir sua veiculação.

As próprias plataformas criaram controles e políticas para evitar “tais conteúdos”. Não bastou. Parlamentos e governos estão desenvolvendo leis para regular o conteúdo publicado em redes sociais. As “agências de checagem de fatos” ganharam notória relevância, afinal, se tornaram o Ministério da Verdade do século XXI, com a possibilidade desse papel ser, inclusive, reconhecido por lei.

No Brasil, chegou ao ápice da Suprema Corte abrir um inquérito para investigar fake news. O resultado do inquérito foi prender pessoas que criticavam a atuação do STF, além de censurar uma reportagem, que continha informação desagradável para o Presidente do STF, Dias Toffoli.

Partidos políticos que deram espaço ao crescimento desses grupos agora se veem como reféns deles. É o caso do Partido Democrata nos EUA. Nas prévias, o candidato Bernie Sanders, autodeclarado socialista, quase levou a melhor sobre Joe Biden, tido como moderado.

Mesmo assim, instituições financeiras norte-americanas temem uma vitória de Biden, visto que seu governo poderá encampar pautas que permeiam uma grande parte (se não a maioria) do Partido Democrata, como maiores regulações econômicas e aumento da carga tributária.

No Canadá, a Lei C-16 obriga as pessoas a utilizarem dezenas de pronomes de gênero diferentes, para contemplar as pessoas que se identificam com cada um deles. Quem descumprir a regra, poderá ser multado ou preso!

A influência do POLITICAMENTE CORRETO sobre a democracia faz com que, cada vez mais, a ditadura do pensamento único seja buscada, mediante leis, regulações e ações de governos que abraçam essas pautas. Além disso, também serão feitas leis no sentido de promover uma maior intervenção do Estado na economia, visando garantir “igualdade e justiça social”, mesmo que isso implique em destruir o arranjo econômico de um país ou do mundo.

Sendo assim, a nossa liberdade nunca esteve tão ameaçada.

COMO ISSO AFETA A NOSSA LIBERDADE?

O primeiro alvo, evidentemente, é a liberdade de expressão. Com o domínio do politicamente correto, as vozes dissonantes são cada vez mais silenciadas. Humoristas são processados, atores e atrizes são demitidos, jornalistas perdem programas, e pessoas normais perdem seus empregos.

Até cientistas são patrulhados, como por exemplo, um médico cardiologista pode ser acusado de gordofóbico se disser a um paciente que os problemas cardíacos dele estão relacionados à obesidade.

Isso, evidentemente, cria um desequílibrio no debate público, levando à ausência deste debate, tendo em vista que o outro lado encontra-se silenciado, fazendo com que os debates se transformem em meras divergências de método e execução entre pessoas com o mesmo pensamento.

Além disso, interfere na liberdade econômica e coloca em risco o funcionamento de empresas e o livre mercado, tendo em vista que o intuito é destruir o capitalismo, visto que o regime está na raiz da opressão.

Aqui vai uma ponto importante. Muitos “liberais puros” (na economia e costumes) acreditam que podem abarcar as pautas identitárias e dizem que há uma racionalidade que as justifica. Entretanto, ao fortalecer os grupos identitários, estão cavando a própria cova, tendo em vista que tais grupos execram o liberalismo econômico e o veem como parte importantes das desigualdades e preconceitos ainda existentes.

Outro ponto é a destruição de valores e história, nos moldes da Revolução Cultural promovida por Mao Tsé Tung na China. Observamos isso nos protestos contra o racismo, em que manifestantes derrubam estátuas e monumentos sob o argumento que remetem a figuras escravocratas. Na Dinamarca, até a estátua da Pequena Sereia foi vandalizada.

A ideia é retirar a identidade de nações e seus povos, apagar o passado, destruir qualquer noção de patriotismo, fazendo com que as pessoas estejam unidas apenas e tão somente pela ideologia, o ideal de um novo mundo mais justo e igualitário.

COMO AGIR E RELAÇÃO A ISSO?

Coincidência ou não, o Presidente americano Donald Trump, no Dia da Independência dos EUA, fez um importante discurso em que denuncia a existência do “fascismo de extrema-esquerda” e seus tentáculos sobre a sociedade. O trecho pode ser visto aqui.

Esse é, justamente, o primeiro passo a ser dado: entender que a liberdade e o capitalismo estão sob iminente risco. Com a pandemia do novo coronavírus, e os problemas sociais dela decorrentes, ideias defendidas pelos grupos identitários passaram a ganhar mais ressonância para o futuro, demonstrando que, nas atuais condições, eles estão com a vantagem.

O elemento mais importante da reação deve ser as empresas. Ao revisarem suas políticas internas e a noção de diversidade, evitando que os Recursos Humanos sejam capturados por militantes, além de garantir a pluralidade política, permitindo a manifestação de livre opinião sem risco de demissão.

Desta forma, garante-se que as companhias não terão o risco de serem dominadas por anti-capitalistas, pessoas que possam jogar contra a companhia, além de dar fôlego ao debate público, garantindo que um funcionário não perderá seu emprego por apoiar um candidato conservador nas eleições.

Lutar para a eleição de parlamentares comprometidos com a democracia, a liberdade e o capitalismo, para evitar a aprovação de leis e projetos que os coloquem em risco. Para tanto, é preciso utilizar todos os meios possíveis para que as redes sociais continuem sendo um meio de contraponto à grande mídia tradicional.

O último ponto, a mudança das Universidades e Centros de Pesquisa, é algo para longo prazo, tendo em vista que demanda mudanças constitucionais e a introdução de avaliação de desempenhos e alterações da política de pesquisa das instituições.

Destaca-se, por fim, que o passo mais urgente é o isolamento de grupos identitários, para que suas ideias não ganhem contornos de razoabilidade, a ponto de serem cogitadas como possíveis boas mudanças para o funcionamento do capitalismo e a garantia das liberdades. O que eles desejam é, justamente, o contrário.