Em palestra, Gilberto Carvalho (PT) fala sobre desestabilizar governos pelas redes sociais

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O petista Gilberto Carvalho, ex-chefe de gabinete de Lula, e o nome apontado como vínculo entre PT e as Forças Armadas Revolucionárias da Colômbia (FARC), ministrou uma palestra para curso online Guerras Híbridas, que tratou do “uso de redes sociais para desestabilizar governos”, informou o site da Secretaria de Formação da Federação dos Bancários do Centro-Norte (Fetec-CUT/CN).

Participaram do curso, que começou no dia 23 de abril, 17 dirigentes de quase todos os sindicatos filiados à Fetec-CUT/CN. O curso, baseado no livro Guerras Híbridas: das Revoluções Coloridas aos Golpes, do analista russo Andrew Korybko, ensina a desestruturar o Estado, falindo sua estrutura para se apropriar do seu território e do imaginário coletivo. O autor parte da premissa de que os métodos já são utilizados pelo governo dos EUA e sugere ação semelhante nos Brasil. Ensina, assim, a defender-se deste tipo de investida e, ao mesmo tempo, utilizá-lo como contra-ataque.

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Assim como os petistas, o autor do livro considera que as novas técnicas de guerra híbrida incluem protestos não violentos, que agem na desestabilização e no imaginário das pessoas. Os protestos populares de 2013, por exemplo, para a maioria dos petistas foi algo orquestrado por “grandes grupos”. Eles imaginam que foi algo como Occupy Wall Street, movimento de esquerda financiado por bilionários. Esquecem (ou fingem não saber) que não existem hoje forças internacionais de direita, nacionalistas ou populares, organizando protestos.

Em tempos de criminalização das vozes independentes após o crescimento da liberdade nas redes sociais e politização da população, a esquerda vem buscando justificativas em teses que imaginam agentes externos e internos que se valeriam das “vozes populares” ou “pretensamente independentes”. O objetivo dessas iniciativas é propagandístico e visa mobilizar uma massa raivosa de militantes para utilizar contra a população e limitar as liberdades.

O livro vem sendo estudado há anos por grupos de estudo de esquerda e extrema esquerda pelo mundo. Uma das análises está no site da Fundação Perseu Abramo, do Partido dos Trabalhadores.

Para Korybko, a primeira ação da guerra hibrida se processa por um movimento que denomina de revolução colorida. Este movimento se caracteriza por manifestações que se utilizam de resistências não violentas ao governo de um Estado Nacional, pelo menos no que dizem seus militantes. Apresenta-se através de um discurso democratizante, liberalizante, quase anárquico e é apoiada por ONGs, entes do mercado, agências de inteligência externas e mídia.

Para Gilberto Carvalho e alas do PT, as manifestações de 2013 foram orquestradas por grupos ocultos e forças misteriosas do grande capital, assim como os frequentes atos em favor de Jair Bolsonaro e da democracia.

Um review do site esquerdista Expressão Popular, comenta o livro usado como livro-texto do curso:

As mídias sociais e tecnologias afins substituirão as munições guiadas como armas de ‘ataque cirúrgico’ da parte agressora, e as salas de bate-papo online e páginas no Facebook tornar-se-ão o novo ‘covil dos militantes’. Em vez de confrontar diretamente os alvos em seu próprio território, conflitos por procuração serão promovidos na vizinhança dos alvos para desestabilizar a periferia dos mesmos.

Sobre a palestra ministrada pelo petista, de acordo com o site da Fetec,

a palestra de Gilberto Carvalho foi de certa forma uma continuidade do conteúdo do curso, uma vez que ele abordou didaticamente como o grande capital nacional e internacional empregou também as redes sociais para mobilizar a população, derrubar a presidenta Dilma Roussef, eleger Bolsonaro e “derrotar o nosso projeto democrático e popular”. Para Gilberto Carvalho, “nosso futuro depende da nossa capacidade de enfrentar essa guerra híbrida e de nos reconectarmos com nossas bases, com a nova classe trabalhadora e com as periferias.

Desde os MAV (Militância em Ambientes Virtuais), o PT vem investindo em capacitação para a ação coordenada da extrema esquerda nas redes sociais. Isso parece não ter sido suficiente para “esclarecer” a população, que optou por um projeto conservador com o qual se identificou.

Para o ex-ministro, “é um desafio complexo ganhar corações e mentes desse povo que é vítima e ao mesmo tempo apoia o governo Bolsonaro”. Mesclando verdades inconfessáveis com frases de propaganda, a praxis marxista atua no militante como um poderoso estímulo. Persuasão e libertação agem juntas, desde que Georg Lucacs disse que a consciência de classe vem após a revolução e não antes.

Sobre a principal fonte dos estudos ministrados no curso, o site da FETEC diz:

No “Guerras Híbridas: das Revoluções Coloridas aos Golpes”, o analista político Andrew Korybko desvenda um novo conceito para explicar as atuais táticas dos EUA para a desestabilização e a derrubada de governos. A guerra híbrida é a combinação de revoluções coloridas e guerras não convencionais como forma de alinhar Estados e sociedades aos interesses da política de segurança e defesa norte-americanas.

Partindo do estudo de caso da Síria e da Ucrânia, o autor demonstra um modus operandi que também pode ser facilmente identificado em outros conflitos travados, por exemplo, no Oriente Médio e na América Latina. Nesse sentido, a guerra híbrida é o novo modelo de intervenção político-militar do século XXI.

A guerra híbrida é o emprego do poder através de um conjunto de intervenções de toda ordem preparada sobre um Estado nacional, para exercer um fim fundamentalmente político. Ou qualquer tipo de agressão organizada que procura causar dano a um Estado nacional, buscando desestruturá-lo, transformando-o em um Estado falido, com o fim de apropriar-se de seu território, e/ou de seu imaginário coletivo, e/ou de seus recursos.

Quem é Gilberto Carvalho?

O site do Instituto Liberal repercutiu as informações veiculadas pela revista colombiana Cambio, que levantou o relacionamento entre os governos petistas e as FARC. Até 2004, o então chefe de gabinete de Lula e hoje ministro-chefe da Secretaria Geral, da presidente Dilma Rousseff, Gilberto Carvalho, aparecia no Conselho Editorial da America Libre, ao lado do fundador e ex-comandante (número 1) das FARC, Manuel Marulanda Velez (conhecido também como “Tiro Fijo”) e também do ex-deputado e advogado dos mensaleiros presos, Luiz Eduardo Greenhalg (que defende controlar a criminalidade através do desarmamento do cidadão honesto e ordeiro que deseja se defender).

A grande imprensa noticiou o dossiê feito pela revista colombiana, que apontava a relação da cúpula petista com a rede de terroristas internacionais através do Foro de São Paulo.