Sun Tzu para conservadores – Parte I

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A prisão da ativista do Movimento 300, Sara Winter, expedida pelo Ministro do Supremo Tribunal Federal, Alexandre de Moraes, somado a uma aparente inoperação do Presidente Bolsonaro, ante tamanha violação do direito de liberdade de expressão, causou-me estranheza. Pelas rede sociais, circulou a explicação de que a apatia do Presidente para com o ocorrido com a ativista é que Bolsonaro teria uma estratégia que em breve seria colocada em prática. 

Bom, mesmo eu sendo um ferrenho apoiador do Presidente, e levando em conta que ele é um capitão aposentado do Exército Brasileiro, além de ter como gente de sua confiança alguns generais, pode ser que ele esteja vendo algo que eu, um mero latino americano, seja incapaz de ver. Reconhecendo minha insignificância, decidi recorrer ao louvado livro dos estrategistas, A arte da guerra, de Sun Tzu (100 a.C.). E resolvi registrar aqui os meus achados, e, assim, ser ao menos credenciado para entender as estratégias do nosso Presidente. 

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O livro inicia narrando como Sun Tzu impôs a sua autoridade numa tropa de cento e oitenta mulheres. Para conseguir esse poder, decapitou duas concubinas do rei que se recusaram a obedecer aos comandos de Tzu. A narrativa é muito intrigante. Mas ela apresenta apenas o último dos cinco princípios da arte da guerra, a disciplina. Sun Tzu diz textualmente que se quisermos glória e sucesso no manuseio das armas devemos nunca perder de vista a doutrina, o tempo, o espaço, o comando e a disciplina.

E aqui está uma lição para mim, um conservador: a estratégia não começa na disciplina, mas na doutrina. Sun Tzu explica que a doutrina é aquilo que nos inspira a viver e morrer, move-nos e motiva à luta. Neste ponto, paro e penso: tenho um problema, o conservadorismo tem uma doutrina muito sui generis, algo tão diferente do que vemos no liberalismo ou no marxismo que me obriga a aprofundar um pouco mais para saber, afinal, o que é o conservadorismo.

Por enquanto, apoio-me nas palavras de João Pereira Coutinho, que dizia ser o conservadorismo uma ideologia de emergência, nos dois sentidos da palavra – aquilo que emerge e tem a missão de deter uma destruição. A doutrina dos conservadores é posicionar e reagir aos ataques. Hoje estamos preocupados com os aviltamentos contra o governo Bolsonaro e figuras chaves da direita. Ontem, estávamos ao lado do então juiz Sérgio Moro e seus procuradores para que a captura da estrutura criminosa do petismo fosse concluída com sucesso. Amanhã teremos que reagir de modo mais enérgico contra o governo da China que terá todo o parlamento brasileiro em sua folha de pagamento. E assim, é a vida dos conservadores, reagir, conservar, emergir e atacar para defender.

Fico muito preocupado, pois Sun Tzu não aprofundou o princípio da doutrina. Ele apenas se resumiu ao dizer que “aqueles que são zelosos na arte da guerra cultivam o Tao e aderem à sua doutrina são, portanto, capazes de formular políticas de vitória”. Evidentemente, não creio que seja preciso recorrer ao “caminho do meio” para entender a doutrina aplicável aos conservadores. Mesmo porque, o professor Olavo já demonstrou como o místico Fritjof Capra se embolou de vez ao tentar ocidentalizar essas filosofias chinesas. 

Capra havia reduzido todo o pensamento chinês num mero dualismo ying-yang sem levar em conta a tríade taoísta de céu-terra-homem, como explicou Olavo no livro ‘A Nova Era e a Revolução Cultural’. Olavo ensina Capra, que o homem chinês, mais precisamente “o Imperador”, precisava ser um filho do Céu, um pontífice que se ligava à vontade celeste e trazia ordem e harmonia a terra. Na doutrina do Tao, o monarca tinha que provar ao seu povo que suas ações refletiam os desígnios do Céu e por isso sua autoridade era legítima, resumiu o professor Olavo em seu livro.

Era essa a doutrina que Sun Tzu estava se referindo como a grande emanadora de práticas vitoriosas na arte da guerra. Em contrapartida, no conservadorismo não há uma autoridade humana divinizada, nem mesmo uma relação mística em que seja possível recorrer para aferir as ações dos adeptos aos fatos que todos os dias a extrema-imprensa nos assedia. Temos, tão somente, um estado de coisas que precisamos resolver e conservar para que não seja destruído pela voracidade da esquerda e ou pela estupidez dos liberalizantes. 

Sendo assim, em matéria de estratégia, que a direita venha hoje ou amanhã executar, sem uma doutrina unificadora que valha a pena viver e morrer, será sempre fadada a um retumbante fracasso. Não porque quero, mas porque violou o primeiro princípio do Sun Tzu: possuir uma doutrina que gere uma unidade de pensamento.

 

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