Pesquisa: Em quem confiamos com relação à Covid-19

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Davi Gomes

A pandemia causada pelo novo coronavírus exigiu uma mobilização mundial sem precedentes na história recente, com uma série de mudanças profundas em nosso cotidiano. Além disso, esse desafio está sendo enfrentado durante a Era da Informação, com um acesso nunca antes possível às mais variadas categorias de informação sobre a doença, estatísticas, e estudos.

O lado positivo do acesso irrestrito à rede de informações é a possibilidade de manter-se devidamente orientado para compreender qual é o problema, quais são os riscos, como agir, e quais são as previsões de impacto e normalidade. O lado negativo, é que estamos igualmente vulneráveis à desinformação, fake news, e afirmações de origem duvidosa.

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Em meio a tal dualidade, é interessante – e talvez crucial – compreender quem são os comunicadores que efetivamente transmitem sua mensagem durante a pandemia, em que tipos de autoridades o público confia, e quais são os riscos que podem nos acometer quando em nome de um bem maior deixamos de lado alguns de nossos direitos fundamentais.

Em quem confiar?

Dados de uma pesquisa recentemente conduzida por uma empresa de privacidade online nos Estados Unidos conclui que seus internautas, assim como os brasileiros, desconfiavam dos mecanismos de “rastreamento de contatos” que empresas como Apple e Google estariam adicionando aos smartphones. Os aparelhos constantemente coletariam dados de outros em sua proximidade, e alertariam caso o usuário tenha cruzado com alguém sabidamente infectado. Em relação ao método, 75% dos entrevistados afirmam que isso violaria sua privacidade, e 77% que o risco de técnicas invasivas de vigilância no futuro estaria maior. Aqui no Brasil, a situação é ainda mais complicada, pois o rastreamento é feito utilizando dados móveis e não pode ser desligado, poucas pessoas conhecem ferramentas como um servidor VPN para driblar a coleta de dados de geolocalização em smartphones.

Importante defensor da liberdade individual na internet, Edward Snowden demonstrou preocupação e avisa que governos ao redor do mundo podem tentar se apropriar do momento de maior vulnerabilidade da privacidade dos cidadãos para implementar medidas que comprometerão suas liberdades mesmo após o fim da pandemia. No mesmo levantamento de dados, observou-se que 59% dos indivíduos estariam dispostos a sacrificar alguma liberdade em função do bem coletivo durante o combate à doença.

Outra pesquisa também levantada pela empresa concluiu que os usuários demonstram maior confiança em sites de tecnologia do que em seus próprios governos quando o assunto se refere à pandemia. Esse dado não é de se surpreender, ao considerarmos fenômenos como a subnotificação de casos em Minas Gerais que constantemente prejudicam a imagem das fontes oficiais de informações.

Comunicadores digitais em diversas redes sociais, como Twitter, blogs autorais, e até mesmo no WhatsApp tem assumido cada vez mais o papel de informar a população à respeito das últimas notícias. O problema, no entanto, é a falta de familiaridade do público em geral com a verificação das fontes e dados que lhe são apresentados, isso acaba dando grande espaço e poder de influência a figuras que compartilham agendas específicas com base em fake news. Assim se torna evidente o papel cada vez maior de jornalistas que realizam o fact checking e a mobilização para que o público não se prenda em bolhas intelectuais, sendo convencido de forma alarmista de ideias que não necessariamente condizem com a realidade.

É portanto fundamental manter a luta pela liberdade de imprensa e pela divulgação de dados verdadeiros, com integridade jornalística e fontes confiáveis.

 

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