Em título, Globo diz que Sara Winter recebia “dinheiro para protestar”, mas se referia ao Femen

Jornal citou documentário no qual a ativista contava sua história e cita dinheiro recebido quando era de extrema esquerda, detalhe deixado de lado no título, induzindo leitores.

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O jornal O Globo decidiu aproveitar-se do pouco conhecimento de seus leitores sobre a história da ativista Sara Winter para induzi-los a acreditar que a ex-feminista “recebia dinheiro para protestar”, motivo que teria sido presa. Na verdade, o jornal citou um documentário no qual a ativista contava sua história e cita dinheiro recebido quando era de extrema esquerda, detalhe deixado de lado no título e chamada.

Sabendo da grande exposição dos títulos de suas matérias, o jornal contraria uma regra básica do jornalismo, que é a clareza e o risco de ambiguidades. Mas é claro que não foi sem querer.

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A descoberta do engodo foi do colunista Oliver Talk, do site Senso Incomun. O título diz: “Documentário mostra Sara Winter admitindo que recebia dinheiro para protestar”.

A matéria se referia ao documentário A vida de Sara, produzida por Matheus Bazzo, que conta a história de sua vida como feminista no movimento ucraniano Femen, que é financiado por fundações incluindo o bilionário húngaro George Soros.

No filme, assim como em entrevista recente aos Estudos Nacionais, Sara admite ter recebido dinheiro dos milionários esquerdistas para protestar. O Globo omite propositalmente, fazendo parecer que a agora bolsonarista recebia para protestar por Bolsonaro.

Apesar do autor da matéria, Thiago Prado, explicar que a ativista recebia dinheiro quando ainda trabalhava para Femen, faz questão de criar suspeitas sobre quem financia Winter atualmente, quando encerra a frase: “(…) embora atualmente ainda não se saiba quem a financia”.

Mais da série: “Fingindo fazer jornalismo”

O truque de usar o título da matéria para enganar o leitor sobre o conteúdo da mesma, tem sido muito comum e ganha especial periculosidade quando feito em matérias com conteúdo pago. Somente seus assinantes tiveram a confusão desfeita em suas mentes, embora ainda assim muitos leiam a matéria a partir da chave de leitura do título, como aliás é muito comum.

Recentemente, uma matéria da Época falsificou a fala de Jair Bolsonaro ao substituir um “e” por um “mas”, dando sentido oposto e fazendo o presidente parecer estar defendendo impor uma ditadura.

O site Estudos Nacionais também foi vítima de uma manipulação recente do site UOL, que inverteu propositalmente a ordem dos eventos para favorecer o grupo MBL, que ameaçou processar o EN por matéria negativa contra o deputado Arthur Do Val.

Para forçar a narrativa do “gabinete do ódio bolsonarista”, o UOL tentou fazer parecer que a matéria do EN era uma “reação” ao ataque do MBL ao presidente. A matéria dizia que a denúncia do EN contra o deputado teria sido publicada após um ataque do MBL ao presidente Jair Bolsonaro, quando, na verdade, isso ocorreu um dia após o próprio MBL atacar o site por não ter gostado da matéria negativa publicada antes da chamada “operação de campo” envolvendo assessores de gabinete de políticos do movimento.

Neste caso, a manipulação pode ser desfeita olhando as datas das publicações.

 

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