Época erra e inverte ordem dos fatos em matéria sobre MBL e EN

Versão busca tornar MBL vítima de reações articuladas por "gabinete do ódio", enquanto MBL usa assessores para atacar Bolsonaro

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O site da Revista Época publicou um texto, neste sábado (13), que inverteu a ordem dos acontecimentos sobre o embate ocorrido entre Estudos Nacionais e o Movimento Brasil Livre, a partir da repercussão da matéria de Camila Abdo, que informava a existência de uma notícia-crime contra o deputado estadual Arthur Do Val (Patriota/MBL), na última semana.

Época afirmou que a matéria negativa do EN sobre o deputado veio APÓS a ação coordenada pelo gabinete de Fernando Holiday, quando este último fato ocorreu no dia seguinte à repercussão da notícia negativa sobre Arthur do Val.

Como os leitores do EN acompanharam, um dia após a repercussão da matéria sobre Arthur do Val, o MBL articulou a ação contra Jair Bolsonaro, através de assessora do vereador Fernando Holiday, do MBL. A matéria da revista, no entanto, inverteu a ordem, dizendo que a repercussão da notícia-crime informada no EN foi um dia após a ação coordenada do MBL em Brasília. A inversão fortalece a versão do próprio MBL, de que “bolsonaristas” teriam reagido com uma rápida mobilização virtual.

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No título da matéria, a Época já declara a inversão para corroborar a narrativa.

“RIVALIDADE ENTRE MBL E BOLSONARISTAS SE INTENSIFICA COM ATAQUES AO PRESIDENTE – Enquanto Movimento Brasil Livre planeja ações ‘para a derrubada de Jair Bolsonaro’, apoiadores operam denúncias e mobilização virtual contra ex-aliados”

A inversão da ordem dos acontecimentos fica evidente no trecho que segue:

A estratégia da qual Cris Bernart participou foi anunciada pelo coordenador nacional do MBL, Renan Santos, num vídeo vazado de um grupo de WhatsApp no último fim de semana. Ele anunciava a seus companheiros “o início das operações do MBL na próxima semana para a derrubada do presidente Jair Bolsonaro” e pediu engajamento dos apoiadores. “Não será uma ação com essa turma de antifas, de torcida organizada, vai ser do nosso jeito, no nosso estilo”, disse Santos, embora não detalhasse do que se tratava.

No dia seguinte, bolsonaristas revidaram. Um site chamado Estudos Nacionais, simpatizante de Jair Bolsonaro, publicou que o deputado estadual Arthur do Val (Patriota-SP), outra liderança do MBL e também conhecido como Mamãe Falei, havia sido “alvo de notícia-crime por rachadinha e funcionário fantasma”. 

A verdadeira ordem poderia ter sido confirmada a partir da observação das datas das matérias, o que a redação da Época achou irrelevante.

A versão da Época tem função de fortalecer a narrativa de mobilizações bolsonaristas artificiais via Twitter, afastando do imaginário popular a ideia de repercussões naturais, o que por sua vez embasa a tese da CPMI das fake news e do “inquérito” de Alexandre de Moraes, que vem perseguindo jornalistas e blogueiros acusados de “espalhar fake news”.