Epicentro da pandemia no Brasil, SP tem acordo com laboratório chinês desde 2019

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Com mais de 10 mil mortes pelo vírus chinês só no Estado de São Paulo, o governador João Dória afirmou nesta sexta-feira (12), que os testes com a vacina chinesa poderão começar em São Paulo graças a um acordo do Estado com laboratório chinês Sinovac iniciado já em agosto de 2019, período que pesquisadores apontam como possível surgimento do vírus em Wuhan. O acordo vem provocando desconfianças e críticas contra Dória, por estar usando brasileiros como “cobaias” da China.

“O acordo assinado com a Sinovac teve início em agosto do ano passado, quando da nossa visita à China e a inauguração do escritório comercial de São Paulo em Shangai”, disse o governador, admitindo ter viajado ao país de origem do surto durante período em que se suspeita ter iniciado os contágios.

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A viagem de Dória à China também teve objetivos de contratos tecnológicos para o monitoramento dos paulistas. Só de câmeras, os chineses doaram 4 mil equipamentos, mil de cada fabricante visitado, segundo informações do site Metro, na época da visita. Em 2019, Dória fez diversas críticas à aproximação do governo Bolsonaro com os EUA, enquanto afirmava que a guerra comercial entre EUA e China representava uma oportunidade.

Considerado o grande epicentro da pandemia no Brasil, São Paulo vai testar em mais de 9 mil voluntários a vacina produzida no país originário da doença. O governador João Dória salientou a importância da cooperação que foi iniciada já em agosto de 2019 com o laboratório Sinovac, responsável pela fabricação da vacina contra o coronavírus.

O anúncio dos testes levou paulistas a protestar e se recusarem a receber a vacina. Nas redes, internautas disseram que não iriam tomar a vacina e também colocaram em dúvida a confiabilidade do medicamento, que foi desenvolvido pela China, país onde a pandemia começou, informou o site Pleno News.

Em pronunciamento, João Dória diz que o laboratório chinês é reconhecido pela Organização Mundial de Saúde (OMS) como um dos que lidera as pesquisas para a vacina contra o coronavírus, batizada de “coronavac”.

Segundo Dória, “a vacina já foi administrada em mil pessoas nas fases um e dois, na China, e agora, na fase três, que é a última, aqui em 9 mil voluntários brasileiros”.

Temor justificado

Um dos motivos de crítica é a analogia com convênios firmados entre China e Itália (One Belt, One Road), o que teria influenciado na propagação de epidemias para a Europa e resgatando o temor das rotas comerciais entre Ocidente e China, causas históricas de pandemias desde a Peste Negra, no século XVI, até o coronavírus, em 2019.

No início da pandemia, uma campanha feita por canal de TV chines na Itália chegou a incentivar que italianos abraçassem chineses contra o preconceito no início da pandemia.

Veja abaixo a declaração do governador de São Paulo

Vírus já existia na China em agosto

Apesar de refutado pelo regime chinês, relatórios apontam que o coronavírus pode ter começado a se espalhar na China ainda em agosto do ano passado. É o que aponta uma pesquisa da Escola de Medicina de Harvard, nos Estados Unidos, em estudo feito com base em imagens de satélite de padrões de visitas a hospitais e dados de sites de busca.

“Estas descobertas também corroboram a hipótese de que o vírus emergiu naturalmente no sul da China e podia já estar circulando na época do foco de Wuhan“, segundo a pesquisa, que mostrou um aumento considerável na ocupação dos estacionamentos de hospitais em agosto de 2019”.

“Em agosto, identificamos um aumento peculiar nas buscas por diarreia que nem foi visto em temporadas de gripe anteriores nem se espelhou nos dados sobre pesquisas de tosse.”

Indagada sobre a pesquisa em uma coletiva de imprensa diária nesta terça-feira, a porta-voz do Ministério das Relações Exteriores da China, Hua Chunying, refutou as conclusões.

“Acho que é ridículo, incrivelmente ridículo, chegar a esta conclusão com base em observações superficiais como volume de tráfego”, respondeu.

 

 

 

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