O mundo entre dois monstros: Behemoth e Leviatã

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Looters smashing a window of a store front on School street after the Black Lives Matter rally at the Massachusetts State House. (Jesse Costa/WBUR)
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O que o vírus chinês tem nos ensinado é que estamos vivendo entre monstros. O autor americano Dennis Praguer, fundador do Praguer University (PraguerU), encontrou quatro cavaleiros ou vetores da destruição que está em curso no ocidente: o vitimismo, a demonização, a causa, e as mentiras. 

Praguer acredita que o vitimismo leva as pessoas a se desobrigarem de suas responsabilidades morais enquanto marcham contra aquilo que demonizam. Essa demonização pode nascer de uma reinterpretação dos fatos passados – escravidão, governos militares ou repressão sexual – ou até da criação de narrativas absurdas como igualar o direito dos animais a de um ser humano.

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Um outro cavaleiro da destruição, na concepção de Praguer, é a luta por uma causa, que antes das duas grandes guerras se resumia a Deus e à terra. Todavia, com o advento do comunismo, fascismo e globalismo, arvoraram-se bandeiras de infinitas cores que vão desde um feminismo cruel e rebelde a um misticismo descompromissado de Deus e da realidade. Nada disso iria progredir sem o veneno das mentiras, o quarto vetor da destruição.

Foi o comunista Lênin quem criou o jornal Pravda (verdade) com o propósito de divulgar as mentiras de um governo genocida e autoritário. É como hoje temos a extrema-imprensa arrogando dizer a verdade mesmo que às custas de calar as vozes discordantes, aplicando-as bloqueios virtuais ou judiciais, espúrias acusações de fake news na tentativa de parar a verdade. É o auto sabotamento dos filhos da liberdade em nome da pseudo liberdade.

Mas, se o leitor permite, gostaria de acrescentar a essa análise de Dennis Praguer mais uma observação de cunho quase religioso, porém não menos importante. Em vez dos quatro cavaleiros da destruição, alusão aos cavaleiros do Apocalipse, eu interpretaria esse momento como a fúria das duas bestas do capítulo 13 do mesmo livro do Apocalipse. Não é nenhuma novidade essa leitura alegórica. Thomas Hobbes, por exemplo, encontrou em Leviatã e Behemoth, ambos monstros bíblicos, a figura do Estado absolutista, no primeiro, e a figura das facções parlamentares, no segundo.

A besta que emerge do mar e a outra besta que emerge da terra que foram descritas no livro do Apocalipse é o reaparecimento de dois monstros que um dia aterrorizaram o Justo Jó. Acontece que Hobbes, no século XVII, recorreu a essas duas criaturas quase invencíveis para descrever o tipo de Estado e de Governo que estávamos criando ou que ele próprio desejava. O Leviatã é aquele Estado avassalador que se impõe sobre as gentes incutindo-lhes o medo e o pavor, enquanto o Behemoth é a guerra dos sediciosos que inconformados com a tirania e com o seu próprio poder limitado deseja derrubar o rei.

Assim, podemos ver o mundo a nossa volta. Estados com poderes quase onipotentes resistindo à fúria das facções que não mais reconhecem a terra e muito menos Deus. Os vitimismos, as demonizações, as causas e as mentiras são o combustível para o confronto entre behemoths e leviatãs, entre o Estado Moderno, inflado em leis e dívidas (leviatãs) contra as “forças terríveis” (behemoths) que “intrigam ou infamam, até com a desculpa de colaboração”, para usar as palavras de Jânio Quadros em sua carta de renúncia. 

Dito de outro modo, os movimentos de anti-racismo, feminismo e liberdade sexual querem ter voz não apenas para impor uma nova agenda ao mundo – que por sinal já o fazem -, mas, principalmente, colocar fim ao modelo de Estado que agora temos. Esse é o confronto: o Behemoth busca julgar o Leviatã pelas suas ações interpretadas por aquele como totalitárias. Não é apenas o negro morto por asfixia, mas toda a nação de americanos, aliás, todo o mundo branco que o asfixiou. Não é a cloroquina que está incomodando, mas a crença de que os problemas podem ter solução no mundo ocidental governado por brancos – diriam eles, os behemoths.

Sendo assim, escreve o professor Olavo de Carvalho em sua obra seminal A Nova Era e a Revolução Cultural (1994): “Não é ao homem, nem a Beemot, que cabe subjugar o leviatã, só o próprio Deus pode fazê-lo”. Prossegue o professor:

“Quando o homem se furta ao combate interior, renegando a ajuda de Cristo, então se desencadeia a luta destrutiva entre a natureza e as forças rebeldes antinaturais, ou infra naturais, a luta transfere-se da esfera espiritual e interior para o cenário exterior da história”.

Essa é a guerra que enfrentamos, a rebeldia expressa de forma legitimada, mas que no fundo trará mais mal do que bem.

Dennis Praguer viu os quatro cavaleiros da destruição, mas eles apenas são abre-alas para o emergir de dois monstros que nós já conhecemos. O justo Jó temia-os pela impossibilidade de domá-los, no Apocalipse eles operam sob o poder de satanás. No entanto, em nossos tempos, Behemoth e Leviatã são crias da destruição que começou ainda nas duas grandes guerras mundiais e que de lá pra cá vêm nos devorando dia após dia ambicionando um confronto final.

 

Fontes citadas

Artigo Dennis Praguer no The Epoch Times

A Nova Era e a Revolução Cultural de Olavo de Carvalho

Leviatã de Thomas Hobbes

Behemoth or the long Parliament de Thomas Hobbes

Livro de Apocalipse cap.13

Livro de Jó cap.40

Carta de Renúncia de Jânio Quadros