Duplo padrão e as verdadeiras fake news: protestos constitucionalmente violentos e protestos inconstitucionalmente pacíficos

Reprodução.
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É sintomático o duplo padrão da grande imprensa na abordagem dos protestos de domingo; de um lado, catalogou, como reiteradamente vem catalogando, de inconstitucionais e antidemocráticos os apoiadores do presidente Jair Bolsonaro, ampliando o que se resume a um ou outro cartaz que invocaria uma intervenção militar. Há vários domingos, aliás, tais manifestações têm ocorrido sem maiores intercorrências, sem a mais mínima afronta à ordem democrática, malgrado os grandes jornais superdimensionem o que consideram uma iminente ação golpista em uma ginástica hiperbólica deliberada.

Por outro lado, a mesma imprensa afagou os opositores de Bolsonaro com o indulgente título auto conferido de manifestantes pró democracia, sem que, para isso, eles tivessem que apresentar qualquer indício que justificasse a aura democrática pretensamente sustentada. Com efeito, o simples fato de bradar democracia não torna, por um passe de mágica, a sua atuação democrática, muito menos seus objetivos. As ações falam por si; bastou que esse movimento tomasse as ruas para que o confronto com a polícia e o vandalismo emergisse conjuntamente. Interessante é o preâmbulo das reportagens de que esses protestos começaram pacíficos. Ora, qual ação não começa pacífica? Até um assalto começa pacífico e só depois desemboca em violência. Além disso, não parece precipuamente pacífico um ato no qual os participante vão de antemão portando rojões.

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Da mesma forma, as onipresentes preocupações sanitárias de pessoas sem máscara e aglomerações que são apontadas nas manifestações semanais em favor de Bolsonaro foram obliteradas no que diz respeito aos auto intitulados manifestantes pró democracia. Para a mídia mainstream, o ataque ao presidente é mais valioso do que a cantilena de distanciamento social, ardilosa e casuisticamente utilizada para desmerecer o movimento em favor do governo.

A pauta principal dos apoiadores do presidente no domingo foi a ação do STF que buscou intimidar e constranger vozes conservadores nas mídias alternativas e no setor empresarial, ancorando-se em um inquérito secreto e auto instaurado. Tal fato foi suprimido da grade dos maiores meios de comunicação, que procuraram atentar para demandas periféricas e restritas, como o suposto pedido de intervenção militar. Não à toa, a mídia, tão ciosa em invocar a liberdade de expressão quando tem confrontada sua versão, faz não só ouvidos moucos ao protesto dos perseguidos pelo Judiciário, mas endossa o assédio sob o pretexto de combater a panaceia das fake news. Esse pernicioso conceito passou a abrigar toda e qualquer manifestação, comentário ou fato que destoe minimamente da linha progressista preponderante, servindo, na mesma toada, para tentar desacreditar a militância conservadora e resgatar o prestígio perdido da imprensa tradicional. Trata-se, em suma, de agonizar a concorrência para manter o seu domínio inabalável dos meios de comunicação, cerceando críticos e vozes contrárias, tachando-os de falseadores, sem que, para isso, seja necessário qualquer informação efetivamente falsa lançada pelos jornalistas e blogueiros investigados.

Quando a Revista Crusoé, do grupo do Antagonista, foi censurada no bojo da mesma investigação, a imprensa inteira se uniu em solidariedade, questionando não só a legalidade do inquérito, como o perigo de um conceito poroso como fake news a ameaçar calar a liberdade de expressão. Inclusive, nessa oportunidade, o partido Rede Sustentabilidade questionou a constitucionalidade do procedimento junto ao STF. Depois do episódio da semana passada, a grande imprensa aplaudiu as diligências contra os veiculadores de direita, e a Rede pediu a extinção da ADPF que pleiteava a declaração de inconstitucionalidade do inquérito; ou seja, a inconstitucionalidade tem serventia se for para enfraquecer o presidente e seus apoiadores. Dois pesos, duas medidas.

As verdadeiras fake news são as diárias distorções, desinformações, e sutis inclinações de reportagem criando uma atmosfera tendenciosa e militante. Rotular de discurso de ódio é, sim, um mecanismo de desmerecer a crítica e viabilizar a censura. Por isso, não espanta o empenho da mídia dominante para desacreditar as vozes dissonantes do consenso liberal mainstream e defender o kafkiano inquérito do STF.

 

 

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