Celso de Mello aprova divulgação de quase todo o vídeo da reunião de Bolsonaro com Moro.

Advocacia-Geral da União (AGU) havia pedido o levantamento do sigilo apenas das declarações do presidente na reunião.

0
Foto: Fabio Rodrigues Pozzebom/Agência Brasil
Anúncio:

O ministro Celso de Mello, do Supremo Tribunal Federal (STF), decidiu nesta sexta-feira (22) levantar o sigilo de quase todo o vídeo da reunião ministerial, ocorrida em 22 de abril de 2020, no Palácio do Planalto. O vídeo, segundo Sergio Moro, é uma das peças fundamentais no inquérito que investiga as acusações que foram feitas pelo ex-ministro, ao deixar o cargo.

“Assinalo que o sigilo que anteriormente decretei somente subsistirá quanto às poucas passagens do vídeo e da respectiva gravação nas quais há referência a determinados Estados estrangeiros”, observou Celso de Mello.

Anúncio:

Advocacia-Geral da União (AGU)

A Advocacia-Geral da União (AGU) requereu apenas o levantamento do sigilo das declarações do presidente na reunião. Segundo a AGU, a reunião possui segredos de Estado e a quebra do sigilo coloca a Segurança Nacional em risco. “Assuntos potencialmente sensíveis e reservados de Estado”, destacou José Levi, chefe da AGU.

Trechos divulgados

Até a última quinta-feira (21) os trechos divulgados seriam:

“Já tentei trocar gente da segurança nossa no Rio de Janeiro oficialmente e não consegui. isso acabou. Eu não vou esperar f. minha família toda de sacanagem, ou amigo meu, porque eu não posso trocar alguém da segurança na ponta da linha que pertence à estrutura. Vai trocar; se não puder trocar, troca o chefe dele; não pode trocar o chefe, troca o Ministro. E ponto final. Não estamos aqui para brincadeira”, afirmou o presidente na ocasião.

Em outro trecho divulgado na semana passada, Bolsonaro disse aos auxiliares que não pode ser “surpreendido com notícias”. “Pô, eu tenho a PF que não me dá informações; eu tenho as inteligências das Forças Armadas que não têm informações; a ABIN tem os seus problemas, tem algumas informações, só não tem mais por que tá faltando realmente… temos problemas… aparelhamento, etc. A gente não pode viver sem informação”, disse Bolsonaro.

“Quem é que nunca “ficou atrás da… da… da… porta ouvindo o que o seu filho ou a sua filha tá comentando? Tem que ver pra depois… depois que ela engravida não adianta falar com ela mais. Tem que ver antes. Depois que o moleque encheu os cornos de droga, não adianta mais falar com ele: já era. E informação é assim. [referências a Nações amigas] Então essa é a preocupação que temos que ter: “a questão estratégia”. E não estamos tendo. E me desculpe o serviço de informação nosso — todos -— é uma vergonha, uma vergonha, que eu não sou informado, e não dá para trabalhar assim, fica difícil. Por isso, vou interferir. Ponto final. Não é ameaça, não e’ extrapolação da minha parte. É uma verdade”, afirmou Bolsonaro.

O presidente

Em sua última live, realizada na quinta-feira (21), Jair Bolsonaro afirma que não há nada que possa comprometê-lo, mas alerta: “tem muitos palavrões. Assistam no reservado”.

O próprio presidente, em março, foi favorável a quebra de sigilo da reunião para provar que não há nada que coloque em dúvida seu caráter e responsabilidade para com o cargo.

*Com informações do Estadão

 

Inscreva-se em nossa Newsletter e receba novidades por e-mail.