Polícia Civil de Minas indicia ex-governador Fernando Pimentel por peculato e desvio

Quase R$ 1 bilhão em descontos de crédito consignado na folha de pagamento de servidores deixou de ser repassado às instituições financeiras na gestão petista.

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Foto: Valter Campanato/Agência Brasil
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Fernando Pimentel, ex-governador de Minas Gerais pelo Partido dos Trabalhadores (PT), e o secretário de Fazendo, José Afonso Bicalho Beltrão da Silva, foram indiciados por peculato e desvio pela Polícia Civil de Minas Gerais por não repassar os descontos de crédito consignado na folha de pagamento de servidores públicos às instituições financeiras. Pimentel governou o Estado de 2015 a2018. O valor total foi de R$ 924 milhões, conforme investigação da PC, em operações envolvendo pelos menos 280 mil servidores.

O delegado responsável pelo inquérito, Gabriel Ciriaco Fonseca, afirmou ter ficado constatado ao longo das investigações que o governador e o secretário imputaram a falta do repasse dos recursos à crise financeira. “Mas temos decisões judiciais que, essa questão envolvendo empréstimos consignados, não se trata de verba pública, que pode ser afetada por crise financeira.”

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O ex-governador Fernando Pimentel disse em nota que está sendo indiciado em inquérito que desconhece e no qual nunca foi ouvido. “E, o que é mais absurdo, estou sabendo disso pela imprensa. Infelizmente, essa prática se tornou corriqueira no País, o que certamente deve contribuir muito para o fenômeno definido pelos cientistas políticos como ‘criminalização da política’ …Ao fim e ao cabo, levou o Brasil à triste situação de hoje: elegeu-se um presidente que opera abertamente contra o Estado Democrático de Direito. Tristes tempos…”, afirmou.

Tráfico de influência e lavagem de dinheiro

O ex-governador petista, Fernando Pimentel, foi condenado, em 2019, a dez anos de prisão por tráfico de influência e lavagem de dinheiro.

Segundo as investigações, quando ocupava o cargo de ministro do Desenvolvimento, Indústria e Comércio Exterior, Pimentel teria recebido mais de R$ 4,2 milhões do grupo JHSF em troca ‘prestígio empenhado’ em favor de projeto e de construção e exploração de um aeroporto, de acordo com a sentença da 32ª Zona Eleitoral de Belo Horizonte.

A sentença foi proferida pela juíza Luzia Divina de Paula Peixôto, da 32ª Zona Eleitoral de Belo Horizonte, e publicada na edição desta quinta, 21, do Diário do Tribunal Regional Eleitoral de Minas.

*Com informações do Estadão