Proposta assinada pelo Brasil pede investigação da OMS

Brasil e outros 60 países vão colocar à votação uma resolução que pedirá investigação da resposta dada pela OMS à pandemia.

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Nesta segunda-feira (18), o governo do Brasil e de outros 60 países irão colocar em votação uma resolução que pedirá abertura de investigação “imparcial e independente” da resposta dada pela Organização Mundial da Saúde (OMS) à pandemia.

Na resolução que estará sobre a mesa, os governos pedirão início de um processo que avaliará os mecanismos existentes na OMS para dar respostas às emergências globais.

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A resolução pedirá também que o processo avalie o regulamento sanitário internacional, acordo fechado em 2009, que criou obrigações aos países, fazendo-os informar à OMS sobre eventuais surtos.

O texto será proposto pelo Brasil, Austrália, Chile, Colômbia, Japão, EUA, Rússia, Reino Unido entre outros.

Tedros Ghebreyesys, diretor-geral da OMS, usou seu primeiro discurso na assembleia anual, iniciada hoje (18), para anunciar que fará uma revisão dos trabalhos da agência. Mas não indicou quando. “Estamos dispostos a ser transparentes”, finalizou.

Com esperança de frear as críticas, Tedros disse: “Assim que possível, vamos começar uma avaliação independente e fazer recomendações para melhorar as respostas nacionais e internacionais”.

Sua proposta é de que, ao lado da OMS, governos também sejam examinados de forma regular e pede que países façam o necessário para superar a crise para que ela jamais volte a acontecer.

Na abertura da Assembleia Anual, o secretário-geral da ONU, António Guterres, admitiu a necessidade de uma revisão da entidade. Mas insistiu que esse não é o momento certo e que a prioridade deve ser vencer o vírus. Guterres disse que “A OMS é insubstituível”, em resposta aos ataques contra a entidade.

Trump

Em um ataque contra a OMS, o secretário de Saúde dos EUA, Alex Azar, alertou que a OMS precisa mudar “agora mesmo” e completou: “A OMS precisa mudar, ser mais transparente”. Sua declaração foi recebida como um alerta de que não irá esperar até o final da pandemia para exigir uma reforma da entidade.

“Precisamos ser francos: houve um fracasso da entidade em ter informação e isso custou muitas vidas”, disse o secretário, numa referência à demora da China em alertar a Organização Mundial da Saúde sobre a existência do vírus.

China

Xi Jinping, o ditador da China, se defendeu das críticas internacionais de que teria abafado os casos e indicou que reconhece a necessidade de uma investigação. Mas alertou que tal trabalho deve ser realizado em um segundo momento. Seu governo tentou impedir a entrada de uma equipe internacional para investigar a origem do vírus.

O chinês ainda reforçou sua aposta no multilateralismo e anunciou que vai destinar US$ 2 bilhões para ajudar o mundo a lidar com a pandemia.

Macron

Emmanuel Macron, presidente da França, defendeu uma “OMS forte”.

Angela Merkel

A presidente da Alemanha saiu em defesa da OMS, chamada pela chefe-de-governo como uma “entidade legitima”. Merkel afirma que o mundo precisa, primeiro, combater a pandemia, antes de pensar em outras medidas.

*Com informações do UOL