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Estudo do governo espanhol com mais de 60.000 pessoas mostra que exames sorológicos de trabalhadores essenciais (os que em teoria estão nas ruas) deram menos resultados positivos para COVID-19 que os de não essenciais (os que em tese ficaram confinados). Importante lembrar que na Espanha a quarentena foi séria e que a presença na rua sem motivos era impedida pela polícia. Além disso, é uma amostra muito representativa por ser um país com uma ciência epidemiológica muito boa e em que a doença se alastrou. Reparem que esse achado corrobora o que o democrata governador de NY Cuomo disse sobre números dos que viviam em casa e nos asilos mostrando maior mortalidade entre esses e menor nos que não respeitaram o lockdown. Detalhe, ele é da esquerda, oponente do Trump, no Brasil, seria chamado de comunista. A OMS também recentemente elogiou o modelo sueco e disse jamais ter sugerido lockdown. É mentira quem diz que o lockdown é sugerido pela OMS. Mas repetem isso diariamente parte da mídia e alguns ditos especialistas.

Como eu já mostrei em artigo recente (Isolamento horizontal eficaz no Brasil é impossível), ao meu ver, o isolamento horizontal no Brasil é impossível por diversos motivos, sendo os principais a pobreza e a violência. Mas é importante também avaliarmos a eficácia do isolamento horizontal já que os ditos especialistas bradam aos quatro ventos que está provado que o lockdown é a melhor estratégia e, mesmo se mostrando diversos exemplos contrários como o sueco e de países asiáticos, eles não conseguem enxergar nenhuma outra opção. Fazem até a comparação esdrúxula de comparar o número de mortes da Suécia com o de outros países nórdicos se “esquecendo” que a grande vantagem teórica do isolamento vertical é exatamente o menor número de mortes a longo prazo, ou seja, impossível de ser aferido agora. É desconhecimento ou má-fé? Eu defendo o isolamento vertical com distanciamento social rigorosos. Não é simples fazer isso. Confinar cerca de 25% da população por um período indeterminado demanda além de vontade política, conhecimento, embasamento, verbas e enorme capacidade de articulação. Espero que o novo ministro consiga isso já que essa é a determinação do presidente.

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É fato que os negacionistas que só conseguem defender o lockdown vão arrumar dezenas de defeitos nesse estudo e certamente existem mesmo. Um deles é que o lockdown lá foi feito quando o vírus já estava nas ruas, nas casas. Mas aqui também já está. Vai se confinar doentes com sadios. Aliás, o vírus entrou no Brasil em janeiro. O carnaval foi um caldeirão do vírus liberado pelo MS da época. Outro ponto seria que trabalhadores essenciais em tese podem ser mais bem informados e se protegerem melhor. Outro ponto é que se mais gente sair de casa, mais pessoas poderão contaminar quem ficou em casa. Por isso eu defendo um isolamento vertical rigoroso. Quem sair não pode ter contato com idosos e com morbidades. E é preciso seriedade para se elaborar isso. Outro ponto que podemos destacar é que não é possível saber quem se contaminou antes ou depois do lockdown já que o exame sorológico avalia infecção passada. Olhem como eu ajo diferente dos radicais do lockdown. Alguém já viu algum deles mostrando poréns de suas teses?! Mas a questão aqui é outra: onde estão os estudos que provam a eficácia do isolamento horizontal a longo prazo?! Eles simplesmente não mostram! Vieram com uns estudos de mais de 100 anos atrás da gripe espanhola que não se tem como de forma alguma se avaliar o rigor científico. A UNICEF essa semana previu a morte de milhões de crianças em um ano só por efeitos da crise econômica. O governador de Minas Gerais já disse que não terá dinheiro para pagar salários aos servidores já no próximo mês. Nunca podemos esquecer que os especialistas que defendem o lockdown são em sua enorme maioria funcionários públicos com emprego garantido e geladeira cheia. Eu espero que a mídia debata esse estudo como ele merece. A ciência ainda não tem a melhor forma de lidar com essa pandemia. Estamos aprendendo juntos e com o tempo. Ouvir o contraditório é fundamental para não deixar o efeito de manada destruir milhões de vidas.

Trecho da tabela. Ver página 8 do estudo.

Confira o estudo espanhol na íntegra.

 

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