Por que a esquerda ainda é tão forte no Nordeste – Parte 2

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Eúde, fazendo para si um punhal de dois gumes, dum côvado de comprido, cingiu-o debaixo do vestido à sua coxa direita.”
(Juízes 3:16)

 

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Fiquei feliz em saber que a Parte 1 desta matéria gerou um grande engajamento nos leitores dos Estudos Nacionais. Muita gente se interessou por conhecer um pouco mais sobre o Nordeste; curtindo, comentando e compartilhando o link nas redes sociais. Mas algo me preocupou…

Eu fiz esta matéria parcelada exatamente para ter uma noção do que as pessoas pensavam a respeito desta região. Quando você já está acostumado com a rotina do lugar, acaba esquecendo qual a aparência que ele apresenta aos recém-chegados. Muito embora as 3 partes deste estudo já estivessem estruturadas em rascunho, o retorno do público me daria as referências adicionais para ser assertivo nesta rara oportunidade de jogar uma luz sobre esta região tão estratégica.

Para a minha surpresa, muitos expressaram opiniões rasas e pessimistas sobre a possibilidade de avanços da direita por aqui. Isto deixou evidente que muitos leram apenas a manchete e já correram para opinar, sem ler a matéria para entender o que está acontecendo nesta área crucial em um ano de eleições municipais. Espero que não percam esta ocasião para ler tudo o que puderem, sem hora para parar, como passeio com mulher bonita. Lembrem-se que virar as eleições no Nordeste do Brasil, centro de resistência da oposição, é garantir a vitória para a direita em 2022.

A situação do povo nordestino e as narrativas socialistas

É bem verdade o que todos pensam sobre a pobreza no interior do Nordeste. A seca aqui é um flagelo que o resto do país desconhece. A base da nossa economia é tão rachada quanto o barro esturricado; e a dependência de chuvas ainda é muito grande. Por falar em chuvas, mesmo quando o Nordeste é abençoado com uma boa precipitação, a água encontra uma infraestrutura que não espera grandes volumes, e, não raro, o prejuízo trazido pelas chuvas é maior do que o resultado da plantação.

Os que passam algum tempo visitando o semiárido nordestino e participando das enxadadas sobre a terra quente não conseguem imaginar porque ainda tem gente morando por aqui. Eu explico: tudo o que falta para o nordestino na vida material, exterior, ele compensa com uma enorme riqueza na vida emocional, interior. O seu falar cantado, os apelidos engraçados, a fé, a poesia, o forró e os causos, fazem a terapia que floresce o seu coração mesmo no pior dos mormaços.

Diante do cenário de constante ameaça à sobrevivência e de uma vida emocional rica em prazeres, a bela propaganda da dependência estatal salvadora é sempre bem recebida. Não é à toa que a esquerda em todo o mundo é especialista em cultura: ela é o único salário para as massas que os ditadores têm para oferecer em troca de sua exploração. A única virtude dos cafajestes é sempre conseguir dizer exatamente as palavras românticas que a dominada quer ouvir.

Mesmo ciente dos horrores comunistas, o povo nordestino já não tem medo da ameaça vermelha em nosso país. Aqui, as pessoas aprenderam a aceitar o coronelismo e simplesmente não acreditam que as coisas possam piorar. Como diria o Tiririca: “pior do que está, não fica”.

Agora, adicione a este ambiente a mensagem da direita. A direita fala em Estado mínimo. O que as pessoas pensam? “Eu não vou mais ter garantias de sobrevivência”. A direita começa a mostrar os horrores da falta de segurança, resultantes da bandidolatria da esquerda. O que as pessoas pensam? “Nem sossego no juízo eu posso ter com esta gente!”.

O que não poderia piorar acaba de ficar pior, graças à direita. As pessoas, além de achar que vão perder o pão, perdem logo de cara o circo que lhes consolava desde os tempos mais remotos. O medo das armas e da fome se misturam na cabeça e pisoteiam o seu jardim emocional cultivado com tanto afinco. É um desastre!

 

Complementos para a mensagem de direita e desenvolvimento cultural

Imagem que circulou nas redes sociais durante o 2º turno da campanha presidencial de 2018 (autoria desconhecida).

É bem verdade que a esquerda está em guerra contra o Brasil. A direita já sabe disto. E é preciso, de fato, retornar fogo. A mensagem agressiva da direita contra a esquerda funciona para a maior parte do país e, por isto, ela não deve ser removida ou substituída. Mas ela pode, para atender a demanda específica do Nordeste, ser complementada com uma mensagem diferente.

O problema que aponto aqui é que a direita está focada demais em destruir a esquerda e está esquecendo de defender a si própria. Está, em toda oportunidade, demonstrando seu ódio aos comunistas mas esquecendo de mostrar qual seria a sua alternativa. E aqui, no Nordeste, os ativistas sentem de maneira mais clara este contraste.

Os partidos de direita não têm nenhum sistema de suporte contra perseguições políticas sobre esses ativistas. Os debates acalorados entre amigos não passam de uma disputa para ver qual candidato errou mais e todos saem envergonhados da empreitada. Ninguém está ganhando nada com esta disputa além de desgaste – e a direita, que está com a faca e o queijo na mão, está perdendo um rio de oportunidades de criar um estilo de vida agradável para quem a defende.

A partir do momento que as pessoas vivem um estilo de vida que elas amam, qualquer um que ameace este estilo de vida vira um inimigo mortal, independente do argumento da oposição. Mas as pessoas aqui já não têm o mesmo estilo de vida que há no resto do país e a prova desta diferença vocês conheceram em 2018. É preciso criar pontes para que, aos poucos, as pessoas experimentem o outro lado.

Eu enumerei algumas destas pontes abaixo que poderão servir de modelo para a criação de outras. Estes itens são ideias e não dogmas. São o que os empresários chamam de “brainstorming” – existem para ventilar a tua mente e não para a aprisionar. Vejamos:

-Luta de classes: a esquerda passou a vida inteira promovendo a vingança e a luta de classes. O crime de lesa-pátria é muito alardeado na direita mas dificilmente ela atinge o outro lado do conflito – isto é, a promoção de uma “união de classes”.

Se o feminismo radical, por exemplo, tenta separar o homem e a mulher, a direita pode se apresentar auxiliando a família; ensinando, neste caso, o perdão para sanar o ressentimento típico das relações duradouras. Este exemplo seria suficiente para demonstrar a deficiência de assistência para aquilo que defendemos na direita… mas vamos ver mais alguns.

-Economia: É justo que a direita ataque as loucuras econômicas de Marx e as propostas de canetadas no SPC de Ciro mas isto não é o bastante. É preciso também ensinar economia doméstica para que as pessoas não gastem mais do que ganham e para que elas usem a sua poupança para investir no aumento dos seus ganhos. Assim, elas conhecerão na prática os reais fundamentos da economia e não precisarão da canetada de ninguém.

-Segurança: A direita tem mostrado constantemente que o desarmamento da população é uma medida ditatorial e tem falado muito em legítima defesa. Isto é muito bom, mas tudo o que algumas pessoas conseguem ver é violência. Então, para que a mensagem entre nas frestas deste obstáculo, ela tem que dar a volta e entrar no campo da diversão.

Mostrar pessoas praticando artes marciais clássicas, envolvidos em caçadas emocionantes, com coleções bonitas de armas antigas, brincando relaxadas no clube de tiro no fim de semana, treinando para competições de tiro esportivo (até crianças participam de tais competições nos EUA e na Rússia), jogando em simuladores (video games) – tudo o que faça a pessoa se sentir responsável por sua segurança sem falar diretamente nisto.

-Política: Temos criticado os roubos e a ineficácia da esquerda na administração da máquina pública. Isto pode até funcionar, mas normalmente estimula os ativistas a apenas cobrar os políticos que não dão a mínima para eles e nada concreto sai do papel. É preciso também mostrar às pessoas como elas podem intervir diretamente nas causas de seu interesse sem passar pelos políticos.

Explico: digamos que em sua cidade existe um problema de animais soltos na rua. Eles atrapalham o trânsito, estão cheios de doenças, defecam por toda parte, incomodam os restaurantes, estão feridos, abandonados, etc. Todos reclamam do problema mas os políticos não fazem nada. Então um punhado de amantes dos animais e ativistas de qualquer ordem pode montar uma associação para cuidar desta questão sem pedir a benção de político nenhum. Esta medida vai formar lideranças que vão cuidar daquele lugar sem a necessidade de aumento de impostos e de forma descentralizada – exatamente o modelo social que a direita tanto sonha.

Nenhum país pode ser de fato livre se os políticos são responsáveis por todos os aspectos da vida das pessoas. Este é o segredo dos americanos – quando eles ganham um prêmio na loteria, ou ganham muito dinheiro de uma forma geral, eles doam tudo para a caridade, para que ela faça diretamente o trabalho que os políticos demorariam décadas para fazer e ainda por cima explorando o povo.

-Religião: Ao invés de apenas reclamar que o ópio é a religião das massas, é preciso fazer com que a religião seja o ópio das massas novamente. O Brasil é o maior consumidor de crack do mundo e o maior bilionário que temos em nosso país é dono de uma indústria de bebidas. No entanto, você não ouve nos debates presidenciais quais são as propostas que os candidatos têm para resolver o problema do vazio existencial brasileiro e o alto consumo de drogas resultante.

Depois que Marx denunciou a religião como se ela fosse uma droga, as pessoas pararam de fazer as suas orações, de cantar os seus louvores, de conhecer a sabedoria milenar das Escrituras e de pensar em vida eterna. Elas passaram a usar alucinógenos de verdade e a solução, como em tudo na vida revolucionária, se tornou pior do que o “problema”.

Para a direita, esta não só é uma questão humanitária, mas também política, já que os viciados normalmente votam nos vermelhos, pelas mais variadas razões.

-Artes: A esquerda está inundando as artes com mensagens lixosas. Todos percebem isto, especialmente quando olham para a tal “arte moderna”. É preciso continuar a denunciá-las mas também é preciso fazer listas com recomendações para o consumo dos seus correligionários. Assim, eles não terão a dor de cabeça de esbarrar em alguma narrativa subversiva. Por mais que a produção artística da direita ainda seja amadora e insuficiente, é possível manter os amigos abastecidos enquanto esta produção melhora.

A questão artística é bem óbvia e importante, mas eu não vi ainda nenhuma iniciativa séria no sentido de criar zonas seguras. Boa parte da direita está presa em atualidades, na notícia do dia, e a esquerda, que já tem sua constelação de referências pronta, se aproveita disto para aumentar o caos e deixar a mente do inimigo sempre mais confusa e exausta (pesquise por “arenque vermelho”).

A civilização, ou seja, a organização da sociedade, só é possível se ela tiver indivíduos organizados. O indivíduo, por sua vez, só é organizado se conseguir acalmar os seus instintos mais banais e elevar o seu pensamento. E ele consegue elevar rapidamente o pensamento através do contato com a beleza, com a sabedoria milenar, com a inspiração divina.

A direita nunca vai conseguir restaurar a civilização ou orquestrar operações devidamente sem este elemento. Então não deixe as artes por último, pois elas dão saúde mental aos adultos e formam novas gerações de jovens aliados para o seu time!

-Através de conversas mais ricas e de um ambiente interno mais agradável, será possível mover a janela de Overton para o nosso lado com mais fluidez, mesmo no ambiente hostil do Nordeste.

Uma carta na manga contra a seca

Uma nova mensagem da direita é algo da mais alta importância para o seu avanço no país. Mas esta não é a única arma para alcançar a vitória. Para tirar uma mulher dos braços de um cafajeste de lábia venenosa, não basta só palavras e rodeios. É preciso ter garantias. É preciso provar que ela vai prosperar para sempre ao teu lado!

Na verdade, esta prova já existe e é chamada de “Barramento Base Zero”. O Base Zero é um conceito de tecnologia criado por um engenheiro mecânico do sertão de Pernambuco. Ele consiste em uma forma de armazenar rios inteiros no subsolo de forma barata e sem consumo de energia, evitando a evaporação da água que gera o prejuízo econômico e a desertificação. Os reservatórios podem ser usados especialmente para a irrigação e eles resistem a anos de seca! Este engenheiro, inclusive, criticou a transposição do rio São Francisco feita por Lula enquanto ela ainda estava no papel, que divergia muito do sistema feito por ele…

Mais detalhes sobre este assunto podem ser obtidos na reportagem do programa Expedições, da TV Diário, sobre o Base Zero. Indisponível no site oficial, o vídeo pode ser visto no próprio canal do engenheiro no Youtube, clicando aqui. A criatividade do brasileiro é uma força incontrolável da natureza que infelizmente ainda não é valorizada. Inclusive, peço aos leitores que façam backups das informações deste engenheiro, que não sabemos por quanto tempo ficarão no ar sem ser apagadas pela seita vermelha.

Os políticos de esquerda no Nordeste estão abafando a possibilidade deste projeto sair do papel porque ele é uma solução definitiva – e não mais paliativa – para o problema da pobreza em nossa terra. Caso a direita comece a defender este projeto, a esquerda será obrigada a ficar contra a água para o povo. E, garanto, nem a dinastia mais tradicional de coronéis da caatinga resistiria a esta infâmia em sua testa! Ficar contra a água no Nordeste é suicídio político irreversível e uma armadilha que não deixaria passar um fanático sequer!

Conclusão

O que vocês estão esperando para salvar este lugar?! Não desanimem com a dificuldade em conquistar o Nordeste. O nordestino tem tudo para ser o “texano” do Brasil, desde que se consiga montar uma mensagem e um programa político personalizados para ele, em algum ramo de vosso aparato partidário.

Nunca se esqueçam também que é importante manter a pressão e denunciar os psicopatas comunistas, mas também é importante não desnutrir os direitistas no processo. O custo pode sair mais alto do que o benefício. Mantenham o ferrão levantado, mas não se esqueçam de manter alguém fazendo o mel. “Tá ok”?

Até a próxima!

(A Parte 3 sai na próxima semana. Não percam!!!)

 

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