Imprensa precisa rever seus procedimentos nesta pandemia, alerta Mourão

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“Opiniões distintas, contrárias e favoráveis ao governo, tanto sobre o isolamento como a retomada da economia, enfim, sobre o enfrentamento da crise, devem ter o mesmo espaço nos principais veículos de comunicação”, alerta o vice-presidente Hamilton Mourão, em artigo publicado no Estadão, que também pode ser lido no site do Planalto.

“Sem isso teremos descrédito e reação, deteriorando-se o ambiente de convivência e tolerância que deve vigorar numa democracia”, pontua.

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O alerta de Mourão foca nas ameaças graves à democracia, o que até mesmo a partir de sua postura de pretensa neutralidade, advinda da ideologia positivista típica dos setores militares, não pode negar diante da atual crise democrática. Tal crise é pontuada pelo vice-presidente como resultado, não da polarização entre dois radicalismos, como se costuma ler nos jornais, mas de um único e perigoso radicalismo manifesto na imprensa, judiciário e oposição política.

Mourão chama a atenção para a grande crise institucional que a pandemia trouxe, classificando a harmonia entre os poderes, especialmente quanto à recente usurpação das prerrogativas do Poder Executivo, como uma “regra estilhaçada no Brasil de hoje pela profusão de decisões de presidentes de outros Poderes”.

O general centra pontaria nos ministros do Supremo e seu ativismo, assim como aos governadores, cujo entendimento de federalismo parece necessitar da lembrança de obras básicas sobre política republicana. Mourão recorda trechos da coletânea O Federalista, documento de John Jay, influente na formação da Constituição norte-americana de 1787.

Contra as recentes insurgências revolucionárias de governadores brasileiros, o vice-presidente recorda também das palavras do ex-ministro do interior e do STF de 1899 em sua afirmação bastante atual de que “muitos Estados da Federação, ou não compreenderam bem o seu papel neste regime político, ou, então, têm procedido sem bastante boa fé”.

Com isso, Mourão expõe uma chaga da política republicana que já vem de longe, o que ele considera que pode custar caro ao país.

Em uma concessão à linguagem politicamente correta dos jornais, Mourão a utiliza para descrever um fato inegável da opinião pública atual, ao dizer que “se radicaliza por tudo, a começar pela opinião, que no Brasil corre o risco de ser judicializada, sempre pelo mesmo viés”.

Apesar do aparente clichê tipicamente positivista da busca por uma neutralidade, o fato ao qual Mourão tenta lançar luz é o da hegemonia opinativa que domina a imprensa e oposição, utilizando-se de um judiciário igualmente aparelhado.