Conselho Regional de Medicina do RJ questiona plano de ação da Fiocruz no combate à pandemia

Lockdown, medidas que podem aumentar mortalidade e contágio, e até interesses de protagonismo políticos e midiáticos estão entre as críticas feitas pelo Cremerj ao plano da Fiocruz.

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Foto: Josué Damacena/IOC/Fiocruz.
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O Conselho Regional de Medicina do Rio de Janeiro (Cremerj), emitiu uma nota pública no dia 13/05 questionando medidas defendidas pela Fundação Oswaldo Cruz (Fiocruz) em seu plano de ação apresentado pela entidade ante o enfrentamento da pandemia covid-19.

Entre os pontos questionados no plano de ações da Fiocruz estão medidas que podem aumentar a mortalidade do covid-19, bem como o contágio da doença, na visão do Cremerj. A entidade médica questiona ainda, questões relacionadas ao formato de lockdown (quarentena) adotado, afirmando não haver comprovações científicas de sua eficácia e apresentar riscos de colapso do sistema econômico e de saúde por conta da crise que o lockdown poderá ocasionar.

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Confira a seguir nota do Cremerj na íntegra:

“O CREMERJ vem manifestar sua estranheza com um suposto plano de ação entabulado pela FIOCRUZ para o combate à pandemia da COVID-19 em comunidades. Embora se proponha a ser específico, é bastante superficial no conteúdo e não mostra como implementar a teoria na prática. Além de ter em seu interior falhas graves, que podem colocar em risco a população, os médicos e os profissionais de saúde se implementado como está. Está havendo uma busca de protagonismo e de aparecimento na mídia por parte de algumas instituições e médicos que, embora muitas vezes, digam representar os Médicos, não têm essa legitimidade. E, na maioria das vezes, com viés político nestas manifestações, podendo estar colocando em risco a população.

O documento supracitado propõe uso de teleatendimento à distância de suspeitos ou infectados sem mostrar como será feito e por quem. Isto é muito arriscado porque estamos notando que muitas pessoas morreram por terem sido orientadas a não procurarem atendimento Médico, salvo com sintomas graves. O documento também propõe que sejam construídos postos de atendimento Médico, no interior das comunidades. É preciso mostrar como será feita a segurança dos profissionais que lá trabalharão em áreas, muitas vezes, comandadas pelo tráfico e/ou milícias. Também propõe uso de escolas para confinarem doentes e suspeitos. Há dois problemas nesta questão: total falta de condições sanitárias para atender um paciente, que pode complicar muito rapidamente, e não ter as condições de atendimento necessárias (é bom lembrar que a Itália teve uma explosão de mortes por casos em asilos) e, ainda, o fato de se estar impedindo as crianças de voltarem a estudar tão logo possam. O provisório no Brasil, frequentemente, se torna permanente.

No item II-3, cita sindicatos médicos somente como interlocutores para a segurança médica. É importante lembrar que o órgão que normatiza a Medicina são os Conselhos regional e federal de Medicina.

Está dito que este documento será enviado para a prefeitura do Rio e para o governo do estado do Rio de Janeiro. O mesmo governo estadual que instituiu um conselho autointitulado de “notáveis” que fala, diuturnamente, em implantar o lockdown no estado, mesmo sem mostrar evidências irrefutáveis da sua eficácia e parecendo ignorar as milhares de mortes que esta medida poderá acarretar a longo prazo com a falência do estado, que se refletirá, brevemente, na falta de pagamento a Médicos, enfermeiros e falta de dinheiro para compra de insumos.

O CREMERJ que representa, legitimamente, por meio do voto e da legislação, os Médicos do estado do Rio de Janeiro exige ser consultado a cada medida que envolva a saúde da população e o trabalho dos Médicos. Já bastam as dezenas de Médicos mortos por falta de equipamentos de proteção no combate à pandemia. Não iremos ouvir e ver calados medidas feitas por burocratas em salas refrigeradas, que coloquem em risco a população e os Médicos.

É fundamental que haja um plano coordenado entre as três esferas de poder, para decidirmos a melhor forma de agir. Sabe-se que esta pandemia, provavelmente, levará muitos meses. E que este plano não seja baseado em busca de protagonismo eleitoral e de likes nas redes sociais.”

 

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