Criador de O Doutrinador aposta em nova geração de heróis nacionais

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Uma nova editora especializada em quadrinhos de heróis de carne e osso promete balançar o mercado do entretenimento no Brasil. Uma das razões para acreditar nisso é a aposta de alguém que alcançou grande sucesso com o primeiro herói brasileiro a ganhar as telas do cinema, da TV e virar um produto de exportação.

O quadrinista e roteirista, Luciano Cunha, criador do quadrinho brasileiro O Doutrinador, está apostando em um renascimento dos quadrinhos aqui no Brasil. Enquanto no resto do mundo os leitores diminuem, repelidos pelas adaptações ideológicas de clássicos dos quadrinhos, Luciano acredita ser possível restaurar o setor a partir justamente do resgate de tudo o que foi perdido no meio do caminho.

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“Acreditamos que histórias boas são histórias boas em qualquer parte do mundo, ou seja, não precisam de lacração ou panfletagem para serem admiradas e aceitas”, diz Luciano.

Luciano capitaneou uma parceria com sócios investidores e se tornou editor da Super Prumo, editora que traz a mesma marca que fez o sucesso do Doutrinador: personagens bem brasileiros, mas com um apelo universal para agradar fãs de cultura pop de qualquer país.

“Tive muito cuidado em escolher esses novos personagens e essas novas tramas”, diz Luciano. “A ideia era criar uma editora onde as histórias fossem contadas a partir da força de seus protagonistas e tramas e não de narrativas exteriores influenciadas por agendas políticas”.

São 12 novos personagens que serão lançados. Antes disso, porém, a grande novidade é uma novíssima história do Doutrinador, intitulada Vírus Vermelho, que “traz a problemática de patentes farmacêuticas importantes estarem nas mãos das empresas de Bill Gates”, explica.

As tramas de O Doutrinador contam a história de um agente de forças especiais determinado a acabar com a corrupção de uma forma radical: caçando corruptos de todos os matizes ideológicos. O personagem chacoalhou as redes sociais em 2013, ano dos protestos inaugural de um processo de conscientização política nacional que culminou nas eleições presidenciais de 2018. A revista virou um dos quadrinhos mais populares dos últimos cinco anos, no Brasil, ganhando uma adaptação para o cinema, em 2018, dez anos após a criação do personagem. O Doutrinador ganhou também a sua versão para a TV, pelo canal Turner e Space.

Depois de conquistar o mundo, com resenhas elogiosas em vários países como EUA, Inglaterra, Portugal e Argentina, as cinco edições da revista se esgotaram no Brasil, catapultando o personagem para virar o primeiro super-herói do cinema nacional.

É a partir do sucesso alcançado com O Doutrinador que Luciano aposta em uma nova onda de heróis que encarnem o Brasil de maneira autêntica. Leia abaixo, a entrevista completa.

EN: Como surgiu a ideia da Super Prumo? O que inspirou a realizá-la?

Luciano Cunha: A ideia era criar uma editora onde as histórias fossem contadas a partir da força de seus protagonistas e tramas e não de narrativas exteriores influenciadas por agendas políticas. Basicamente, acreditamos que histórias boas são histórias boas em qualquer parte do mundo, ou seja, não precisam de lacração ou panfletagem para serem admiradas e aceitas.

EN: Quais os principais desafios do setor no Brasil e no mundo, aos quais a editora pretende oferecer uma resposta?

LC: No Brasil, o principal desafio ainda é a distribuição. Somos um país gigantesco, com poucas livrarias e quase nenhuma comic shop. Nos resta o e-commerce, que também tem suas especificidades. Vencer o preconceito contra o produto brasileiro também é outra missão. Apesar de inúmeros artistas brasileiros desenharem para as editoras americanas, nossos produtos ainda enfrentam aquele “ar de desprezo” do leitor. Nossa resposta é sempre nos cercar dos melhores talentos possíveis.

EN: Os jornais hoje falam em “polarização política”. Você acha este diagnóstico correto ou é mais uma narrativa?

LC: É engraçado isso. A polarização só existe porque o “outro lado” acordou e resolver falar. Só isso. Uma pesquisa do Ibope de 2016 mostra claramente que quase 80% da população brasileira é conservadora. É tão simples comprovar isso. Mas para a mídia, as universidades, artistas e sindicatos, até 10 anos atrás era uma maravilha, pois falavam sozinhos, não havia contraditório. A polarização que tanto falam e odeiam é simplesmente o fim do discurso único e a existência de um debate. Isso é mais do que saudável numa democracia, mas para a esquerda isso é o fim dos tempos. Sempre foram e sempre serão autoritários.

EN: O Doutrinador tem um simbolismo importante no contexto de certa conscientização política no Brasil, a partir de 2013. Como você acha que a editora vai se encaixar no ambiente atual?

LC: O Doutrinador vai internacionalizar suas ações. Temos contatos com editoras estrangeiras que querem ver um tema universal, global. O filme estreou bem no Japão e na Coréia do Sul, estou conversando com agentes americanos. A ideia é torná-lo uma marca multiplataforma global. Vem uma animação por aí. É um desafio e tanto, mas vamos atrás dele.

EN: A politização (de esquerda) tem sido um problema para os quadrinhos nos EUA, fazendo perder leitores. Qual seria a solução para isso?

LC: Despedir todos os atuais editores! (Risos). Converso quase que semanalmente com um artista de quadrinhos conservador americano, que já trabalhou para Marvel e DC, ele me diz que a impressão lá é que ” A Marvel quer morrer”. É uma expressão forte, né? Mas é uma realidade: nunca seus heróis foram tão consumidos no mundo todo por causa de seu universo cinemático e nunca os quadrinhos venderam tão pouco. A agenda progressista que a diretora Sana Amanat e seus comandados tentam enfiar guela abaixo dos leitores afugenta os antigos colecionadores e atrai pouquíssimos novos fãs. A coisa degringolou de tal forma que até mesmo o último lançamento, The New Warriors, virou piada entre o próprio público alvo, com um herói chamado Screentime, um adolescente que produz memes e pode conectar seu cérebro à internet graças a um “gás experimental da internet” e o Snowflake (isso mesmo!), que não é binário e pode criar “shurikens em forma de flocos de neve”. Quem quer ler uma coisa dessas?

EN: Como tem sido a aceitação internacional do Doutrinador?

LC: No Japão e Coréia do Sul a recepção ao filme foi ótima, colhi inúmeros elogios em sites especializados em cinema de lá. O filme também foi a primeira produção latina a ser convidada a participar da Semana Internacional de Filmes de Ação idealizada pelo astro Jackie Chan. Isso me orgulha muito.

EN: Por fim, quais são os próximos projetos da Super Prumo e do Doutrinador?

LC: Temos cerca de 12 personagens para lançar, então há uma longa agenda a seguir. Os primeiros serão: a nova aventura do Doutrinador, Vírus Vermelho, que traz a problemática de patentes farmacêuticas importantes estarem nas mãos das empresas de Bill Gates; o papel da ONU e da OTAN; traz nossa corrupção endêmica explorando um momento grave para o mundo; e, claro, o mistério da origem do covid-19 ligado aos planos do Partido Comunista Chinês. Temos o Tenente Bravo, que será o maior resgate histórico sobre a participação brasileira na Segunda Guerra Mundial já feita em quadrinhos nacionais. Ainda teremos outros personagens históricos, como João Ramalho, que de náufrago e proscrito se tornou um dos fundadores da cidade de São Paulo e Graúna, o primeiro negro a se tornra coronel no Brasil. Mas também teremos todos os gêneros: ficção científica com O Peregrino; distopias catastróficas com Hecatombe; mangás com temática bem brasileira como A lenda de Bóia e até infantil, com o Lobito, um pequeno lobo guará que foge da extinção ajudado por nossas lendas folclóricas Saci e Curupira. Nossa missão é essa: valorizar o talento do artista brasileiro e a absoluta riqueza do nosso folclore, nossos heróis e nossos temas nacionais. Obrigado pelo espaço e convoco a todos que gostaram da entrevista a nos seguir em nossas redes: www.facebook.com/superprumo e www.instagram.com/superprumo.

Quais são as histórias que vêm por aí

Nova aventura do Doutrinador (já em produção): Doutrinador – O Vírus Vermelho. Aproveitando este momento único da história da humanidade, o Doutrinador vai internacionalizar sua atuação ao investigar o avanço chinês na geopolítica mundial através de muita coerção, dinheiro, espionagem e bioterrorismo. Mais uma trama polêmica, coisa natural para o autor e seu principal personagem.

Tenente Bravo. Essa HQ promete ser a maior reconstituição histórica da participação brasileira na Segunda Guerra Mundial. Um belo e minucioso estudo feito pelo também roteirista e parceiro Carlos Ewald para trazer em detalhes a campanha dos nossos “cobra fumantes” na gelada Itália tomada pelo nazifascismo.

Marajó dos Reis. Norato dos Reis é filho de Juraci dos Reis, Régio da Soberania de Soure, no Marajó, Brasil colonial. Ainda recém-nascido, seu invejoso tio Tenório dos Reis trama contra seu pai, usurpando seu lugar e exilando-o da Soberania, passando a família a viver na pobreza. Contra a bruxaria e maldade do tio, Norato cresce e vive histórias dignas do mítico personagem Conan, o Bárbaro, tendo como cenário nosso Brasil Colônia e um
dos estados mais místicos e repleto de lendas, o Pará. Uma aula de história em ritmo de aventura e até terror!

João Ramalho. Numa das sagas mais fantásticas já vividas por um homem branco em nosso território, a trajetória de João Ramalho por si só já renderia um épico filme de aventura. Português de origem obscura, náufrago, viveu entre os índios por décadas, foi proscrito pela igreja, se tornou bandeirante, vereador e foi um dos fundadores da cidade de São Paulo. Grande guerreiro, há inúmeras lendas sobre os feitos de João Ramalho. Sua vida singular é uma HQ de tirar o fôlego.

Hecatombe. O ano é 2076 e o mundo está em colapso: além do aquecimento global, guerras biológicas tornaram a disponibilidade de água potável cada vez mais reduzida no mundo, trazendo escassez hídrica total ou parcial. A pressão da China e EUA aumentam sobre o Brasil, Paraguai, Argentina e Uruguai, países até então parceiros no Aquífero Guarani, a segunda maior fonte de água doce subterrânea do planeta. Traído pelo país sócio, sob muita espionagem e corrupção, o Brasil acaba entrando em sua segunda guerra contra o Paraguai. Os paraguaios covardemente envenenam os reservatórios de água, atingindo fortemente a região centro-sudoeste do Brasil. Um grupo nada harmonioso, composto por um fazendeiro cabeça-dura, sua neta adolescente paranormal e dois mercenários rebeldes, estão juntos à procura de água e ocupação. Além de enfrentar a polícia brasileira, soldados paraguaios e mercenários de ambos os lados, eles terão muito trabalho com inimigos nada comuns: animais selvagens que sofreram mutações pela
contaminação da água e do solo.

 

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