A estratégia política da censura: uma reflexão sobre as acusações de Joice Hasselmann

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Foto: Valter Campanato.
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Táticas oportunas e, à primeira vista, inofensivas, sempre foram utilizadas no jogo político. Algo que sempre pairou no imaginário popular é a máxima de que “políticos mentem” seja para alcançarem seus interesses dentro da carreira pública, ou para seduzir e angariar eleitorado.

Contudo, o cidadão comum é assegurado pela Constituição Federal de 88 no Capítulo V, artigo 220 da: “manifestação do pensamento, a criação, a expressão e a informação, sob qualquer forma, processo ou veículo não sofrerão qualquer restrição”. Complementado no inciso 1º de que: “nenhuma lei conterá dispositivo que possa constituir embaraço à plena liberdade de informação jornalística em qualquer veículo de comunicação social”.

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Vale a reflexão: a partir do momento em que um indivíduo exerce um cargo público, seja ele diretamente (através do voto popular) ou indiretamente (através de nomeação para assessorias políticas), ele não perderá – ou não deveria perder – suas garantias, e acabar se tornando uma “não-pessoa”?

Quando emergiu a CPMI das Fakenews, apelidada por internautas por “CPMI do memes”, o que foi visto, foi uma tentativa de calar opositores e incentivar coercivamente que estes renunciassem seus direitos fundamentais de livre expressão. Criminalizar o funcionário público de opinar! Essa estratégia deveria, no mínimo, levantar dúvidas e nos fazer reconsiderar o quanto a máquina pública tem sido usada para fins contrários, não somente à vontade popular, mas para garantir uma falsa sensação de segurança para a sociedade.

A narrativa criada de um “Gabinete do ódio” não foge deste tema, quando um parlamentar se manifesta contra o governo e é iniciada nas redes sociais uma “política de cancelamento” contra ele, esses mesmos parlamentares, associados à oposição, criam a narrativas cooptadas pelo establishment. Ao final, o circo político é armado! Inflam em comum acordo a narrativa para se protegerem do que mais lhes causa horror: críticas.

Como ilustração, é cabido exemplificar com o vazamento de um áudio atribuído à Deputada Federal sobre a criação de perfis falsos “para serem usados em sua defesa”, nesta terça-feira (28). No áudio, a pessoa que supostamente seria Joice Hasselmann solicitou ajuda para a criação de perfis a fim de promover “contra-ataques” a adversários políticos.

Na fala, pode-se ouvir o seguinte:

Acabei de chegar em São Paulo, cheguei há pouco para umas entrevistas, mas podia falar com a turma aí para fazer vários perfis e entrar de sola no Twitter especialmente, Instagram, porque eles estão botando todas as milícias lá e os robôs para cima de mim, entendeu?”

Segundo o portal de notícias Terça Livre, o áudio viralizado nas redes teria vindo do R7 Planalto. Nas redes, Joice admitiu a criação de perfis “oficiais”: “Solicitei, SIM, a criação de perfis oficiais para esclarecer as fakes que me atacam. “EquipeJH”, “VerdadeJH” e mais alguns atrelados ao meu perfil oficial. É piada me criticarem por solicitar a criação de perfis verdadeiros e não fakes para me defender e não para atacar ninguém.”

Além de ironizar, também proferiu uma série de ataques a imprensa independente, ao Presidente da República e a toda a sorte de pessoas comuns que ousaram atacar sua moral e a legalidade de seus atos controversos.

Joice Hasselmann afirmou que “as milícias digitais tem o coração dentro do Planalto”, faz ilações sobre “gente que recebe dinheiro público para forjar dissiês e destruir reputações”. Defende-se dizendo que o áudio vazado “não tem absolutamente nada de ilegal ou de imoral”.

Em entrevista para a CNN Brasil, a deputada fez ilações que ligariam o Presidente da República diretamente à atos ilícitos, sugerindo pagamentos com “verbas públicas” para financiar a destruição de uma reputação que, somente ela, crê que ainda possui para zelar.

No Twitter, Joice segue com acusações graves, baseada na narrativa plantada na CPMI afirma que “funcionários públicos de gabinetes dos bolsonaristas” e, agora também, “de dentro do Palácio do Planalto” usam perfis falsos e robôs. Complementa proferindo ataque direto à Polícia Federal, ironizando: “está sendo politizada” (referência às denúncias sem provas do ex-Ministro da Justiça, Sérgio Moro) e ao Presidente da República: “Jair Messias Bolsonaro é o Capitão do Gabinete do Ódio”.

Os ataques de Joice repercutem mal nas redes sociais que levantaram a tag “#GabineteDaPeppa”, mantendo-a como o assunto mais comentado desta terça (28). E isso só é possível não pela ação de robôs, mas de cidadãos inconformados com um discurso que “se virou contra o feiticeiro”, conforme comentado pela Deputada Federal Bia Kicis.

Se a tentativa dos inimigos do governo for para calar e criminalizar a livre manifestação da opinião e do pensamento, vale repensar qual é o tipo de sociedade que desejamos, mas sobretudo, que tipo de parlamentares ocuparão os próximos pleitos para que a sociedade continue liberta da censura.

 

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