Qual o principal erro dos que igualam bolsonaristas a petistas

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Volta e meia, reaparece o chamado equivalentismo ideológico, que iguala bolsonarismo ao petismo através de uma comparação que os iguala nos meios políticos. Há um erro estrutural, e principalmente moral, neste tipo de julgamento que, dada a hegemonia cultural da esquerda, somada à decadência educacional, poucos percebem. Isso faz com que seja necessária uma explicação muito clara e quase desenhada.

Mesmo que seus defensores não notem, o equivalentismo carrega a crença de que as causas ideológicas ou planos de poder do PT são moralmente idênticas às propostas de resistência ao domínio esquerdista por conservadores. O desejo de isonomia no julgamento representa o anseio por justiça. Neste caso, porém, tratar igualmente coisas diferentes é a primeira etapa para um encadeamento que resulta numa monstruosa injustiça.

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Ninguém exigiria de uma vítima de assalto o tratamento isonômico ao assaltante. Se o puder pegar pelas costas, melhor para o inocente, que é causa mais justa. Mas o erro do isentão é abstrair, na hora do julgamento, da realidade da existência de uma verdade e justiça objetivas impressas na própria situação, refugiando-se em cânones estipulados por algum código escrito, ao qual dá valor absoluto e superior de justiça institucional contra a própria situação de injustiça concreta.

O resultado é uma cruel inversão moral.

A partir destas inversões morais, fica fácil para o isentão concluir que: o fato do PT ter feito do ministério da justiça uma central de inteligência do Foro de São Paulo, por exemplo, não significa que conservadores tenham o direito de tentar interferir em nomeações pra tentar salvar o pouco de soberania que sobrou.

Mas será que quaisquer fins justificam quaisquer meios?

Muito além do clichê de que “os fins não justificam os meios”, sempre usada como frase-fim abstraindo o contexto, há na realidade situações concretas onde quaisquer meios são melhores do que os piores fins. Mas o isentão crê cegamente que os fins equivalem-se moralmente e não podem ser julgados, ao passo que os meios são a nossa única parte acessível da realidade, independente dos fins, que são todos iguais. Parecem que estudaram o idealista Kant, que vem por sua vez nos lembrar que o homem não tem acesso à realidade, mas apenas às suas aparências fenomênicas ou fórmulas válidas (se validadas por instituições evidentemente).

Mas o isentão nunca leu Kant. Ele apenas repete um automatismo que virou cultura no Brasil, especialmente nas classes mais estudadas que se pretendem guias morais da plebe rude do povão.

É claro que em situações óbvias e simples eles não caem nesse engodo. Mas precisando usar o senso de proporções, esse órgão atrofiado no corpo do isentão, cai feito um pato na esfera de ação do inimigo que tem justamente os piores fins.