Ministro da Defesa da China elogiou o massacre da Praça da Paz Celestial

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Por Renato Rabelo

O atual ministro da Defesa da China, o general Wei Fenghe [魏凤和], defendeu o Massacre da Praça da Paz Celestial em uma palestra promovida pelo Instituto Internacional de Estudos Estratégicos, em 2 de junho de 2019, em Singapura[1].

O massacre da Praça da Paz Celestial foi realizado pelo exército chinês em 1989 para suprimir um protesto pacífico de estudantes contra o regime, que acontecia inspirado pelos ventos das mudanças que derrubariam mais tarde naquele ano o muro de Berlim. As reformas econômicas do país, somadas à ampla inflação, corrupção e controle social, traziam consigo um sopro de transformações políticas que levou o Partido Comunista a decretar lei marcial e esquartejar os protestos do país pela força, para assegurar o seu poder. Muito embora os números oficiais ainda sejam segredo de Estado, estima-se que os mortos nos ataques chegaram a 2.600, o de feridos chegou a 10.000 e além incontáveis prisões políticas. A imprensa estrangeira foi expulsa do país e até hoje a China está entre os 10 países mais censuradores do mundo no ranking de liberdade de imprensa (atrás apenas da Eritreia, Coreia do Norte e Turcomenistão)[2]. A ajuda ocidental para a China, que antes sinalizava uma liberalização do regime e uma aliança contra a URSS, foi freada por um tempo, por causa da repercussão do banho de sangue deste evento.

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Porém, apesar destes fatos, Wei Fenghe defendeu em seu discurso que a repressão foi uma decisão correta e que a China ficou mais “estável” depois do 4 de junho. A “estabilidade” do silêncio sepulcral dos estudantes não incomodou a sua voz orgulhosa e sua expressão sorridente (vídeo nas fontes), pois certamente ele estava falando da paz trazida não ao povo chinês mas sim ao Partido Comunista[3].

Mais recentemente, em outubro de 2019, no Fórum Xiangshan, o ministro também ressaltou suas convicções a respeito da “reunificação” do território de Taiwan, dizendo que nenhuma força do mundo é capaz de impedir a unificação dos povos chineses[4]. Para entender o peso desta declaração, imagine o ministro da Defesa brasileiro falando em “reunificar” o Uruguai ao nosso território; ou, para usar um exemplo ainda mais famoso, lembre de quem fazia discursos sobre reunificar a Alemanha à Áustria ariana. Isto seria considerado de imediato, e com razão, agressivo e expansionista; duas características cada vez mais evidentes do Império Comunista da China.

No Brasil, é claro, poucos sabem que estas coisas estão acontecendo por lá, já que a nossa mídia estatal (ou “grande mídia”) se recusa há muito tempo a mostrar o que acontece de fato no Oriente. Que a cortina de silêncio e as máscaras caiam enquanto há tempo de nos salvar do mesmo fardo cruel que caiu sobre o povo chinês, não só naquele infame 4 de junho mas em todos os dias de suas vidas.

Fontes

[1] Disponível (em chinês) em: https://www.voachinese.com/a/china-defense-minister-tiananmen-justified/4942286.html.

[2] Disponível em: https://rsf.org/pt/classificacao%20.

[3] Disponível (em chinês e inglês) em: https://youtu.be/ozxKTILwl0k.

[4]  Disponível (em chinês e inglês) em: https://youtu.be/DgV5zONYJB8.