Quarentena foi precipitada e pode ter sido o maior “tiro no pé” ante a chegada do inverno

Quarentena das últimas semanas, especialmente na região Sul e Sudeste, poderá custar vidas humanas devido à decisões precipitadas de governadores e prefeitos.

6
Foto: Doraci de Souza. Parque no invenro de Curitiba.
Anúncio:

Já há quase três semanas em quarentena ampla com cidadãos isolados ainda em um clima de verão, decisões podem ocasionar atraso no pico epidemiológico e jogá-lo para o inverno, tornando a situação mais preocupante. A previsão do tempo para o Sul do país, por exemplo, mostra que o mês de abril terá em média 5 graus abaixo da temperatura média do período de quarentena e em maio o sul do Brasil registrará temperatura mais propícia a propagação do coronavírus e outras gripes como a influenza, que mata cerca de 7 a 8 mil pessoas a cada mês no inverno brasileiro. Ainda mais preocupante é o precedente e o padrão de decisões impensadas e o risco de decretação de outras quarentenas sub histeria e atitudes autoritárias de governadores e prefeitos.

A decisão mais acertada era não postergar o pico epidemiológico para o momento de menores temperaturas, alertaram alguns especialistas. A maior parte dos prefeitos e governadores só dão ouvidos para a grande mídia e a politicagem em torno da pandemia.

Anúncio:

Risco de co-infecção no inverno é maior

Duas variáveis podem agravar o problema na região Sul e Sudeste durante o inverno: a confusão com outras gripes e as co-infecções do vírus chinês com outros tipos de gripes como a influenza (H1N1 e variantes).

A partir de abril e maio, estatística do Ministério da Saúde mostra que mortes por influenza, gripe e pneumonia aumentam 15 a 30%.

Pacientes poderão enfrentar infecção por influenza junto com coronavírus, aumentando o risco de complicações e morte, esse risco foi confirmado com médicos da área da gestão de saúde pública.

Parte do sistema de saúde ficará ocioso nesta quarentena contra o coronavírus durante o verão, com vagas sobrando em Unidades de Terapia Intensiva (UTIs) e também leitos, mas como iremos lidar com um inverno nas regiões Sul e Sudeste, onde já registramos mais de 31 mil óbitos por influenza, gripe e pneumonia entre maio e agosto de 2018? Quantos casos de co-infecção teremos entre influenza e covid-19?