As três espécies que querem derrubar Bolsonaro durante a pandemia

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Filipe Barros
Deputado federal

Tempos de crise são perfeitas para seduzir os mais inocentes com discursos de união, como se as diferenças ideológicas e filosóficas que determinam a forma de pensar e viver de tantos agentes políticos, de repente, ficassem suspensas, deixando de influenciar suas ações, intenções ou estratégias. Isso é uma ilusão muito útil especialmente à esquerda política, que não compartilha dos mesmos padrões morais de pessoas comuns, mas se aproveita do sentimento de sobrevivência coletiva para atingir o objetivo que, em suas mentes perturbadas, suplanta todos os outros: chegar ao poder.

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Movimentos recentes de grupos que estão na linha de frente dessa guerra revelam, até aqui, pelo menos três espécies da fauna política e social que tentam tirar Bolsonaro da presidência, sem precisar de eleições. O primeiro é mais evidente e grosseiro nos modos. Sua raiz está no marxismo primitivo, o da revolução pelo caos. Exige pouca inteligência e muita massa de manobra disposta a promover vandalismos, saques em supermercados, generalizar a violência nas ruas, queimar pneus em estradas, invadir propriedades. É para essa forma animalesca de golpe que são cooptados jovens delinquentes, sem sentido de vida.

Há, porém, outro tipo de golpista muito ativo durante a pandemia, que, na aparência, é diretamente oposto aos arruaceiros iletrados, mas compartilham do mesmo objetivo final. Tratam-se dos “senhores da lei”, juízes e procuradores eleitos por ninguém, mas que, em nome da manutenção da ordem, extrapolam em muito os limites de ação que a própria lei impõe sobre eles.

Eles têm plena consciência de que, ao fazerem isso, estão agindo de forma totalitária, mas usam o vírus para justificar o abuso. Em nome do “bem maior”, estão enfiando a sua vontade goela abaixo da população por meio de sentenças, pareceres e outros instrumentos burocráticos. Quase nunca há embasamento constitucional para o que fazem, mas a urgência do momento está servindo de pretexto para tudo.

Quando saímos da letra fria dos documentos e analisamos o autor que os produziu, com frequência o que encontramos são viúvas da gestão petista, que só alcançaram a posição de destaque no mundo jurídico graças às amizades convenientes nutridas naquele período. Seus salários raramente estão abaixo de R$ 20 mil e não há lockdown que afete seu padrão de vida.

A outra vertente, sedenta pela cadeira de Bolsonaro, também ganha bem, é mais sofisticada e menos viril que todas as outras. Esses apostam no nojinho para dividir os apoiadores do presidente. Jamais se misturariam com a primeira turma num ato de rua, dialogam bem com a segunda em jantares chiques, mas sua arena não são os tribunais, mas sim a cultura e a política.

Essa categoria – simbolizada com perfeição por Amoedo, Dória e jornalistas afagados (ou pagos) por eles – tenta convencer os eleitores de que um presidente que fala palavrão, dispensa a polidez ao fazer pronunciamentos, só aparece em programas de TV voltados à classe C e não é submisso a uma entidade espiritual chamada “liturgia do cargo”, merece, por causa disso, um impeachment. Qualquer outra coisa pode servir como pretexto, mas, em seu íntimo, o ódio a Bolsonaro deve-se ao constrangimento que sentem ao ver que seu presidente é parecido demais com o povo que governa, e muito diferente deles mesmos. Para essa espécie, isso é insuportável.

 

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