Itália sofre epidemia de suicídios e depressão com sensacionalismo das informações

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A rose is pictured on the coffin of a deceased person, as pallbearers (R) bring another coffin to be stored into the church of San Giuseppe in Seriate, near Bergamo, Lombardy, on March 26, 2020, during the country's lockdown following the COVID-19 new coronavirus pandemic. (Photo by Piero CRUCIATTI / AFP)
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Na cidade italiana de Pávia, um homem de 65 anos, hospitalizado por broncopnemonia, ainda aguardava o resultado do teste que diria se ele tinha ou não o COVID 19, quando repentinamente jogou-se da janela do quarto do hospital em que estava sendo tratado. A divulgação constante do crescente número de mortos está fazendo os italianos viverem uma epidemia de suicídios e tentativas.

Este é um dos resultados da cobertura jornalística que prioriza a contabilidade dos mortos, seguida pelas autoridades. Ao mesmo tempo, poucos se preocupam em divulgar a taxa de recuperações observada no país. A Defesa Civil divulgou que a quantidade de pessoas recuperadas não para de subir. Em um único dia, 646 se recuperaram, chegando a 13.030 desde o início da epidemia.

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A informação foi divulgada pelo jornal italiano La Nuova Bussola Quotidiana e traduzido no jornal Gazeta do Povo, no dia 26 de março.

“Uma enfermeira de 49 anos, que estava em isolamento domiciliar havia dois dias, ainda esperando o resultado do teste e assintomática, não foi capaz de lidar com a tensão extrema e se suicidou ao lançar-se no rio Piave”, disse a notícia.

O jornal italiano critica o pânico gerado pela forma como as informações têm sido disseminadas.

“A população do país não foi preparada para afrontar a epidemia, não foi adequadamente formada e informada. Assim, quando já era tarde demais, preferiu-se disseminar o terror. As imagens dos pacientes entubados nas unidades de terapia intensiva, as imagens dos caixões empilhados e caminhões militares foram e são funcionais para um objetivo específico: assustar da maior forma possível as pessoas para constrangê-las à obedecer às ordens do governo. Mas esse medo tem consequências tremendas: leva em primeiro lugar à depressão, que é uma condição psicológica que – como demonstraram numerosos estudos – tem um efeito nocivo sobre o sistema imunológico e sobre as defesas do organismo no confronto de infecções.”

Esta situação de profundo terror causado pela exposição a informações hostis também provoca quedas imunológicas e diversos problemas de saúde.

É o que mostra o estudo da Universidade de Trondheim, na Noruega, que demonstrou conexão entre depressão e outras patologias com as inflamações e até infecções crônicas, distúrbios autoimunes, muitos tipos de câncer, além de Alzheimer e a esclerose múltipla. Estes problemas, diz o estudo, estão todos associados à depressão.

“A incidência de depressão é três vezes maior em quem tem doença cardíaca coronariana do que na população em geral, e 20-50% das mortes por infarto do miocárdio ocorrem no paciente deprimido”, diz o estudo.

Não é só a Itália que está vendo este fenômeno crescer. O ministro das Finanças de Hesse, na Alemanha, Thomas Schaefer, cometeu suicídio, informou o primeiro-ministro do estado alemão, Volker Bouffier. Seu corpo foi encontrado no sábado, próximo a uma via férrea.