Em pronunciamento, Bolsonaro dirigiu-se aos mais vulneráveis

Risco de desemprego, recessão e aumento do desemprego, pronunciamento deixou a responsabilidade a prefeitos e governadores que impõem quarentena

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(São Paulo - SP, 11/06/2019) Presidente da República, Jair Bolsonaro durante Encontro com Lideranças Empresariais e Cerimônia de Entrega da "Ordem do Mérito Industrial São Paulo" .rFoto: Alan Santos/PR
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O pronunciamento do presidente Jair Bolsonaro, nesta terça-feira (24), em rede nacional, pediu o fim da quarentena a governadores e prefeitos. O presidente vem se mostrando preocupado com o atual estado de recessão que a economia está sofrendo e com um alto índice de pessoas consideradas de baixa renda sem ter acesso a uma renda fixa, fortes candidatas à fome. Nada mais justo que estas pessoas possam trabalhar.

Para quem tem renda proveniente dos cofres públicos, a quarentena não causa danos, a não ser psicológicos em uma minoria. Solidão, depressão e emoções descontroladas ocupam a mente e os corações daqueles que sabem que a comida do dia seguinte está garantida. Já a maioria não goza da mesma sorte, dependem do seu pequeno comércio, das atividades autônomas ou do seu patrão. O Brasil não pode parar como os cuidados básicos também não podem.

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Não é honesto comparar as ações de quarentena de países como Estados Unidos, Alemanha ou China. Só em 2018, o PIB norte-americano era de US$ 20,50 trilhões, da Alemanha $4,343 trilhões e da China US$ 13,2 trilhões. Já o Brasil, R$ 6,8 trilhões, em 2018, ressaltando que, na Alemanha tem 83 milhões de habitantes e no Brasil, 211 milhões de habitantes.

Friso que, no ano de 2015 e 2016, o PIB brasileiro foi negativo. Em 2015 foi de -3,8% e 2016 – 3,6% na gestão de Dilma Rousseff.

Uma das propostas feita por aqueles que se dizem zelar pela população mais podre, é que o governo arque com metade de um salário mínimo para os trabalhadores formais e informais. Há, no total, 105,2 milhões de trabalhadores. O salário mínimo é R$1.039. Sua metade é R$ 519,20. Como o governo irá arcar com tamanho gasto?

Vale ressaltar que, com o bolsa-família, o governo gasta R$ 3,1 bilhões e com a previdência R$ 700 bilhões, anualmente.

Caso o presidente exigisse a quarentena, medida que nunca foi recomendada pela Organização Mundial da Saúde (OMS) e ela durasse mais de 2 meses, as projeções mostram que 50% das micros e pequenas empresas irão falir.

De acordo com o IPEA, a cada ponto percentual do aumento do desemprego, 31 mil pessoas morrem devido à recessão.

Já a Fio Cruz, destaca que a cada ponto percentual do aumento do desemprego, a taxa de mortalidade sobe 0,5%.

Isso sem mensurar os malefícios como depressão econômica, que poderá matar mais que o coronavírus, abre um precedente perigoso para regimes autoritários no futuro decretar estado de exceção em nome, por exemplo, das mudanças climáticas, como alerta o professor economista Alan Ghani em sua rede social.

No Canadá, país que aderiu a quarentena, cerca de 500 mil pessoas solicitaram seguro-desemprego nos últimos quatro dias, como resultado do fechamento de empresas e da cessação de atividades devido ao vírus chinês, número só vistos no país durante a Grande Depressão de 1932.

Já no Brasil, 70% dos moradores de favelas tiveram redução da renda. De acordo com a “Agência Brasil”, em cada dez famílias brasileiras que vivem em favelas, sete já tiveram a renda reduzida devido à crise causada pela pandemia do vírus chinês, segundo pesquisa divulgada hoje (24) pelo Instituto Locomotiva/ Data Favela. O estudo ouviu 1,14 mil pessoas em 262 comunidades em todos os estados do país.

O instituto estima que 13,6 milhões de pessoas vivam em favelas no Brasil. No estado do Rio de Janeiro, de acordo com a pesquisa, 13% da população vive nesse tipo de comunidade. Em São Paulo, são 7%, em Pernambuco, 10%, e no Pará 17%.

Os riscos à saúde trazidos pelo vírus chinês são uma grande preocupação para 66% dessa população. Ao mesmo tempo, a apreensão em relação a perda de renda desse período é uma grande preocupação para 75% dos moradores de favelas.

Quase a metade, 47% das pessoas que vive nessas áreas, trabalha por conta própria, seja como autônomo ou profissional liberal. O índice de quem tem carteira assinada é consideravelmente menor, 19%, e ainda há 10% que estão desempregados.

Para se preparar para os reflexos que a crise tem trazido para a economia doméstica, 79% disse que já cortou gastos dentro de casa. Porém, para 84% das famílias que têm filhos, os gastos aumentaram agora que as crianças deixaram de ir à escola.

Sem renda, as pessoas dizem que o próprio cuidado com a saúde pode ficar prejudicado. A grande maioria, 72%, disse que não tem economias às quais possa recorrer, enquanto 15% têm poupança para um mês. Por isso, 86% das famílias teriam dificuldades para comprar comida dentro de um prazo de até um mês se tiverem que ficar em casa. Sendo que 32% já preveem que será complicado comprar alimentos em uma semana.

“Por mais que isso soe alarmista, esse quadro pode indicar uma situação de convulsão social num futuro próximo”, alerta o presidente do Instituto Locomotiva, Renato Meirelles. Para ele, são necessárias políticas que mantenham o padrão de vida dessa população. “Cesta básica ajuda, mas é, de novo, um morador da cidade, dizendo para o morador da favela o que ele tem direito. Mais efetivo seria transferir renda diretamente para que eles pudessem comprar o que precisam”, enfatiza.

Segundo o “Jornal da Cidade OnLine”, o Brasil é um dos países do mundo com o maior número de UTIs per capita e é, o 2º país do mundo com o número de respiradores per capita (só perde para Alemanha).

Como parar um país e esperar que as pessoas morram de fome? É moral permitir que pequenas empresas entrem em falência? É ético milhares de pessoas perderem sua única fonte de renda?

Há outros meios de prevenir que a pandemia tome forma que não seja enclausurar uma população.

 

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