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Uma quarentena horizontal prolongada poderá gerar transtornos e doenças com graves impactos econômicos e sociais em um gravidade superior ao de cenários de controle ponderado do coronavírus. Nesse sentido é que defende o Dr. David L. Katz, diretor-fundador do Yale University’s C.D.C-funded Yale-Griffin Prevention Research Center, especialista em saúde pública e medicina preventiva.

Quem primeiro chamou atenção para o tema aqui no Brasil parece ter sido o médico psiquiatra Dr. Ítalo Marsili, em vídeo no dia 23/03. As análises do Dr. David L. Katz foram divulgadas no The New York Times (neste link em português), por um repórter que conversou com vários especialistas que apresentam alertas sobre a conduta radical de quarentena horizontal, tal como vive o Brasil e os Estados Unidos.

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É notório que uma quarentena radical como a que vivemos não será sustentável por muito mais tempo. Se ela ultrapassar duas semanas e poderá trazer consequências graves na saúde pública, gerando danos piores aos que o coronavírus pode produzir. 

Outro fator alertado e que não vem sendo levado em consideração é que a taxa de mortalidade pelo coronavírus é muito inferior ao que se tem calculado, devido a subnotificação de casos de coronavírus.

Sobre a mortalidade

Segundo matéria recente do Estadão, especialistas estimam que o número de casos de covid-19 pode ser nove vezes maior do que a estatística oficial. Outras opiniões de especialistas dão conta de até 15 vezes a subnotificação. Assim, a taxa de mortalidade precisaria ser ajustada para essa subnotificação. O mesmo raciocínio não pode ser aplicado, sem justificativas, para o número de mortes, apenas para o número de infecção. A mortalidade não pode ter uma significativa subnotificação porque, segundo protocolo do Ministério da Saúde, todos os óbitos suspeitos de covid-19 são testados. Dessa forma, pode-se dizer que o número que de fato é confiável é o de mortes.

Nesse contexto, ao invés dos 1.897 casos de infecção registrados até 23/03, é possível que se tenha 17 mil casos da doença no Brasil. A mortalidade considerando 17 mil de covid-19 e 34 óbitos fica em apenas 0,2%, o que é similar a mortalidade da H1N1. Segundo alguns estudos, menos, segundo outros, pouca coisa a mais. 

Se a subnotificação de infectados for de 15 vezes ao invés de 9, como defendem alguns especialistas, a mortalidade atual no Brasil cai para 0,12%. Com os dados da Itália teríamos 1% de mortalidade, elevação explicável pelas características populacionais e estar no inverno.

Quarentena vertical

A medida alternativa para a quarentena horizontal que se realiza no momento é a quarentena exclusiva das pessoas que são grupos de risco, como idosos e pessoas com doenças pré-existentes. 

Comparativo de dados de Covid-19 e Influenza

Donald Trump e Bolsonaro foram duramente criticados pela mídia, que sempre os critica, quando usada a comparação do momento atual com a última pandemia mundial de influenza(H1N1). 

A pandemia mundial de influenza ocorreu entre 2009 e 2010, sendo a pandemia global mais recente que tivemos. Casos da doença continuam acontecendo até hoje.

Um estudo publicado em 2012 no The Lancet Infectious Deseases Online First afirma que foi estimado um total de 151 mil a 575 mil mortes pela Influenza naquele período. Não se aplicou uma quarentena com o rigor de agora.

O CDC americano na mesma linha, considera o número intermediário dessa estimativa, de 284 mil mortes com a pandemia em nível mundial. 

O número total de infectados foi estimado entre 43 a 90 milhões. Ver também este estudo.

Assim, a mortalidade na pandemia de influenza foi de 284 mil para 60 milhões de infectados, o que equivale a aproximadamente 0,5%. Esses dados já estão tratados com base em estimativas acadêmicas que tentaram dar conta das subnotificações ou super-notificação.

No caso do Covid-19, um estudo do The New England Journal of Medicine, recém publicado, estimou 1,4% de mortalidade, considerando universo de 1.099 pacientes que tiveram teste positivo para covid-19 em 552 hospitais em 30 províncias da China, em janeiro de 2020. Ou seja, o cenário do estudo não deu tratamento algum para contornar o grande número de subnotificação de casos.

Outros recortes de dados da atual pandemia em diferentes lugares do mundo projetam a mortalidade de 4% e até 7%.

Caso específico da Itália

Buscando entender se há de fato um alarmismo, torna-se necessário compreender melhor a realidade de Itália, que registra número de mortes diários que assusta o cidadão comum. 

A influenza, após a pandemia, continua gerando mortes na Itália. Com dados dos anos de 2013 a 2017, um estudo mostra que a influenza pode ter infectado 5,2 milhões de pessoas no período e a mortalidade é estimada em 68 mil pessoas. 

A pesquisa ressalta que a Itália tem registrado picos de mortalidade para esse tipo de doença, especialmente no inverno. Trata-se da maior taxa de mortalidade registrada, segundo OMS.

Dentro do período pós-pandemia, no inverno de 2014/2015, a Itália registrou 14.434 mortes por influenza, foi o pior ano. Isso equivale a uma média de 160 óbitos ao dia durante os meses do inverno. Tendo esses números em mente, fica mais fácil analisar os atuais 6.077 óbitos por covid-10. Esse total de mortes representa 67 óbitos ao dia se distribuirmos a mortalidade atual por todo o período do inverno. 

Entendendo o caso da Itália: Um artigo do biospace explica que a Itália registra a segunda população mais velha do mundo. Um total de 23% da população italiana tem mais de 65 anos de idade, comparando-se com EUA, por exemplo, onde 16% tem mais de 65 anos.  Na Coreia do Sul, onde se registrou a menor taxa de mortalidade de covid-19, 18% da população tem mais de 60. Os dados também mostram que 90% das mortes por covid-19 são em pessoas com 70 anos ou mais.  

Outra particularidade do momento é a incapacidade de se diagnosticar corretamente o covid-19 em toda a população de infectados e isso promove maior taxa de contágio. A Coreia do Sul teve bons resultados graças a eficácia no diagnóstico, para imediato isolamento de quem tem a doença.  

Na época da pandemia da influenza, 2009/2010, o Brasil registrou 2 mil óbitos. Anualmente estima-se que 139 mil pessoas morre no Brasil relacionados a doenças respiratórias ao ano, sendo 80 mil desses óbitos devido a pneumonia. 

Críticas sobre a comparação de covid-19 e Influenza

A agência de checagem de fatos Piauí/Folha de S. Paulo, declarada inimiga ideológica do atual governo, atribuiu como “falso” e errada a comparação feita pelo presidente Jair Bolsonaro entre os cenários atual ao da pandemia de influenza em 2009. Para isso, eles citaram um estudo da Inglaterra que mensurou a mortalidade da influenza em 0,02%. Mas estudos maiores e o correto tratamento da subnotificação, conforme exemplificado anteriormente, acabam por desconstruir os argumentos da radical opositora do governo, revista Piauí. Faltou-lhes sensibilidade também, para esquecer as diferenças ideológicas e lembrar do óbvio: toda e qualquer comparação tem suas limitações e são muito válidas para subsidiar um exercício de análise de cada cenário, situação e seus dados. A postura midiática polarizada de grandes veículos de comunicação caracteriza-se uma parte importante da dificuldade em analisar o atual contexto e em saber até onde vai a preocupação com saúde pública e o desejo de fazer oposição política.

 

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Fabio
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Fabio

Olá, bom artigo, achei pouco parcial, mas isso ocorre com todos os meios de comunicação, é natural. Porém discordo de alguns pontos principais na sua narrativa: Primeiro, infelizmente esse novo virus, diferente do H1N1 causa pneumonia viral, o que ocupa leitos por mais tempo (por experiência própria…) e não se cura com antibióticos como as eventuais pneumonias causadas pelo H1N1. O maior problema é a ocupação de leitos – os que morrem mais são os mais velhos, mas para quem chega a pneumonia vai ocupar o leito, o que é o problema principal da superlotação dos hospitais nos países mais… Read more »