Regina Duarte expurga conservadores da Cultura e nomeia psolista

O expurgo de conservadores causou imediata revolta nas redes sociais da base de apoio a Bolsonaro

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Atriz Regina Duarte fala com jornalistas no Palácio do Planalto 29/1/2020 REUTERS/Adriano Machado
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No dia de sua nomeação, a ex-atriz e nova secretária especial da Cultura, Regina Duarte, expulsou pelo meno seis nomes conhecidos por serem conservadores e bolsonaristas da Secretaria da Cultura. No mesmo instante, nomeou Marcos Teixeira, histórico militante da extrema esquerda na Cultura, para presidente da Funarte.

Na cerimônia de posse, no Palácio da Alvorada, Regina disse que buscará o “pacificação e o diálogo permanente” com o setor cultural, segundo notícia publicada pelo G1.

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Outras 12 exonerações de cargos de chefia do setor cultural do governo foram publicadas no Diário Oficial da União, nesta quarta-feira (04). Ainda segundo lembrou o G1, Bolsonaro acertou com Regina que a secretaria teria “porteira fechada” com “carta branca”, significando autonomia total para as decisões que achar necessária.

“O convite que me trouxe até aqui falava em porteira fechada, carta branca. Não vou esquecer não, presidente. Foi inclusive com esses argumentos que eu me estimulei e trouxe para trabalhar comigo uma equipe apaixonada, experiente, louca para botar a mão na massa”, disse Regina na cerimônia de posse.

No seu discurso, Bolsonaro respondeu que a “porteira fechada” foi dada a todos os ministros, porém ele muitas vezes exerceu poder de veto em algumas indicações.

“Obviamente, em alguns momentos eu exerço poder de veto em alguns nomes. Já o fiz em todos os ministérios, até porque, para proteger a autoridade, que por vezes desconhece algo que chega ao nosso conhecimento. Isso não é perseguir ninguém. É colocar os ministérios, as secretarias na direção que foi tomada pelo chefe do executivo”, explicou Bolsonaro.

O expurgo

O expurgo de conservadores causou imediata revolta nas redes sociais da base de apoio a Bolsonaro. Até mesmo o filósofo Olavo de Carvalho comentou, em seu perfil, que o apoio à indicação de Regina Duarte tivera sido um erro.

Seu nome surgiu apenas algumas horas após a exoneração de Roberto Alvim e foi escolhida devido sua proximidade com a classe artística, o que possibilitaria melhor diálogo. Em declarações à imprensa semanas atrás, Regina Duarte havia dito que pretenderia “colocar a cultura acima das ideologias”.

A retirada de conservadores da Cultura obedece a uma estratégia de deixá-los de fora das discussões que poderão influenciar na elaboração de um novo Plano Nacional da Cultura, cujo texto atual, elaborado no governo Lula, vence em dezembro deste ano. Embora conservadores e liberais discordem de que o Estado deva controlar a Cultura, a existência do PNC é obrigatória devido dispositivo constitucional e sua extinção não teria chances de prosperar. Isso põe a esquerda em alerta para impedir que conservadores tenham voz na elaboração do novo PNC.

Lista dos conservadores expurgados por Regina Duarte

  • PAULO CESAR BRASIL DO AMARAL. Presidente do Instituto Brasileiro de Museus.
  • REYNALDO CAMPANATTI PEREIRA. Secretário da Economia Criativa.
  • RODRIGO MAXIMIANO JUNQUEIRA. Secretário de Difusão e Infraestrutura Cultural.
  • CAMILO CALANDRELI. Secretário de Fomento e Incentivo à Cultura.
  • MARCOS VILLAÇA AZEVEDO. Secretário de Direitos Autorais e Propriedade Intelectual.
  • DANTE HENRIQUE MANTOVANI. Presidente da FUNARTE.
 

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“Embora conservadores e liberais discordem de que o Estado deva controlar a Cultura, a existência do PNC é obrigatória devido dispositivo constitucional e sua extinção não teria chances de prosperar” Pois é, aí é que conservadores e liberais começam a perder a briga…. Se é (e, de fato, é) verdade que conservadores e liberais acreditam que o Estado deve ficar longe da Cultura, então é aí que a briga deve ocorrer e não simplesmente dizer que “sua extinção não teria chances de prosperar” e ficar por isso mesmo… Aceitar como “fato consumado” a existência do PNC e tentar “tourear” tal… Read more »