Escolher esperar: Psicóloga alerta pais para a importância da espera e dos limites na educação sexual

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Diante das recentes reações sobre as abordagens de educação sexual para adolescentes, a psicóloga Paula Kalil, que possui experiência em consultório, alerta sobre a importância da família orientar os adolescentes a esperarem, bem como, impor-lhes limites.

Confira o texto:


O caos sexual que vivemos hoje começou a se instalar no dia que pais e mães começaram a achar normal filhos de 12, 14 anos tendo relação sexual dentro de casa com seus respectivos companheiros ou saindo de casa pra morar juntos, situação muito mais frequente do que vocês imaginam.

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Ouço diariamente crianças relatando, algumas bastante decepcionadas, que esperavam que seus pais iriam “matá-los” ao saberem da gravidez não planejada, mas que ao contrário eles deram de ombros e lavaram suas mãos, como se não esperassem nada alem disso dos seus filhos. Eles confessam muitas vezes que esperavam por uma bronca, novas regras de conduta, algum limite e se decepcionam pq o comportamento dos pais sugerem que não estão nem aí com o futuro dos filhos. Os adolescentes e os jovens vão experimentando e testando os limites para modular sua personalidade, a moral e a conduta que vão adotar para sua vida adulta.

Se eles não encontram resistência e limites dos pais, ou até mesmo exemplos dentro e fora de casa começam o ciclo vicioso de experimentação e frustração. A cada experiência frustada partem pra novas experiências buscando encontrar o que poderá preencher o vazio interior e estabelecer limites que o farão se sentir seguros.

Os pais perderam seu principal papel, o de serem pais e na busca de um relacionamento “horizontal” impõe aos filhos uma amizade que não os ajuda em nada no seu desenvolvimento. Muitas vezes adoto esse papel de “educadora” no meu consultório, mostro que toda decisão tem perdas e ganhos e que não existe um mundo mentalmente saudável onde podemos fazer tudo que o nosso desejo manda. Uma vida madura e adulta é sinônimo de restrições e de ponderações. Os jovens respondem bem a esse tipo de aconselhamento, é como se alguém dissesse a eles que eles podem ser mais do que seus próprios desejos primários. Ou passamos a ensinar nossas crianças a esperar e a abrir mão de seus impulsos em nome de uma felicidade passageira ou veremos o número de doenças se multiplicando, suicídios e crianças sendo criadas por outras crianças.

Paula Kalil Abrão, psicóloga.