O perigo extremista do isentismo e pragmatismo assola a política

Ministros do STF, deputados e senadores, desejam perseguir e prender qualquer cidadão que saia do estreito limite do que eles consideram equilibrado, lúcido, não polarizado, não radical etc.

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Certa vez, o deputado Kim Kataguiri declarou que há esquerdistas bem intencionados. A sua fala foi imediatamente divulgada em todos os meios de comunicação como propaganda em favor de toda a esquerda. Este é o típico trabalho do isentão: por covardia e oportunismo, trabalha servilmente em favor da ideologia mais sanguinária.

Isentão e pragmático representam, de longe, a ideologia mais intolerante e radical, cujo extremismo não concede voz a ninguém além dos que aderem às suas práticas de negociação e de sumárias condenações por meio de rótulos odiosos e processos judiciais. Ministros do STF, deputados e senadores, desejam perseguir e prender qualquer cidadão que saia do estreito limite do que eles consideram equilibrado, lúcido, não polarizado, não radical etc. Eis o radicalismo anti-radical, o extremismo de centro, o mais cruel dos totalitarismos.

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É o que acontece com a classe militar, que após se ver oprimida pela mídia esquerdista por décadas, sendo chamados de torturadores, converteram-se numa classe acovardada, praticando um tipo de fisiologismo tecnicista que tenta esconder com nomes como pragmatismo.

Assim são os chamados isentões, que em geral se identificam como liberais, e os pragmáticos, que não raro trajam verde-oliva e vêm tomando decisões de governo. Eles encarnam uma ideologia baseada no medo e no ódio à liberdade por meio de sua afetação de superioridade técnica e moral ao atraírem para si o monopólio de uma neutralidade inexistente.

Convencionou-se chamar de “isentão” aquele que defende as chamadas “instituições democráticas”, alegando que elas estão acima dos indivíduos que as ocupam e que, portanto, merecem ser defendidas destes enquanto são protegidas em sua estrutura institucional. Acreditam que democracia é uma espécie de “força” (jedi) que emana dessas instituições tão logo existam, independente do que sejam transformadas. Idolatram, assim, essas instituições por infusão da palavra democracia, um símbolo mágico cujo poder emana tão logo seja evocada.

Oportunismo e atração pelo fisiologismo que depende dessas instituições para existir estão na base mais profunda da motivação deste tipo de parasita político. Nessa ânsia pela boa aparência, agarram-se a chavões midiáticos assim que aparecem, como quem quer vestir logo uma roupa que tenha sido anunciada como tendência à próxima estação.

A retórica da moda é a neutralidade liberal, a prudência de um conservadorismo facilmente confundido com a conciliação eclética de tudo o que traga benefícios, vantagens políticas. Assim, jogam-se de boca nos chavões e repetem a última cantilena dita por um articulista transado.

Como Rodrigo Constantino, eles vêem potencial risco em grupos de família, senhoras do whatsapp, grupos de estudo que opinam sobre política, padres, pastores e pastoras. Eles temem a sociedade e desejam impor uma vigilância opinativa para a qual já conclamam rótulos como radicalismo, polarização, extremismos e outras palavras para designar a livre opinião. A própria eloquência na expressão de opiniões deve, para eles, ser evitada. É preciso anunciá-la num tom de falsete, tranquilidade e pacificação, conciliação com vozes discordantes, pluralismo, empatia, comunicação não violenta e outros deuses.

Eles querem calar as velhinhas e os jovens que falam coisas desagradáveis. São o ápice da moral e dos bons costumes democráticos e politicamente corretos.

O outro grupo, o dos pragmáticos, ocupa as patentes militares. Como disse um general recentemente, é preciso “desideologizar” os órgãos públicos. Na cabeça dele, há uma divisão certamente muito clara entre ideologia e técnica, conhecimento. Certamente ele, o técnico, encarna essa ponderação capaz de harmonizar o universo contra os perigosos e errantes pêndulos que ameaçam a civilidade.

Na prática, tanto o isentão quanto o pragmático acabam trabalhando servilmente para a ideologia que melhor conseguir se travestir de técnica, científica ou se esgueirar melhor nos fétidos corredores do fisiologismo político. Ou seja: ambos priorizam e trabalham para o pior tipo de política e o mais mentiroso.

Só eles, dentre todos, são normais e equilibrados, merecendo portanto um monopólio da liberdade expressiva e relegando todo o resto ao silêncio obrigatório e a um ostracismo forçado no qual não hesitam em jogar a todos os que discordam de suas balizadas opiniões. Aliás, só eles têm opiniões. Os demais têm “discursos de ódio”.

Seja em Brasília, na caserna, em suntuosos apartamentos do Leblon ou em incensadas redações com harmonia zen, isentões e pragmáticos compõem o maior e mais macabro risco à democracia por representarem o ódio sistemático à liberdade humana e à possibilidade da sua espontaneidade.

Isentões e pragmáticos, por isso, devem ser tratados como o que são: fascistóides e proto-nazis de apartamento, o tipo mais perigoso de totalitarismo. Almejam construir a aristocracia dos incapazes, a verdadeira idiocracia.

 

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JOSE SOUZA
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JOSE SOUZA

O PIOR ISENTÃO É AQUELE IMBECIL PREPOTENTE DA CLASSE MEDIA, QUE ACHA QUE SABE DE TUDO E QUE ESTÁ NA 1ª CLASSE DO TITANIC AFUNDANDO !!!!! AFFFFFF

LSB
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LSB

Prezado, Em linhas gerais, concordo com o texto. Todavia, faço duas observações: 1 – Quando o Kim falou que havia descoberto que havia pessoas bem intencionadas na esquerda, ele só demonstrou como ainda é uma “criança” em assuntos políticos e da missa não entendeu um terço. E isso também vale para muita gente aqui… De fato, o único “elogio” que se pode fazer a esquerdistas (salvo a “honrosa” exceção de suas lideranças) é que eles possuem boa intenção!!! A única coisa “positiva” que esquerdista tem é a boa intenção (que o inferno está cheio delas). Eles não entendem economia, produção… Read more »