Ceticismo sobre abstinência sexual revela preconceito e perturbação de parte da imprensa

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‘The Battle between Carnival and Lent’ (1559), by Pieter Bruegel the Elder Patrick
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Diante da recomendação da ministra da Mulher, Família e Direitos Humanos, Damares Alves, sobre a efetividade de programas de abstinência sexual para conter gravidezes indesejadas, parte considerável da imprensa reagiu com ódio e indignação contra a proposta, como se a ministra estivesse recomendando a tortura ou a autoflagelação dos próprios jornalistas. Isso revela uma perturbação sociopática, um preconceito agudo contra os mais pobres e um ódio à liberdade vista no seu sentido mais nobre.

O ataque agressivo contra a proposta demonstra um estado de completa anormalidade social, cujos exemplos nas redações não pode ser representativo da sociedade brasileira, profundamente conservadora nos costumes. Mas então para quem esses jornalistas escrevem?

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A revista Época estampou o seguinte título: “Governo prepara campanha publicitária para pregar abstinência sexual”. Um dos objetivos declarados da cobertura do tema é enquadrar a ação do governo dentro de um ato religioso, expresso pela escolha do verbo “pregar”, no título. Este objetivo tem estado presente na maior parte da cobertura sobre temas de comportamento. Mas quais são as crenças que o embasam?

Sexo é monopólio das ciências? E de que ciência?

O primeiro pressuposto desse enquadramento é o de que as ciências humanas aplicadas detém o monopólio sobre o comportamento humano, tanto na sua descrição quanto na definição do que é bom, belo e saudável. O segundo pressuposto, porém, é o de que a efetividade e importância da abstinência sexual é tema exclusivamente religioso e moral, sem qualquer relevância científica. Mas basta saber como acontece a concepção para constatar a cientificidade de um programa que visa apenas utilizar a razão e o autocontrole humano para algo sobre o qual ele detém livre-arbítrio.

Mas isso nos leva a outro pressuposto (na verdade um preconceito) que jornalistas e cientistas sociais da atualidade têm sobre o ser humano.

O ser humano é incapaz de ato livre

Ora, todos os grandes veículos de mídia pregaram justamente a ineficácia de um programa como este, embora esteja implícita a sua total descrença na capacidade de um ser humano negar-se a fazer sexo. Especialmente a população pobre, aquela que a antropóloga americana Margaret Sanger classificou como “genes podres” que “infectam a sociedade”. Ela pregava, “mais nascimentos entre os aptos e menos entre os não aptos”. Isso mesmo. O que está por trás do ódio e ceticismo de parte dos jornalistas sobre o tema é o profundo ódio e preconceito que nutrem em relação aos pobres. Mas também um contundente ódio à humanidade.

Não só os jornalistas, mas existe uma grande parcela da população que pensa exatamente assim. Isso não é exclusividade da esquerda, tampouco de promotores do aborto. Liberais e tecnocratas costumam ter uma mentalidade ainda mais baixa e preconceituosa. E isso é um problema que precisa ser colocado de maneira clara.

Para a maioria dos jornalistas (e alguns brasileiros de bom costume), a gravidez é sempre indesejada, mas mais ainda quando se trata da população pobre, que não pode dar luxo aos seus filhos e acaba fazendo com que a sociedade pague pelo “erro” da mulher pobre. A mulher pobre, assim, torna-se a grande vilã e bode expiatório de todos os problemas sociais. Mas se o desejo sexual dos pobres é uma chaga tão horrenda para os nobres cidadãos que trabalham, isso é devido o fato inquestionável para os jornalistas de que essa população é, além de promíscua, incapaz de refrear seus desejos.

Para eles, o ser humano não é capaz de ser de fato livre, pois é escravo de seus desejos. Não há dúvidas de que um discurso dessa anormalidade precisaria ser estudado por psiquiatras. Mas como se trata de um discurso jornalístico, é ele quem diz o que é normal ou não.

Decadência civilizacional: a separação entre sexo e vida

Infelizmente isso reflete preconceitos ainda presentes na sociedade brasileira, fruto das gerações anteriores de pequeno burgueses que foram seduzidas pelas facilidades da boa vida saudável, viraram reféns de medicamentos, cirurgias plásticas e abortos clandestinos. Os filhos de famílias desestruturadas odeiam a formação de novas famílias, por verem nelas a materialização de seus compreensíveis traumas. Mas há também as famílias supostamente saudáveis, mas pautadas pela ideia de que “sexo é vida”, não no sentido de que ele gera vida, mas de que representa um ideal de vida prazerosa e irresponsável. Os jornalistas que destilam ódio à ministra pertencem, invariavelmente, a um desses dois tipos de família.

Na década de 1920, surgiu a Liga para a Reforma Sexual, que tinha o declarado objetivo de separar a atividade sexual da procriação. É óbvio e evidente que essas duas dimensões sempre puderam ser separadas. Mas o que eles queriam era separar socialmente, de maneira a modificar os hábitos das gerações seguintes para, enfim, limitar os nascimentos. Eles acreditavam na profecia de Thomas Malthus, de que já no início do século XX não haveria mais recursos para alimentar toda a humanidade, coisa que se mostrou errada e até absurda.

Depois dos funcionalistas da Liga, surgiram os marxistas como Wilhem Reich, que associava o sexo (especialmente na juventude) a uma atividade revolucionária e libertadora. Hoje, cada vez mais jovens estão viciados em pornografia e as meninas se tornam ativistas pelo sexo precoce e aborto, armas úteis nas mãos de pedófilos e abusadores que desejam aliciar enquanto ocultam as provas dos seus crimes.

Toda a classe jornalística age em conluio com as modas revolucionárias de 40 anos atrás, mas que se encontram vivas graças aos vultuosos investimentos de fundações internacionais que desejam transformar os desejos em direitos, demolindo o entendimento jurídico internacional para que as suas necessidades (econômicas, ideológicas), sejam a medida da justiça e não possam ser questionadas por valores acima deles.

 

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João das CouvesLSBantonio silvaÉrica Ornellas Autores de comentários recentes
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Érica Ornellas
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Érica Ornellas

Excelente artigo.

antonio silva
Visitante
antonio silva

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LSB
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LSB

No geral, muito bom o texto. Crítica bem escrita e bem articulada / formulada. “Noves fora” alguma “simplificação” (inevitável em textos curtos), vou apontar um erro conceitual (que pode mesmo ser chamado de “preconceito”): “Liberais e tecnocratas costumam ter uma mentalidade ainda mais baixa e preconceituosa”. Usar o termo “liberais” não é correto. Considerando a evolução do pensamento político no Ocidente, há o “liberalismo clássico” (que hoje se “aproxima”, ou tem diversos pontos em comum, com o “conservadorismo”) e há o “liberalismo progressista”, nascido no século XIX a partir do “liberalismo clássico”, e que significa justamente, de forma genérica, a… Read more »

João das Couves
Visitante
João das Couves

Essa simplificação de dizer que tudo é culpa de um “preconceito contra os pobres” por parte de quem quer que seja já deu no saco. E em vários pontos do texto, o Derosa força ao máximo essa tese. “A mulher pobre, assim, torna-se a grande vilã e bode expiatório de todos os problemas sociais.”, por exemplo, é um trecho que eu esperaria vindo da Lola Aronovich, e não do Estudos Nacionais. E acho que esse ceticismo tosco dos jornas tem muito mais a ver com o ódio deles à própria abstinência sexual cristã (não é difícil achar esquerdistas que zombam… Read more »