Seguidores de ideólogo russo participaram de homenagem a general iraniano em SP

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O movimento Nova Resistência (NR), principal porta-voz do “duguinismo” no Brasil, ofereceu suas condolências à morte do popular general iraniano Qassem Suleimani, morto pelo exército norte-americano no último fim de semana, com a presença de diversos movimentos radicais islâmicos e comunistas. Em um registro feito pelo próprio ideólogo russo, Alexander Dugin, em suas redes sociais, a morte foi classificada como um “ataque terrorista americano”.

A homenagem ao general iraniano, em São Paulo, reuniu diversos atores da cena extremista e ultra-radical emergente no Brasil. Esses movimentos, no entanto, gozam de pouca atenção pelos meios de comunicação oficiais, que preferem associar o extremismo aos eleitores de Bolsonaro. O evento, organizado por lideranças islâmicas xiitas, foi marcado por duras críticas ao governo Bolsonaro, que temem a “submissão aos EUA”.

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O NR é um grupo que questiona a dicotomia esquerda x direita, optando pela proposta da Quarta Teoria Política, de Dugin, que opõe Liberalismo x tradicionalismo (sendo que a Tradição é vista sob o ponto de vista esotérico e místico de Renê Guenon). O grupo, assim como outros movimentos nacionalistas apoiados por Dugin, consegue, com isso, arregimentar militantes da extrema direita e da extrema esquerda ao mesmo tempo e estão presentes de maneira mais ou menos discreta em ambos os espectros políticos.

O NR já vem sendo personagem de outra trama acompanhada por EN, a que envolve o atentado contra a produtora Porta dos Fundos, evento que vem sendo utilizado pela grande mídia contra conservadores e em favor da agenda progressista.

As declarações de A. Dugin sobre a morte de Suleimani foram reunidas no site do Nova Resistência, em artigo comentado pelo fundador Raphael Machado. Dugin disse:

“É um crime? Não, é guerra. A guerra por e contra o mundo moderno. Este herói era contra. Nós também. Eles matam na guerra. Acontece. A morte não é o final. Apenas um começo. Então vamos começar…”, logo em seguida, ele acrescenta que “não se trata de vingança. Trata-se de vitória. Nossa vitória”,

“Ação revolucionária”

Evidentemente, não há indícios de envolvimento direto do NR com o suspeito pelo atentado, o dançarino Eduardo Fauzi, que viajou para a Rússia pouco antes de ser considerado foragido pela polícia. Associações entre Fauzi e o NR foram especuladas por um perfil pseudônimo no twitter, na última semana. Independente disso, o surgimento do neofascismo como estereótipo midiático vem sendo amplamente explorado por jornais, que vêm aproveitando a oportunidade para associá-los a cristãos e conservadores que constituem a base do governo Bolsonaro.

No final de 2018, Alexander Dugin conclamou brasileiros para criarem uma “frente anti-Bolsonaro”.

O NR se intitula um grupo de ação revolucionária. Em sua página no facebook, eles informam que “A Nova Resistência é uma organização política dissidente que defende uma resistência ativa ao neoliberalismo, ao atlantismo e ao lobby sionista”.

Na última semana, um pseudônimo no Twitter expôs uma série de ligações que associariam o NR aos atos contra o Porta dos Fundos, principalmente devido a semelhança nos discursos do grupo e de Eduardo Fauzi, que também é seguidor de Alexander Dugin.

Em seu perfil no facebook, Dugin divulga a nota do NR ao evento pró-Suleimani.

“Nossos camaradas de São Paulo se fizeram presentes ontem no evento em homenagem ao general iraniano assassinado Qassem Suleimani e aos outros mortos no ataque terrorista americano, para prestar nossa solidariedade à antiga e honrada nação iraniana, junto a representantes da comunidade xiita brasileira, de várias outras religiões e de vários movimentos políticos.

A NR era um dos maiores grupos políticos presentes e foi muito bem recebida, sendo reconhecida por várias pessoas que estavam lá presentes como fazendo um bom trabalho intelectual e de militância”.