Elogiado pelo PSOL, Carlos Moisés (PSL) se opõe a projeto “escola sem drogas”

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O governador de Santa Catarina, Carlos Moisés (PSL), vem se tornando símbolo da dissidência da ala fisiológica da política, a chamada “velha política” que se infiltrou no poder seguindo o oportunismo gerado pela “onda Bolsonaro” das eleições de 2018. Elogiado pelo PSOL e comunidade LGBT, o governador do estado mais bolsonarista do Brasil considerou “perseguição a professores” a proposta de exame toxicológico para docentes da rede estadual, da deputada Ana Campagnolo (PSL).

O governador que vem se tornando querido por setores da extrema-esquerda, ambientalistas radicais e universitários, opôs-se ao projeto apelidado de “Escola sem drogas”, que propunha o exame toxicológico a professores do estado. Na verdade, Moisés acusou o projeto de “perseguir uma categoria”, e sugeriu que os testes fossem exigidos também por todos os funcionários públicos. Uma maneira sutil de impugnar a proposta.

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Após o arquivamento da proposta, houve questionamentos técnicos feitos pela deputada, com poucas respostas do Governo do Estado. De acordo com o gabinete de Campagnolo, dos 9 pedidos de informação feitos, 5 não foram sequer respondidos e de 57 indicações, apenas 17 receberam resposta.

A deputada Ana Campagnolo (PSL), em seu perfil no Facebook, esclareceu que a proposta foi “formulada para atender uma demanda comum à milhares de pais que desejam se precaver da possibilidade de serem obrigados a entregar a educação de seus filhos aos cuidados de agentes estatais que tenhas hábitos e percepções divergentes aos valores que aplicam em suas casas”. Ela lembrou ainda que a medida já é adotada na contratação de agentes das forças de segurança.

Em entrevista ao jornal NSC, o governador afirmou sobre o projeto:

Eu disse que achava ótimo, desde que todos os deputados e servidores públicos fizessem. E aí fui acusado de não apoiá-lo. Era uma perseguição contra uma categoria.

Ele acusa o projeto de “querer protagonismo entre um grupo minoritário que ofende os professores”.

Campagnolo diz que aceitaria a ampliação da proposta, mas o governador parece ter usado a sugestão apenas para impugnar o projeto original, sem outros argumentos, acusando a deputada de não aceitar a sua sugestão.

“A única ‘contribuição’ do Executivo [de SC] foi assinalar oficialmente o seu parecer contrário; além de fingir não saber que o projeto de lei é específico aos professores porque a profissão do magistério tem legislação específica em nosso Estado, tentando, com esse papo, emplacar a narrativa esquerdista de que a obrigatoriedade do exame toxicológico representa uma ‘perseguição à classe profissional'”, diz Campagnolo.

A deputada salienta ainda que, este é um “argumento que só faria sentido se partíssemos de um pressuposto onde todos os professores, e não apenas uma parcela minoritária de inaptos, fossem usuários de drogas”.

Governador dissidente da direita aproxima-se cada vez mais da esquerda

Depois de perseguir deputados da base governista que se alinhavam a Bolsonaro, o governador dissidente da direita classificou de “extremismos” as posturas fieis à onda que o elegeu e faz frequentes críticas aos filhos do presidente. Um deles, o deputado Eduardo Bolsonaro (PSL-SP) disse textualmente o que pensa do governador: “Ele está se juntando ao PT, ao PSOL”.

Considerado traidor pela imensa maioria que votou por causa de Bolsonaro, Moisés já foi destaque da revista Carta Capital, que o elogia porque “contraria o agronegócio e se aproxima das minorias”. A matéria resume bem a trajetória do neófito da política: “não foram raras as fotos em que imitava uma arma com os dedos – e a agenda moralista de Jair Bolsonaro. Deu certo”.

Moisés brigou nas eleições para ser considerado o “candidato de Bolsonaro”, motivo que o fez saltar para o segundo turno e vencer as eleições mesmo sendo ilustre desconhecido na cena política catarinense. Em seu primeiro cargo político, o comandante dos bombeiros começou seu mandato renovando um acordo entre o estado catarinense e os Objetivos de Desenvolvimento Sustentável, da Agenda 2030, projeto globalista de administração mundial da ONU. A denúncia da renovação do pacto, feita pelo Estudos Nacionais, teve reação do próprio governador, que pelo Twitter, classificou o site de “fake news”. Para comprovar a sua acusação, livrou-se das provas, mandando excluir a página que noticiava a assinatura do pacto, conforme cobrimos na ocasião.