Rússia promove a censura digital contra “fake news”

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O presidente russo Vladimir Putin, inspirado no controle digital chinês, sancionou, no início de novembro, uma lei que obriga provedores a filtrarem integralmente o tráfego de servidores de outros países. O mesmo molde foi adotado pela China, em 2018, pelo presidente Xi Jinping.

Na China, a internet é controlada por um ‘Grande Firewall’. A Rússia, mais criativa, nomeou a censura de: ‘Internet Soberana’.

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De acordo com o presidente russo, a medida visa garantir o funcionamento seguro e sustentável. Agora, os provedores da Rússia serão obrigados a filtrar dados enviados e recebidos de servidores estrangeiros.

E essa não é a primeira vez que a Rússia tenta acirrar a censura digital. Em 2018, Putin tentou bloquear o Telegram e as autoridades já bloqueiam sites específicos e limitam a utilização de VPNs.

O órgão responsável pela censura nos meios de comunicação, o Roskomnadzor, fiscalizará todo o tráfego externo.

O Brasil segue os mesmos moldes

Na Rússia também vigora a Lei da Fake News, onde compartilhar qualquer notícia que tenha um cunho falso é passível de multa de até R$ 1,5 milhão de rublos (R$ 90 mil reais).

Além disso, é crime insultar símbolos e autoridades do governo e a penalidade para tal pode chegar a 300 mil rublos (R$ 18 mil reais), caso a pessoa reincida, poderá cumprir 15 dias de prisão e, qualquer semelhança com o Brasil não é mera coincidência.

A Lei Kim e a CPMI da Fake News pregam exatamente isso. A Lei Kim, que prevê multa e prisão de até oito anos para quem produzir ou compartilhar uma notícia apontada como fake News, é o ponto alto da censura do modelo Kremlin.

No Brasil, a CPMI (Comissão Parlamentar Mista de Inquérito) das Fake News, tem como presidente o Senador Ângelo Coronel (PSD-BA). O mesmo esteve na Rússia ‘absorvendo conhecimento para combater a desinformação’.

Ele foi no berço dos produtores de desinformação, segundo o livro ‘Desinformação’ de Ion Mihai Pacepa, para combater a ‘desinformação’?

Ângelo Coronel afirmou ainda, em vídeo, que o objetivo da viagem é levantar informações sobre como “combater esse mal que destrói famílias e atrapalha democracias’.

Democracia com uma CPMI da Fake News? Está que começou visando notícias falsas disparadas nas eleições de 2018, direcionou-se para a caça de perfis no twitter que produzem ‘memes’ e cobram políticos de uma forma áspera.

Uma das estrelas da CPMI é a deputada federal Joice Hasselmann (PSL/SP), que se tornou oposição ao governo e foi hostilizada nas redes sociais.

O comunismo e o controle do fluxo da informação

Rússia é emblemática por ser berço de grandes figuras genocidas como Stálin, Lenin, Gramsci e Trotsky.

O pontapé inicial do comunismo que nasceu na Iugoslávia, assistiu a briga revolucionária de Bolcheviques e Mencheviques bem como abraçou os campos de concentração (gulags) que abrigou ninguém menos que Varlam Chalámov, político e escritor.

Autor da série de livros “Contos de Kolimá”, conta as suas experiências nos gulags. Seu crime? Atividade contrarevolucionária. Foi considerado um elemento socialmente perigoso.

Desde 1917 (Revolução Russa) até 2019, nada mudou. Censura, seja ela sensível ou brutal, está no DNA da Rússia.

Não somente da Rússia, China ou Coreia do Norte. Está também nas raízes de Cuba, onde seus cidadãos não têm acesso a internet e os turistas somente a acessam em locais específicos, por um preço absurdo.

Quem acompanha os depoimentos da CPMI sabe que há um único alvo: Internautas que produzem artes em tons jocosos e críticas ferrenhas a parlamentares que adotam posicionamentos que desagradam o eleitorado.

Entre perfis deletados do twitter e bloqueados no facebook, uma coisa é certa: A liberdade digital, no Brasil, tem data marcada para morrer.