Auditoria na Bolívia: 35 mil atas de contagem de votos adulteradas

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Agência Brasil
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As eleições presidenciais na Bolívia estão “viciadas pela nulidade”. Esse é o veredicto da empresa que conduziu a auditoria do processo eleitoral, Ethical Hacking, informou a imprensa local nesta sexta-feira, dia 08.

Segundo o jornal Página Siete, de La Paz, a empresa contratada pelo Supremo Tribunal Eleitoral para realizar uma auditoria no sistema de contagem rápida TREP, apresentou 11 conclusões descrevendo algumas vulnerabilidades sofridas pelo sistema oficial de contagem, que elegeu o presidente Evo Morales, após um processo fortemente questionado pela oposição por supostas manipulações.

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Em entrevista ao University Channel, em La Paz, na quarta-feira à noite, Ávaro Andrade, gerente da empresa de auditoria, afirmou que

“A integridade do banco de dados de software eleitoral foi violada. Do ponto de vista da auditoria, é difícil dizer se houve fraude ou não, o que posso dizer é que os procedimentos adequados não foram realizados. Havia inconsistências e, além disso, houve mudanças nas atas, como está sendo verificado. Nossa função como empresa de segurança de auditoria é dizer tudo o que foi encontrado, e muito do que foi encontrado apóia a hipótese que o processo eleitoral está viciado pela nulidade”.

Uma primeira irregularidade observada pela empresa foi o fato de ter sido contratada apenas um mês antes das eleições. Segundo Andrade, os membros do TSE deveriam ter realizado o processo de contratação de uma empresa de auditoria pelo menos quatro meses antes.

O Ethical Hacking, com sede no Panamá, foi contratado pelo TSE para auditar o Sistema de Transmissão de Resultados Eleitorais Preliminares (TREP), um sistema de contagem rápida que, conforme planejado, permitiria uma manter uma tendência nos resultados das eleições poucas horas depois do encerramento das pesquisas no domingo 20. Mas o sistema foi fortemente questionado quando foi interrompido, às 19h30.

Andrade explicou na entrevista que a suspensão da transmissão de dados do sistema TREP, no mesmo dia das eleições, se deveu ao fato de que antes da apresentação dos resultados preliminares, feita pelos membros do TSE, ocorreu uma alta demanda por solicitações para alterar as atas de um endereço IP não identificado.

“Quando vemos as solicitações, eram solicitações para validações de atas… e havia milhares e milhares”.

O gerente da empresa acrescentou que o novo servidor carecia de sistemas de segurança e que, no final, gerou repetições de atas provenientes de uma fonte externa ao sistema, segundo o jornal boliviano La Razón.

No relatório oficial da auditoria de computadores, por exemplo, parece que o TSE “desencorajou” as atas de cálculo de Tarija. Como outras reclamações sobre possíveis fraudes, Andrade confirmou que várias dessas irregularidades beneficiaram o Movimento Socialista oficial.

O relatório indica que, às 19h30 do domingo das eleições, uma quantidade excessiva de tráfego na Internet foi detectada a partir de um endereço IP “não monitorado” desconhecido, um servidor não identificado, por outro lado, presume-se que cerca de 35.000 atas de contagem foram modificadas.

 

 

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