China mantém cerca de mil espiões no Canadá, afirmam desertores chineses

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Dois desertores chineses afirmam que o governo chinês tem uma rede de mais de 1.000 espiões e informantes no Canadá. Os dois eram diplomatas na Austrália, onde buscaram asilo político. Eles dizem que a Austrália e outros países com grande número de imigrantes chineses, como os EUA, também têm redes de espionagem chinesas operando a todo vapor.

Os desertores afirmam que estes agentes secretos receberam ordens para roubar segredos comerciais e científicos, além de destruir cultos do Falun Gong em território estrangeiro (que, por ter se tornado popular como prática religiosa chinesa, pode voltar para assombrar o PCC com a abominável independência em relação ao Estado e as suas inevitáveis revoltas)2.

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Em 1999, inclusive, a prática do Falun Gong foi declarada como herética pelo PCC, porque ela “ameaçava a estabilidade” social e institucional da China. Esta declaração foi seguida da criação do “Escritório 610”, especializado em perseguir o Falun Gong no mundo inteiro.

O nome dos desertores são Chen Yongleen, que foi primeiro-secretário do Consulado Chinês em Sydney, e Hao Fengjing, um oficial de baixa patente da inteligência chinesa. Eles alegam que o Canadá tem mais espiões chineses do que qualquer outro país do mundo.

O analista Michel Juneau-Katsuya da CSIS confirma: “se as agências de inteligência do Canadá não estivessem tão preocupadas com o terrorismo islâmico, elas perceberiam que a maior ameaça à segurança canadense vem da China”. Ameaça, em especial, a dados científicos e comerciais. “Estimamos no CSIS que estamos perdendo 1 bilhão de dólares por mês (…) para a espionagem industrial”3.

Para a surpresa do leitor, esta notícia tão importante é de 2005. Qual seria o número atual destes agentes operando hoje em todo o mundo? O livro “O Serviço Secreto Chinês” afirma, logo em sua sinopse, que a China tinha 2 MILHÕES de agentes secretos em 2008 (ocasião das Olimpíadas de Pequim).

Os desertores poderiam ter conhecimento direto de vários agentes operando em instituições e cargos conhecidos por eles; mas, contrastando a enorme diferença entre o número revelado pelos desertores com o número total de agentes secretos, quantos departamentos eles deixaram passar em sua contagem? Teria o Ocidente conhecimento suficiente do problema para criar uma maior e melhor rede de contrainteligência para proteger as suas riquezas?

Como ficou evidente aqui, se depender da grande mídia, com certeza não. Haveria uma falta de interesse em reportar espionagem? Ou o Snowden provou que este interesse é, na verdade, seletivo? Este é mais um episódio da série de barbáries das “hidden news” (notícias ocultadas, uma modalidade de maldades midiáticas, cuja mais famosa hoje é a “fake news” [notícias falsas]). Deixar o seu espectador do escuro é a sua especialidade.

Que Deus nos ajude a criar jornalistas independentes que realmente fazem da sua profissão um farol em meio a tanta confusão! O Brasil realmente precisa acordar para se proteger dos tubarões do poder soltos pelo mundo…


Por Renato Rabelo, pesquisador independente de inteligência militar, tradutor e aluno do Curso Online de Filosofia de Olavo de Carvalho.


FONTES

[1] Link da notícia original: https://www.cbc.ca/news/canada/defectors-say-china-running-1-000-spies-in-canada-1.557085.

[2] Ao estudar tiranias do passado, é possível reconhecer o mesmo padrão de desconfiança chinesa no antiguíssimo registro da expulsão do patriarca Isaque do país de “Gerar”, dos filisteus. O rei Abimeleque justificou esta expulsão por Isaque ter se tornado “(…) muito mais poderoso (…) do que nós” (Gênesis 26:16). A censura, segundo a passagem, vinha da inveja dos filisteus da prosperidade de Isaque, e do seu subsequente medo de mudança de governantes.

Ainda assim, a tirania dos filisteus buscou a diplomacia quando Isaque estava em terras estrangeiras (Gênesis 26:29), fazendo desta tirania um regime quase generoso perto da cruel perseguição internacional que os chineses perpetuam sobre os seus inimigos.

Abrir a ampla concorrência e ser melhor do que os seus oponentes, sem ferir a sua existência, é impensável para qualquer que seja o invejoso.

[3] A China é responsável pela maior parte do suprimento de munições do ISIS. Segue o link da informação: https://www.forbes.com/sites/niallmccarthy/2017/12/18/the-origin-countries-of-isis-weaponry-infographic/#3afc66062a5a.

 

 

 

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