Nestor Forster refuta artigo de Mônica de Bolle sobre previsões para Amazônia e governo Bolsonaro

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O diplomata Nestor Forster refutou no último dia 25/10, com carta em inglês, diversas afirmações e análises de recente artigo da Dra. Mônica de Bolle lançado como publicação do Peterson Institute.

Forster descreve em sua carta que o artigo da Dra. Mônica apresenta imprecisões e parece desconhecer a realidade brasileira e ambiental da Amazônia. Monica de Bolle é colunista do jornal Estadão atua como pesquisadora sênior do Peterson Institute for International Economics (PIIE) desde 2017.

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O PIIE é uma ONG dedicada a pesquisas econômicas internacionais e atua com financiamento de fundações e empresas. Entre 2010 e 2018 recebeu doações da The Estate of David Rockefeller, Open Society, Fundação Ford, Chevron Corporation e Exxon Mobil (ramo de petróleo), Ford Motors, Huawei Technologies, Microsoft, GE, Google, McKinsey & Company, JP Morgan e diversos outras em extensa lista.

Confira a carta de Nestor Forster traduzida:


Washington, D.C., 25 de outubro de 2019.

Caro Dr. Adam Posen,

A matéria do PIIE (Peterson Institute for International Economics) intitulada “A Amazônia é uma bomba de carbono: como o Brasil e o mundo podem trabalhar juntos para evitar o seu fim“, de autoria da Dra. Mônica de Bolle, contém muitas declarações imprecisas sobre a Amazônia e o sobre as políticas públicas do Governo do Brasi, para promover o desenvolvimento sustentável na região.

A Dra. De Bolle afirma que as agências ambientais brasileiras foram “deliberadamente enfraquecidas”, embora ela própria admita que uma “profunda recessão econômica” no Brasil impactou o orçamento ambiental. De fato, como o governo brasileiro implementou cortes horizontais no orçamento no primeiro semestre de 2019, em resposta a um grave déficit fiscal, as reduções no orçamento do Ministério do Meio Ambiente (24%) foram inferiores à média de todos os ministérios (32%) . Os ministérios que sofreram cortes significativamente mais altos incluem Defesa (43,5%) e Economia (34,8%), por exemplo.

Além disso, o presidente Bolsonaro liderou pessoalmente uma campanha inédita para combater os incêndios na Amazônia, lançando a “Operação Brasil Verde”, que mobilizou 43.000 militares e 2.500 bombeiros, para os quais foram disponibilizados 86 milhões de dólares. Até agora, a operação (primeira do gênero no Brasil), extinguiu mais de 1.700 incêndios, aplicou quase 20 milhões de dólares em multas e prendeu 109 pessoas. Relatórios preliminares do Instituto Nacional de Pesquisas Espaciais (INPE) mostram que, graças a esses esforços, o número de incêndios ativos em setembro (19.925) foi 19,6% menor que o registrado no mesmo período de 2018 (24.803), tornando-o a maior queda mensal desde 1998, quando essas estatísticas começaram a ser produzidas. Foi também o menor número de incêndios no mês desde 2013.

O autor também utiliza dados inadequados sobre o desmatamento na Amazônia, pois as estatísticas oficiais do INPE sobre desmatamento ainda não foram publicadas. Com base nisso, ela prevê, de maneira pretensiosa, que a Amazônia atingirá um ponto de inflexão, após o qual a floresta desaparecerá irreversivelmente, a partir de 2021. Deve-se afirmar que o próprio conceito de um ponto de inflexão para a Amazônia está longe de ser ciência consensual, mas mesmo aqueles que acreditam nela, como o cientista brasileiro Carlos Nobre, um dos pioneiros no assunto, estimam que esse fenômeno levaria pelo menos 20 a 30 anos (e não três!) para se materializar nas atuais taxas de desmatamento.

O Dr. de Bolle parece não entender o assunto ao discutir a recusa do governo brasileiro dos 20 milhões de dólares oferecidos pelo G-7 para ajudar a financiar a preservação da Amazônia. De fato, o Governo do Brasil recebe contribuições financeiras para a preservação de florestas tropicais, incluindo a Amazônia. Esses fundos, no entanto, precisam ser totalmente compatíveis com a soberania e a lei nacionais e respeitar as prioridades dos países receptores. É importante lembrar que os países desenvolvidos ainda precisam cumprir suas promessas feitas sob regimes multilaterais, como REDD+ e o Clean Development Mechanism MDL – Mecanismo de Desenvolvimento Limpo) do Protocolo de Kyoto, segundo o qual é devido ao Brasil 30 bilhões de dólares e 2,5 bilhões, respectivamente.

A proteção da Amazônia é uma das principais prioridades do governo brasileiro, mas esse objetivo só pode ser alcançado por meio de uma estratégia de desenvolvimento sustentável que lide simultaneamente com aspectos sociais, econômicos e ambientais dos desafios da região, em benefício dos 25 milhões de brasileiros que vivem na Amazônia. O setor privado e de inovação têm um papel fundamental a desempenhar nesse processo, e o Instituto Peterson de Economia Internacional pode contribuir significativamente para essa discussão, especialmente com insights sobre comércio internacional e competitividade do povo e das empresas amazônicas. A Embaixada do Brasil permanece disponível para esclarecer qualquer dúvida e fornecer mais informações sobre as políticas ambientais sendo implementadas no Brasil.

Nestor Forster Jr. Encarregado de Negócios


Tradução: Josair Bastos, para Estudos Nacionais. Colaborou: Marlon Derosa.

 

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