Fake News: a engenharia por trás da mentira organizada

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Desde que Donald Trump utilizou para classificar a CNN, durante a campanha, o termo fake news vem sendo apropriado pelos próprios ofendidos para devolver o rótulo de maneira sistemática e organizada, tendo como base o conceito expresso no influente artigo The Science of fake news, que conceitua o fenômeno como a “mentira politicamente orientada”, ou seja, conteúdo de direita ou conservador. Desde que se tornou evidente a prática do Facebook e Twitter de perseguir vozes anti-establishment nos EUA e no Brasil, não é mais possível negar que o termo fake news é definido pela esquerda. E é de lá que os jornais importam o seu significado, assim como setores da política tradicional.

Definido pela esquerda, o termo fake news ganhou os jornais e chegou à magistratura e o Legislativo. Com a CPMI das Fake news, os setores conservadores que ganharam voz com a eleição de Jair Bolsonaro temem a instalação de um aparato de censura e perseguição por meio do judiciário. Mais do que isso: a comissão pretende punir qualquer cidadão que compartilhe conteúdo considerado falso, uma prática muito comum em países com tradição de controlar ativamente a opinião pública, como China e Rússia.

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As redes sociais são a principal preocupação dos censores atuais. A grande transformação da internet nas últimas décadas trouxe um crescimento assustador da participação da sociedade na política, uma ampliação do debate político que alcançou as massas populares. Mas o que deveria ser motivo de comemoração dos apóstolos da pluralidade, porém, vem causando medo em quem sempre teve o controle das informações.

O problema das “bolhas”

Uma das justificativas para a repentina “histeria pela verdade”, é a preocupação com as chamadas “bolhas” de opinião ocasionadas pelas redes sociais, o que na visão de especialistas em mídia, vem causando radicalização e polarização política no mundo. Se as pessoas estão se encontrando nas chamadas bolhas, é porque antes não encontravam facilmente quem pensasse como elas, sendo tragadas pelo efeito de espirais de silêncio, devido o medo do isolamento social. Este foi o efeito da descentralização da comunicação. A mídia centralizada tradicional criava a situação constante de ameaça de isolamento social em uma sociedade de opiniões vistas como majoritárias. Os barões da mídia querem que isso retorne o quanto antes, pois a descentralização, segundo eles, “ameaça a democracia”.

Aliados a partidos, movimentos organizados e entidades da esquerda internacional, os gigantes da mídia vêm utilizando seu poder para impor censura a ideias contrárias. A participação livre nas redes sociais acabou criando obstáculos para a construção de uma nova ordem e a população passou a apoiar espontaneamente políticos conservadores que prometem enfrentar os monopólios da mídia e da política tradicional, uma situação contra a qual os gigantes já vêm buscando saídas.

No Brasil, as manifestações de 2013 culminaram em um processo de retomada da consciência política por parte das massas, que afinal elegeram Jair Bolsonaro, passando pelo Impeachment de Dilma Rousseff, que representou o início da queda da esquerda na América Latina. Manifestações contra exposições artísticas impróprias, além de diversos outros episódios acenderam o alerta para os riscos políticos e econômicos que corriam os barões da esquerda, resultado da liberdade que vem das redes sociais.

O tema do controle social da mídia, que culmina no controle total da internet, já é tema tradicional nos debates da esquerda, embora só recentemente tenha ganhado os contornos de censura. Técnicas de sabotagem da informação, construções narrativas que traduzissem a crítica marxista em “chave democrática” já vinham sendo estudados, como as críticas ao modelo tradicional do jornalismo, que se pautava no livre fluxo de informação, dispensável diante das novas formas de “conscientização” através do uso de relatos singulares no jornalismo, versão midiática da “micro-história”, nos quais a reportagem utiliza personagens não apenas para a função de singularidade, mas de representatividade. Reportagens sobre minorias viraram moda nas redações e os próprios financiadores das redes de militância concediam prêmios e condecorações.

Com a mudança do eixo definidor de pautas, que veio a reboque da transformação do modelo de negócio, das empresas para as ONGs, o jornalismo se tornou instrumento de agendas internacionais cuja abrangência não podia mais ser captada pelo ceticismo tradicional do faro jornalístico. A teoria do agenda-setting nunca foi tão atual: para a geração de debates públicos sobre temas caros aos movimentos, bastava o enquadramento do tema à predisposição da sociedade no seu “estágio revolucionário”, usando os estudos de recepção para embasar técnicas de manipulação da opinião. Os definidores estão acima dos repórteres e editores e a definição vai além da pauta: abarca o critério.

Ressurgimento do conservadorismo

Deveria ter sido prevista uma certa desconfiança diante da homogeneização total dos discursos. Nos EUA, Brasil, e Europa, movimentos conservadores, alguns radicais anti-establishment, renovam suas expectativas a cada pleito. Brexit e outros movimentos crescem a olhos vistos. Mas os jornais já têm a narrativa pronta: trata-se de uma disfunção social, um problema a ser resolvido. O enigma a ser desvendado ainda é chamado de “fake news”.

Esquerdas nacionais e globais unem-se em objetivos comuns. Se de um lado os partidos de esquerda representam a revolução total e escatológica, no sentido de uma ruptura com a cultura ocidental para o “fim da história”, a esquerda internacional encarna o outro aspecto da dialética, o retorno à continuidade humanista de uma esperança pacifista: a nova ordem global. Utopias tecnicistas e cientificistas anseiam o controle dos recursos naturais (ambientalismo) e da população (aborto e gênero), por meio de um planejamento detalhado das economias globais, como fica evidente na Agenda 2030.

Mas nenhuma dessas etapas será cumprida sem um controle seguro da difusão dos discursos que irão dar o significado aos termos em debate para que o debate caminhe na direção imaginada.

A vitória do Presidente Donald Trump, nos EUA, e de Jair Bolsonaro, no Brasil, têm contribuído ainda mais para um alinhamento entre as forças políticas da esquerda regional que ambiciona retornar ao poder, juntamente com as forças globais que desejam o controle dos discursos. A preocupação do bilionário George Soros, com o que ele chamou de “narrativas falsas” que estariam dominando a América Latina, em um post no seu Twitter, deixa claro quem está perdendo com o crescimento da liberdade de informação e opinião.

Há algum tempo, o Facebook, de Mark Zuckerberg, vem censurando ativamente perfis e páginas que contrariem os ideais que a empresa compartilha com a agenda LGBT, feminismo, aborto, migração e diversidade. O que todos já suspeitavam, começou a aparecer ao final de 2017, quando dono do Facebook anunciou que passará a destinar milhões de dólares anualmente aos projetos da Fundação Bill e Melinda Gates, outra gigante que destina sua atividade para a promoção do aborto e controle populacional no mundo.

A ligação de Zuckerberg com o casal Gates também indica sua ligação com o bilionário Warren Buffet, que apesar de ter sua própria fundação filantrópica (Susie Thompson Foundation), destina maior parte de sua fortuna para Fundação Bill e Melinda Gates, por conta da competência ímpar da Fundação Gates nos programas de planejamento familiar realizados na África.

Buffet não deixa de ser um protagonista importante. Ele tem altíssima influência nos meios de comunicação e no meio empresarial internacional, sendo sócio com 23% do capital do The Washington Post nos EUA, sócio com 16% do capital da agência de notícias NBC, 8,92% da Coca-Cola e a 4,57% da Liberty Media (também no ramo de comunicação), além de bancos e empresas na área da saúde. A Coca-Cola tem investido em campanhas de promoção da Ideologia de Gênero e outras causas progressistas.

Fact-checking, a caça às bruxas

Em 2015, o Facebook anunciou a criação de uma estrutura de checagem de fake news, chamado IFCN (International Fact-Checking Network). A IFCN seria uma organização isenta e responsável por avaliar as notícias e informações na rede social e, se constatada que é fake news, deve retirar do ar. Mas se formos um pouco mais a fundo nas relações dessa entidade, chegamos facilmente a um nome já mencionado nesta matéria: a IFCN foi criada pelas organizações National Endowment for Democracy e Omidyar Network, em uma parceria com a Open Society Foundations, a famosa ONG de George Soros.

Apenas em 2016, a fundação de George Soros e a Omidyard injetaram 1,3 milhão de dólares na IFCN para regular as fake news. Para operar, a IFCN conta com dezenas de parceiros em vários países do mundo. No Brasil, seus parceiros são a Agência Pública, Agência Lupa e o site Aos Fatos.

A organização Aos Fatos atua no Brasil há alguns anos, tendo atuado na checagem de dados nas eleições de 2016. Para as eleições de 2018, contou com um robô de checagem de fake news, em parceria com o Facebook.

Já a Agência Lupa é um departamento do site da famosa revista ‘Piauí’. Hoje a revista e o site da piauí fazem parte do grupo UOL, dentro do site da Folha de S. Paulo. É nesse contexto que se criou a Agência Lupa, responsável por dizer ao Facebook que o seu perfil ou página pratica fake News, subsidiando a censura e o controle do que pode ou não ser dito na internet. A isso se dá o nome de “checagem de fatos” (fact-checking).

O bilionário George Soros, que doou pelo menos 25 milhões de dólares para campanha de Hillary Clinton, definitivamente não ficou contente com a vitória de Donald Trump, tampouco com a queda da esquerda no Brasil. Soros tem ligações comprovadas no Brasil por meio do projeto Alerta Democrático, que tem entre seus integrantes o ex-BBB deputado Jean Wyllys e Pedro Abramovay (PT). Também comanda sites de observadores midiáticos como a Agência Pública e o Observatório da Imprensa, por meio de sua entidade Open Society. O bilionário mantém sua influência nos maiores jornais do mundo por meio do site Project Syndicate (PS), criado por ele. O Syndicate é uma “agência de opinião”, com colunistas como Jimmy Carter, Tony Blair, Peter Singer e outros políticos e intelectuais de grande influência. Editoriais do mundo inteiro são feitos com base nas opiniões dos colunistas desse site, mantido pela Open Society. O PS realiza o sonho do jornalista Walter Lippmann, que em 1922, recomendou que “as opiniões fossem organizadas para a imprensa e não pela imprensa”, como era feito então.

Embora Soros compartilhe interesses com Buffet, Bill e Melinda Gates e Zuckerberg, recentes notícias pareciam caracterizar um clima de guerra entre Soros e o Facebook. Soros afirmou que tanto Google como o Facebook estariam tendo um monopólio da informação e portanto deveriam ser controlados ou censurados. Parece que todo o controle da informação exercido pelo Facebook tem se mostrado insuficiente diante da iminente queda das esquerdas pelo mundo. Soros não gosta da versão livre do Facebook.

A solução para o problema enfrentado pelos grandes veículos, que há décadas sofrem com a vertiginosa queda de credibilidade, veio a calhar: o rótulo fake news, popularizado por Trump durante as eleições, está sendo usado em favor do próprio establishment midiático que detém o controle do fluxo das informações. Todo canal, página, site ou blog que “furar” a mídia, isto é, que divulgar informações sonegadas por eles, será fatalmente carimbado e estereotipado com o rótulo que ninguém quer. A Folha de São Paulo divulgou uma lista de sites confiáveis e outra dos não confiáveis, praticantes de fake news.

Recentemente, analistas do jornal El País manifestaram temor pelas consequências da democratização da mídia. Para eles, o fake news é uma ameaça “não só para a imprensa livre, mas para a própria democracia”.

Evidentemente, para comprovar sua análise, utiliza exemplos escabrosos, de mentiras que foram difundidas por sites irresponsáveis. Afinal, a existência de um problema muito previsível quando existe liberdade de informação, não pode ser usado para neutralizá-la. Para isso, é preciso usar de muita generalização e estereótipos, uma técnica retórica muito comum, para diagnosticar uma suposta epidemia de mentiras e assim desacreditar a totalidade dos sites e páginas de pequeno ou médio porte que estejam trazendo pautas inconvenientes para os grandes conglomerados da comunicação.

2018: a nova estratégia do Facebook

Mark Zuckerberg anunciou que uma das principais alterações feitas no Facebook para 2018 foi a priorização dos conteúdos relacionados a interações entre pessoas, em detrimento das notícias. Como consequência, “você verá menos conteúdo público, incluindo notícias, vídeos e posts de organizações”, explicou Zuckerberg. Mas a recente alteração do algoritmo preocupa também aos jornalistas. Para o diretor da Folha, com esse algoritmo o fake news ganha do jornalismo tradicional em compartilhamento e propagação nas redes sociais. A mudança buscava converter as redes sociais em uma via de mão única, que poderia facilmente ser usada para angariar apoio a causas e pautas de maneira controlada. Mas perdeu a capacidade de influenciar a sociedade a partir da rede social, pela difusão de informações, o que deveria ser feito por outros meios. A informação passa a ser um bem relativo no tempo da “pós-verdade”, termo que ficou na moda e significa o uso da informação, verdadeira ou falsa, para a legitimação de pautas e causas. O ativismo, mais do que nunca, vai ganhando mais credibilidade e a informação (ou a verdade) sendo relativizada em nome de conveniências.

 

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