Obstetra contra o aborto enfrenta campanha de linchamento virtual e até ameaça de morte

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Desde que se tornou conhecido por desconstruir narrativas pró-aborto e manipulações de número de morte materna por aborto, por meio de artigos e em participação na audiência pública do Supremo Tribunal Federal em 2018, o médico obstetra Dr. Raphael Câmara, doutor em ginecologia, vem enfrentando todo tipo de ataque por parte de defensores da legalização do aborto. Há alguns meses, sofreu ameaça de morte pelas redes sociais.

Agora em outubro, bastou o médico obter um pequeno espaço no jornal Folha de S. Paulo para se manifestar contrário à legalização do aborto, que os ataques recomeçaram. Os ataques vão desde comentários desrespeitosos em rede social com acusações infundadas sobre “conflito de interesse ideológico” até fanatismo religioso “sob o véu de cientificidade”. O médico comprova não haver conflito de interesse na sua posição e nem praticar qualquer religião.

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Imagem da tela, carta do leitor, Folha de S. Paulo.

Em uma das cartas de  leitores que a Folha de S. Paulo publicou em resposta ao artigo do Dr. Raphael Câmara, ele é acusado de ser “delegado” no Instituto Ilisp (Instituto Liberal de São Paulo), e ter sua posição definida por ideologia “liberal” e “de direita”.

O leitor tentou usar retórica para dizer que a posição do médico seria ideológica ao se opor ao aborto, ante a uma suposta vinculação ao Instituto. A Folha de S. Paulo investigou se ele tinha mesmo ligação com o Ilisp, em uma devassa na vida do obstetra, inclusive ligando para pessoas próximas a ele, mas não conseguiu encontrar qualquer vínculo. Frente a isso, o jornal julgou desnecessário dar qualquer espaço para esclarecer o fato. Ficam as perguntas: por que então o investigaram? Se houvesse algum vínculo, qual seria a conduta do veículo? A postura é indicativo de que a investigação do jornal só tinha a finalidade de reforçar a crítica feita por um leitor, mas não de esclarecer a acusação, comprovada como leviana.

São esperadas críticas via carta do leitor em qualquer artigo de tema mais polêmico , mas campanhas orquestradas não são, e foi o que aconteceu por meio de grupos de WhatsApp de feministas defensores da liberação do aborto e médicos com esse viés. Uma das mensagens, a qual tivemos acesso, pedia-se o envio em massa com objetivo de “lotar a caixa de e-mail” da Folha de S. Paulo com críticas ao artigo do médico, bem como, para que alguém fizesse uma articulação junto a Febrasgo (Federação Brasileira das Associações de Ginecologia e Obstetrícia), contra a posição manifestada pelo médico, que representa maioria do povo brasileiro:

A Febrasgo, enquanto entidade, tem posicionamento oficial em favor da legalização do aborto, como foi exposto no STF e em diversos outros momentos. A entidade também é responsável por apoiar eventos com esse viés.

Imagem da tela, carta do leitor, Folha de S. Paulo.

Em outra carta à Folha, uma leitora ataca-o inferindo que o Dr. Raphael Câmara estivesse encobrindo “convicções religiosas sob o véu de cientificidade”.

O médico pró-vida já manifestou inúmeras vezes não ter qualquer prática ou convicção religiosa. Com o comentário da leitora, que também é médica e assina como professora vinculada à Fiocruz, ao invés de se concentrar em refutar dados apresentados no artigo, teve como foco aplicar-lhe um rótulo usado como forma de ataque à honra, tentando colocá-lo em descrédito. Mas a postura demonstra discriminação com pessoas que tenham convicção religiosa, trazendo a ideia de que se a pessoa é religiosa não estaria habilitada, qualificada ou creditada para tratar desse assunto, mesmo que use dados científicos. Tal postura, embora frequente nesse meio, tenta cortar liberdades individuais daqueles que professam uma religião e viola o princípio do artigo quinto da Constituição Federal, é discriminatória e preconceituosa. A estratégia é comum entre defensores do aborto e visa calar ou desacreditar opositores para tentar retirá-los do debate e desviar o foco da argumentação apresentada.

Em contato com membros de grupos que professam diferentes religiões no Brasil, é confirmado que, de tanto utilizarem esse expediente contra religiosos, muitos cidadãos brasileiros param de manifestar sua opinião sobre o tema e até mudam de área de atuação, retirando-se do debate. A narrativa pró-aborto e anti-religiosa, apesar de falaciosa e anti-democrática, vem tendo eficácia ao servir de censura contra opositores da ideia do aborto legalizado. No caso em questão, a leitora errou o alvo. Mas se ele tivesse pratica religiosa? Seus argumentos, de ordem médica, técnica, deveriam ser desabonados? Seria como admitir que religiosos são cidadãos de segunda classe no Brasil.

O que é ser “delegado”?

Em relação a acusação do médico pró-vida ser “delegado” do Instituto Liberal de São Paulo, a Folha de S. Paulo alegou, em e-mail para o médico, que após ter conversado com o presidente do Ilisp foi informado que de fato não existe um cargo de “delegado” no instituto e não há qualquer ligação entre o médico e o Ilisp. A Folha argumentou considerar o termo “delegado” com valor semântico geral, no sentido de atuar como representante do Ilisp no STF.  Ocorre que o médico também não representava o Ilisp na audiência, mas foi apenas indicado pelo Ilisp e por diversas pessoas físicas, conforme é comprovado na fala da ministra Rosa Weber, durante a audiência pública de agosto de 2018, devidamente registrada em transcrição no site do STF, conforme abaixo:

De fato, o Dr. Raphael fugiu à regra geral de grande parte dos expositores da audiência, já que a maioria representava alguma ONG ou entidade. Mas vale ressaltar que a participação de um profissional desvinculado de qualquer entidade estava prevista nas regras da audiência, mas nenhum outro caso teria sido enquadrado dessa forma, até onde se sabe. Além disso, no sumário da transcrição da audiência pública a participação do médico é identificada como membro da UFRJ, por ele ser coordenador na residência médica da Universidade. Na lista de expositores do sumário, todos são identificados pela entidade que representam e no caso dele, houve essa pequena confusão, que vinculava ele a UFRJ, e não ao Ilisp. A ressalva feita na fala da ministra Rosa Weber (imagem acima) mostra exatamente que nenhuma entidade oficialmente enviou o médico, nem bancou seus custos de viagem, que saíram dos recursos pessoais do médico. A sua participação foi uma iniciativa pessoal e ética, e para ser aceito na audiência, contou com apoio de pessoas avulsas e do Ilisp, via internet, na forma de manifestação de apoio por e-mail e mensagens por redes sociais.

A tática do ataque pessoal que não deu certo

A tática do leitor que o acusou de ser ligado ao Ilisp é simples e frequente nesse debate. O objetivo também é tentar colocar em descrédito a opinião do outro, sem precisar rebater os argumentos por ele apresentado. Sempre apela-se a algo que, em tese, colocaria o autor do artigo sob suspeita de um suposto conflito de interesse ideológico.

Não deu certo por diversos motivos, mas se houvesse de fato vinculação formal, isso nada mudaria e nenhum descrédito caberia ao artigo do médico, afinal, o outro lado sempre se vincula a entidades ideológicas. Pior ainda, nesse caso, a acusação é de adesão à ideias liberais, mas liberais se dividem fortemente entre os contrários e favoráveis ao aborto legalizado, não sendo um consenso, como ocorre em grupo de conservadores. A crítica do leitor sequer respeita uma lógica interna.

Pode-se imaginar que, se tal debate fosse continuado, é provável que o leitor favorável ao aborto evocasse alguns dos inúmeros estudos publicados pelo Instituto Guttmacher. Mas a entidade foi fundada pela maior clínica de abortos do mundo e que leva o nome de Alan Frank Guttmacher, ex-presidente da mesma clínica. A verdade é que seria bem melhor para os defensores da liberação do aborto, que a ideia de conflito de interesse ideológico não fosse colocada em pauta no debate, pois isso complicaria em muito o lado deles, já que defendem questões que vão ao encontro do interesse da indústria do aborto e toda a narrativa pró-aborto está baseada nas mais radicais vertentes da ideologia feminista, bem como socialistas, eugenista, controlista e suas variantes.

O episódio da audiência pública, pano de fundo da crítica de “conflito de interesses”, ficou para a história de como o lobby pró-aborto se articula e financia a agenda no Brasil. A audiência pública ocorreu em agosto de 2018 no STF, no âmbito da ação ADPF442, e contou com apenas 17 representações contra a legalização e 30 representações a favor da legalização, em uma disparidade que saltou aos olhos. Entre as 30 entidades pró-aborto, 16 delas eram beneficiárias de vultosos financiamentos internacionais, e teve até espaço para expositor que responde por ONG que viabiliza medicamento abortivo ilegal no Brasil, todos sendo ouvidos pelos ministros como amicus curiae (amigos da Corte).

Fica caracterizado o expediente do debate: defensores da legalização abandonam argumentos de saúde pública e partem para acusações, agressões verbais e rotulações contra a honra e a imagem, gozando de apoio dos maiores veículos de comunicação, no claro intuito de fazer o defensor da vida desistir da luta. Deve ser por isso que o Dr. Raphael Câmara é um dos poucos médicos que se manifesta publicamente contra o aborto em veículos de comunicação, enquanto que se estima, conforme reclamações de defensores do aborto comprovam, que beira os 80 a 90% o percentual de médicos que se nega a realizar um aborto no SUS, mesmo em caso de estupro. O que se vê é que boa parte dos médicos, assim como todos os que praticam alguma religião, estão sendo calados por todos os ataques ardiloso feitos por um pequeno grupo barulhento.

 

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