Esquerda, arte e poder: um exemplo

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Andei assistindo a série De Lá, Pra Cá da TV Brasil. Trata-se de um conjunto de documentários, exibidos entre 2008 e 2014 – final do governo Lula e início do de Dilma –, cuja finalidade era apresentar a vida e a obra dos grandes artistas e intelectuais da nossa história.

Até aí, maravilha. O entretanto começa com os apresentadores, sobretudo o apresentador. A atração, enquanto existiu, era comandada pela dupla Vera Barros, atualmente líder do programa Sem Censura, da mesma TV Brasil, e Anselmo Gois, ex-agente da KGB (conquanto Vladmir Putin tenha dito que não existe isso de ex-KGB). Ambos flagrantemente esquerdistas.

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Daí a coisa funcionava da seguinte maneira. A produção convidava sumidades da academia e das artes para falarem de suas pesquisas ou de suas impressões sobre a personalidade apreciada do dia. E os convidados, uns mais, outros menos, eram, pelo menos na abordagem das questões, igualmente esquerdistas. Sempre.

Eu, mais interessado em literatura, vi os episódios sobre Graciliano Ramos, Lima Barreto, Cecília Meirelles, José Lins do Rêgo, Carlos Drummond Andrade, Jorge Amado, Vinícius de Moraes, Cruz e Souza e Castro Alves. O esquema era igual. Especialistas sérios e renomados destacando, acima de tudo, o engajamento político-social do escritor, suas bandeiras ideológicas – existentes ou inventadas –, sua luta pelas minorias, o protagonismo do Lima como negro, o da Cecília como mulher, a discriminação, a adesão ao socialismo etc.

Só que tudo isto – e aqui está o truque – sem pesar a mão. Tudo na sutileza, com ar inteligente, tudo numa prosa gostosa, leve, informativa, coisa que dá vontade de ver de novo, coisa que passa credibilidade.

Pois veja: a esquerda, usando um canal estatal, bancado com verba pública, fez um programa interessantíssimo, de qualidade mesmo, capaz de convencer qualquer jovenzinho minimamente interessado em literatura que todos os gênios da nossa língua, gente graúda e célebre, são, de uma forma ou de outra, esquerdistas, progressistas, revolucionários. E isso está lá, eternizado no YouTube, livre e gratuito para quem queira assistir.

Uma coisa dessas – e existem várias iniciativas semelhantes – tem um efeito cultural devastador e o efeito político desejado pelo grupo que o manobra.

É este o modus operandi dos esquerdistas. Isto os levou ao poder.

Enquanto isso, os direitistas – liberais, conservadores e arrivistas –, tão logo chegaram lá começaram, um com mais afetação de bondade e nobreza que o outro, a se boicotar e se escoiçar publicamente para que fulano seu colega não possa fazer um filme com lei de incentivo ou para que beltrano seu amigo não possa fazer um congresso com fundo partidário. Tudo coisa imoral, coisa a que eles não se prestam.

No fim, pela meritocracia, a esquerda é que deveria estar no poder.

 

 

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