Nova Teologia da Libertação: assista a entrevista do professor Julio de Izcue por Bernardo Küster

2
foto: reprodução youtube

Na base da teologia da libertação (TL) havia uma dialética que alegava defender os pobres. Essa dialética incentivava uma prática marxista de confronto entre pobres e ricos. Não era qualquer pobre, mas o pobre dentro do contexto da luta de classes que interessava à agenda da TL, o pobre enquanto instrumento à revolução de base marxista.

Ao prever a queda da União Soviética e o insucesso da agenda comunista, os teólogos alinhados à ideologia marxista adaptaram sua dialética inserindo novas práticas à guerra cultural. Da instrumentalização das classes “economicamente pobres”, passariam à instrumentalização de todas as “classes oprimidas” existentes na sociedade. O confronto passou a ser entre negros e brancos, mulheres e homens, homossexuais e heterossexuais, etc. Os novos “sujeitos históricos”, os novos pobres, seriam pessoas inseridas em certos grupos de oprimidos, sempre instigados a exigir algum direito que outro grupo “opressor” deveria comprometer-se.

Dentro dessa nova variedade de luta de classes, nasceu diferentes teologias, como a teologia queer (com o teólogo Robert Goss como um dos precursores através do livro “Jesus acted up” – 1993), a teologia feminista, teologia indígena, teologia pública, dentre outras.

Por conta da variedade de teologias produzidas direta ou indiretamente pela teologia da libertação, era necessário priorizar algo que fosse mais próximo ao marxismo. Nesse contexto, os teólogos começaram a inserir a teologia da libertação (que originou-se na Alemanha) na cultura indígena (cultura que já estava sendo influenciada pelo marxismo há décadas) dando especial atenção ao indigenismo na América Latina.

Um dos expoentes na propagação da teologia indígena foi o bispo mexicano Dom Samuel Ruiz García, um dos bispos mais ativos na Segunda Conferência Geral do Episcopado Latino-Americano, realizado em Medellín, Colômbia, no ano de 1968. Segundo Igor Andreo, em entrevista para o site Unissonos:

“As ações de Dom Samuel Ruiz após a Conferência de Medellín, “o tornaram o principal expoente hierárquico da busca pela ‘encarnação’ do catolicismo em culturas nativas, no intuito de formação de Igrejas autóctones, isto é, grosso modo, conformadas a partir das idiossincrasias étnico-culturais de seus próprios fiéis locais, o que, entre outros fatores, deu origem à chamada ‘Teologia Indígena’”.

As mudanças de rumo no ativismo da Teologia da Libertação, passando da defesa ferrenha aos “pobres em revolução” até chegar à defesa de ideologias ecologistas é facilmente verificável quando olhamos para o expoente da teologia da libertação no Brasil, o ex-frei Leonardo Boff (pseudônimo de Genézio Darci Boff), que adotou rapidamente a cor verde da natureza como sua principal bandeira.

Leonardo Boff  tem enfatizado em suas redes sociais que seria necessário declarar a Amazônia “Santuário Intangível da Casa Comum”. Com frases de efeito como “Um índio vale mais do que uma Catedral”, o ex-frade defende, veementemente, que toda a região amazônica, situada em nove países, seja considerada uma espécie de “terra santa”, onde o único santuário possível a ser criado provém da própria “mãe terra” (gaia), sem espaços para qualquer tipo de santuários católicos, de pedra e vitrais.

Ainda que a teologia indígena esteja no centro de atenção no momento, a roupagem a qual a TL tenta reviver vai além, como nas chamadas teologias negra, de gênero, queer, etc. As quais são favorecidas pelo apoio de centenas de ONGs e muitas autoridades públicas. A libertação da qual os teólogos da TL querem impor à sociedade perpassa todos os aspectos da vida humana.

Por fim, temos a seguinte questão: uma vez que os teólogos da libertação buscam libertar-se de tudo, onde está o limite de tal libertação? Uma vez que a natureza possui suas leis (como a lei da gravidade) seria necessário, para a TL, buscar a libertação da própria natureza, surgindo daí uma certa “psicose ambientalista” (como sugere o título do livro de Dom Bertrand de Orleans e Bragança).

Outra questão importante a ser considerada em relação a nova teologia da libertação é o fato de que ainda há tribos realizando rituais em que crianças são enterradas vivas. Como disse Damares Alves (Ministra da Mulher, da Família e dos Direitos Humanos):

 “nós temos trezentos e cinco povos indígenas no Brasil, em torno de vinte ainda matam suas crianças. Matam quando nascem com alguma deficiência ou quando adquirem a deficiência, por exemplo, que se descobre com quatro, cinco meses, ou seis, que a criança é surda.”

Neste momento em que ocorre o Sínodo da Amazônia, essas questões que envolvem a nova teologia da libertação são discutidas e causam uma divisão de opiniões entre os católicos do mundo todo, com manifestações de bispos, que afirmam a preocupação de que o Sínodo provoque uma possível ruptura com a Tradição, e de outro lado, bispos que consideram as questões defendidas pela TL como algo a ser posto em prática.

O jornalista Bernardo Küster, que cobre o Sínodo da Amazônia em Roma (que teve início no dia 06 de outubro, com previsão de durar três semanas), entrevistou o professor peruano Julio Loredo de Izcue, que resume a nova teologia da libertação. Assista à entrevista:

2
Deixe um comentário

avatar
2 Comment threads
0 Thread replies
0 Followers
 
Most reacted comment
Hottest comment thread
2 Comment authors
Orgasmo de CavaloLobo Recent comment authors
  Subscribe  
Notify of
Lobo
Visitante
Lobo

Sempre os alemães …….. affff

Orgasmo de Cavalo
Visitante
Orgasmo de Cavalo

Esse Bernardo Kuster é simplesmente ridículo! Esse mongol parece o Rabicó do Sítio do Picapau Amarelo, que otário! Aliás a extrema direita possui figuras bizarras e esquisitas, começando pelo guru do Bozonazista, o velho decrépito que usa fraldão geriátrico e não possui ensino fundamental completo que é o doente mental Olavo de Carvalho, o filósofo da quinta série.