Bolsonaro na ONU (Parte III): presidente reafirma preocupação ambiental, mas pede respeito à nossa soberania

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Foto: Alan Santos/Agência Brasil
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Amazônia e Soberania Nacional

Como não podia deixar de ser, a maior parte do discurso ficou reservado à questão amazônica e à discussão ambiental que ela enseja.

E a fala de hoje seguiu uma linha de continuidade e coerência com as respostas recentes do governo às pressões globais que se formaram, vale dizer, pela boataria histérica que alardeara um fogaréu, tão irresistível quanto imaginário, que estaria consumindo nossas matas, de uma vez para sempre, enquanto Bolsonaro assistia ao campeonato brasileiro.

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Demais, o presidente apostou numa toada argumentativa que abarca mesmo o discurso da extrema-esquerda: a questão da soberania nacional versus o intervencionismo europeu-colonialista, colocando em relevo, para tal, as falas no mínimo infelizes de Emmanuel Macron quando da polêmica das queimadas, mês passado.

Em tópicos, Bolsonaro:

  • Ressaltou a soberania nacional:

Problemas qualquer país os tem. Contudo, os ataques sensacionalistas que sofremos por grande parte da mídia internacional devido aos focos de incêndio na Amazônia despertaram nosso sentimento patriótico.

Quero reafirmar minha posição de que qualquer iniciativa de ajuda ou apoio à preservação da Floresta Amazônica, ou de outros biomas, deve ser tratada em pleno respeito à soberania brasileira.

 

  • Demonstrou que o Brasil preserva mais que os país que o querem tutelar nas questões climáticas – citando nominalmente a França e a Alemanha – e desmentiu as falácias dos ecoterroristas:

É uma falácia dizer que a Amazônia é patrimônio da humanidade e um equívoco, como atestam os cientistas, afirmar que a nossa floresta é o pulmão do mundo.

O Brasil é um dos países mais ricos em biodiversidade e riquezas minerais.

Nossa Amazônia é maior que toda a Europa Ocidental e permanece praticamente intocada. Prova de que somos um dos países que mais protegem o meio ambiente.

Nesta época do ano, o clima seco e os ventos favorecem queimadas espontâneas e criminosas. Vale ressaltar que existem também queimadas praticadas por índios e populações locais, como parte de sua respectiva cultura e forma de sobrevivência.

Não podemos esquecer que o mundo necessita ser alimentado. A França e a Alemanha, por exemplo, usam mais de 50% de seus territórios para a agricultura, já o Brasil usa apenas 8% de terras para a produção de alimentos. 61% do nosso território é preservado!

  • Denunciou a mentalidade colonialista de líderes europeus, como Emmanuel Macron, presidente da França, e os interesses de ONGs internacionais pelas riquezas da região:

Valendo-se dessas falácias, um ou outro país, em vez de ajudar, embarcou nas mentiras da mídia e se portou de forma desrespeitosa, com espírito colonialista.

Questionaram aquilo que nos é mais sagrado: a nossa soberania!

Um deles por ocasião do encontro do G7 ousou sugerir aplicar sanções ao Brasil, sem sequer nos ouvir. Agradeço àqueles que não aceitaram levar adiante essa absurda proposta.

A Organização das Nações Unidas teve papel fundamental na superação do colonialismo e não pode aceitar que essa mentalidade regresse a estas salas e corredores, sob qualquer pretexto.

Também rechaçamos as tentativas de instrumentalizar a questão ambiental ou a política indigenista, em prol de interesses políticos e econômicos externos, em especial os disfarçados de boas intenções.

 

  • Leu, ao vivo, uma carta assinada por líderes de comunidades indígenas que apoiam a agenda de desenvolvimento sustentável da atual gestão – levando à público uma narrativa dos próprios índios, na figura de Ysany Kalapalo, que se contrapõe ao discurso mainstream do cacique pop Raoni Metuktire:

Existem, no Brasil, 225 povos indígenas, além de referências de 70 tribos vivendo em locais isolados. Cada povo ou tribo com seu cacique, sua cultura, suas tradições, seus costumes e principalmente sua forma de ver o mundo.

A visão de um líder indígena não representa a de todos os índios brasileiros. Muitas vezes alguns desses líderes, como o Cacique Raoni, são usados como peça de manobra por governos estrangeiros na sua guerra informacional para avançar seus interesses na Amazônia.

Em português claro, o presidente não afinou diante da plateia majoritariamente opositora, e reafirmou a posição soberanista e independente do Brasil.

Mostrou, ainda, que conhece bem o nosso território; indicou que abriu linhas de diálogo com as populações indígenas; e que quer buscar uma via de resolução a esse imbróglio do desenvolvimento sustentável: que não seja, porém, a do descaso ambiental irresponsável, alegado pelos seus opositores, nem a proposta que advoga que sirvamos de marionete nas mãos de gente que está preocupara com qualquer coisa, menos com o clima e com o índio brasileiro, como assinalou o presidente:

[…] os que nos atacam não estão preocupados com o ser humano índio, mas sim com as riquezas minerais e a biodiversidade existentes nessas áreas.

 

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