Bernie Sanders confirma aborto como ferramenta para controle populacional

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por Bruno de Lima Schönhofen

O senador americano Bernie Sanders, pré-candidato democrata à presidência dos EUA, em um recente programa especial de 7 horas sobre problemas climáticos na emissora CNN, o chamado “Climate crisis town hall“, transmitido em 04 de setembro de 2019, defendeu a difusão do aborto em todo o mundo como meio para reduzir o crescimento populacional, tendo em vista evitar problemas ambientais (1).

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A associação entre aborto e controle populacional, frequentemente discutida em ciclos internos e documentos de fundações internacionais, não é confessada habitualmente, o que faz da fala de Sanders um episódio notável no debate público americano.

“O crescimento da população humana mais do que duplicou nos últimos 50 anos”, afirmou uma participante do auditório do programa, enquanto lia as palavras em uma folha. “Eu percebo que isso é um assunto problemático para os políticos, mas é crucial encará-lo. Empoderar as mulheres e educar todos sobre a necessidade de refrear o crescimento populacional parece uma campanha bastante razoável para se empreender. Você seria corajoso o suficiente para discutir essa questão e fazer disso uma peça-chave de um plano para abordar a catástrofe climática?

“A resposta é sim”, confirmou o senador Bernie Sanders. E continuou: 

“E a resposta tem tudo a ver com o fato de que as mulheres, nos EUA, a propósito, têm o direito de controlar seus próprios corpos e fazer decisões reprodutivas. E o Acordo da Cidade do México, que nega financiamento americano a essas organizações mundo afora que permitem que mulheres tenham abortos ou mesmo se envolvam em controle de natividade, para mim é totalmente absurdo.”

Bernie acrescentou que apoia o uso do aborto como meio para controle populacional em países pobres:

“Então eu acho que especialmente em países pobres ao redor do mundo, onde as mulheres não necessariamente querem ter muitos bebês e onde elas podem ter a oportunidade através do controle de natividade de [controlar] o número de filhos que elas têm, algo que eu apoio, muito, muito fortemente” (sic).

Uma posição forte – e tida por alguns como até mesmo absolutista – a favor do aborto não é nada de novo para Sanders, que, em sua plataforma sobre aborto, defende a nomeação de juízes da Suprema Corte que não apenas manteriam a decisão Roe v. Wade, mas que a expandiriam, “perseguindo os estados” que restringissem o aborto de toda forma que fosse possível através da lei(2). O senador e pré-candidato defende também o financiamento federal ao aborto(3), e votou contra o atendimento médico a recém-nascidos que sobrevivam ao aborto(4).

A histórica dúvida entre lideranças feministas quanto à sinceridade do idealismo de globalistas e das fundações internacionais milionárias que financiam há décadas ONGs e movimentos feministas em todo o mundo parece ter recebido uma resposta definitiva, insuspeita e pública de um político célebre, defensor do aborto e membro do Partido Democrata, tradicionalmente vinculado ao establishment globalista.

Essa dúvida entre lideranças feministas quanto a estarem sendo enganadas e apenas usadas como ferramenta de engenharia social para a legalização do aborto e o controle populacional em diversos países é notadamente ilustrada pelo célebre momento em que a feminista histórica e ex-presidente da Católicas pelo Direito de Decidir (CDD), Frances Kissling, inquiriu, nos bastidores da Conferência sobre População, promovida pela ONU no Cairo em 1994, alguns dos organizadores do evento se eles ainda investiriam na “promoção dos direitos reprodutivos” se fosse provado que isso tivesse como resultado “um maior número de bebês”. Kissling não recebeu resposta de nenhum deles. O episódio é narrado, junto com outros detalhes sobre o movimento de controle populacional, na entrevista concedida por Frances Kissling a Rebecca Sharpless, em setembro de 2002, em Washington, DC(5).

Com o passar dos anos, como bem documentado no livro “O Império Ecológico”, de Pascal Bernardin, o ambientalismo incessantemente propagado na mídia e ensinado nas instituições de ensino em todo o mundo parece se consolidar como justificativa para soluções globais e para difundir medidas que reduzam a população mundial — bandeira muito querida entre os meios globalistas, ao menos desde a fundação do Population Council por John D. Rockefeller III, em 1952, junto de 26 especialistas em demografia, dentre os quais estavam cientistas que defenderam a eugenia(6).

A fala do senador Bernie Sanders foi recebida com fortes críticas, como a de Marjorie Dannenfelser, presidente da fundação Susan B. Anthony List.

“A repugnante ‘solução de Bernie Sanders para as mudanças climáticas – eliminar as crianças dos países mais pobres através do aborto, financiado com dólares de impostos dos americanos – deveria ser condenada por pessoas de todas as partes do espectro político”, afirmou. “Isso leva o extremismo dos democratas na defesa do aborto a uma decadência inédita. Todo pré-candidato democrata à presidência deveria ser imediatamente perguntado sobre sua posição quanto ao controle populacional eugenista, especialmente o favorito Joe Biden, à luz de seus comentários passados justificando a opressiva One-Child policy chinesa”(7).

Como é apontado por Calvin Freiburger(8), embora a defesa da re-instauração do financiamento internacional de organizações que cometem e promovem o aborto seja uma posição padrão entre os democratas, as figuras mais proeminentes do partido tendem a evitar reconhecer qualquer conexão entre a defesa do aborto e o controle populacional ou as mudanças climáticas, sendo precisamente isso que torna significativa a confissão pública de Sanders.

Por fim, críticos têm questionado a sinceridade da retórica de Sanders(8) quanto às mudanças climáticas, uma vez que ele não parece dar exemplos de cuidado com o meio ambiente em sua vida pessoal. O senador socialista é proprietário de três residências (9), e gastou, na campanha de 2018, quase 300.000 dólares em um único mês apenas com vôos particulares(10). A campanha diz ter compensado a emissão de carbono com o gasto de 5.000 dólares em “carbon offsets”, isto é, promessas de uma suposta redução de emissão de carbono por terceiros em troca de uma quantia oferecida equivalente ao lucro que seria obtido por eles.

 

1 – https://youtu.be/gC8x27PzQ84
2 – https://www.lifesitenews.com/news/pro-abortion-socialist-bernie-sanders-joins-2020-democrat-primary

3 – https://www.lifesitenews.com/news/top-dems-endorse-taxpayer-funded-abortion-during-second-debate

4 – https://www.lifesitenews.com/news/democrat-senators-running-for-president-in-2020-all-voted-for-infanticide

5 – https://www.smith.edu/libraries/libs/ssc/prh/transcripts/kissling-trans.pdf

6 – v. “Intended Consequences: Birth Control, Abortion, and the Federal Government in Modern America”, por Donald T. Critchlow; e “Merchants of Despair: Radical Environmentalists, Criminal Pseudo-Scientists, and the Fatal Cult of Antihumanism”, por Robert Zubrin.

7 – https://www.sba-list.org/newsroom/press-releases/sba-list-responds-to-bernie-sanders-comments-on-abortion

8 – https://www.lifesitenews.com/news/sanders-declares-funding-abortions-abroad-part-of-his-plan-to-address-climate-change

9 – https://heavy.com/news/2019/06/bernie-sanders-house-home-photos/

10 – https://legalinsurrection.com/2018/12/climate-change-champion-bernie-sanders-has-massive-carbon-footprint/

 

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