Heloísa Bolsonaro e a briga de rua da grande mídia

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O sistema político moderno funciona, idealmente, pela dialética de oposição versus situação, numa alternância saudável, sinfônica até, em que os pleiteantes ao poder buscam os mesmos objetivos de bem comum, só que por vias diferentes e igualmente aceitáveis.

É normal, portanto, que estando um certo grupo no poder, seus antagonistas estejam afiados na fiscalização e sempre atentos para apontar falhas, desvios e inconsistências, seja no discurso ou nas práticas de seus rivais. Tudo saudável, bem ao sabor dos tempos.

Quando, porém, o grupo opositor se usa de todos as artimanhas e mesmo de manobras pueris para sujar a barra do grupo contrário, aí a coisa já extrapolou os limites do jogo político normal – pelo menos segundo a etiqueta vigente, a liberal-burguesa – e se entrou no terreno da briga de rua, da rinha, do vale-tudo.

E está aí o caso da revista Época com a nora do presidente para nos servir de exemplo.

O caso é que mandaram um repórter, um tal de João Paulo Saconi, se fingindo de paciente gay para se consultar com a psicóloga e coach Heloísa, esposa do deputado Eduardo Bolsonaro, filho do homem. O sujeito travou contato com a profissional durante um mês, via internet, e, mandado às cucuias todo manual de ética, publicou uma matéria relatando sua “experiência”.

A intenção? Descobrir uma Heloísa e, por tabela, um Eduardo: homofóbicos, antidemocráticos, envolvidos com negociatas, mal informados – pois leem mídia alternativa, e não a Época. Para quê? Só para assassinar reputações, manchar o nome da família que eles odeiam, ridicularizar quem discorda de suas opiniões e preferências.

“Mas é jornalismo investigativo”, dizem os defensores do bang-bang jornalístico.

Ora, o que se tinha para investigar com a moça além de fofocas de família e revelações, que todos já sabíamos, sobre sua identidade política e cultural? E que interesse há nisso a não ser catar assunto para o bom e velho escárnio de quintal, daqueles protagonizados por senhoras de bobes no cabelo e avental na cintura?

É isso. A grande mídia perdeu e está na oposição, mas não quer jogar com dignidade, com um espírito responsável e republicano. Não. Eles já partiram à apelação ostensiva e violenta. Para eles, é questão de vida ou morte. Aliás, outro dia o Mario Sergio Conti não apoiou abertamente que se matasse o Bolsonaro para salvarmos o planeta? Aliás, alguém da Época, ou da Globo, ou da Band, foi mandado para escaramuçar, com o mesmo interesse, a vida do Adélio Bispo?

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