Esposa de Ricardo Noblat faz a comunicação para ministérios do Governo?

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A empresa de comunicação que tem como sócia-fundadora a esposa do colunista da Veja, Ricardo Noblat, teve seu contrato renovado para a prestação de serviços de comunicação ao Ministério da Educação, conforme informação do Diário Oficial da União, de 11 de junho de 2019. A informação circulou hoje pelo Twitter e causou indignação e revolta.

A jornalista Rebeca Scatrut, esposa de Noblat, é a mesma que foi acusada de estar envolvida no rombo de R$ 13 milhões do governo de Flávio Dino (PCdoB). A empresa associada a ela, a Informe Comunicação Integrada SS, faz a comunicação de diversos ministérios e o nome de Rebeca Scatrut aparece em diversas ocasiões envolvendo irregularidades em contratos com governos.

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Após a polêmica surgida no Twitter, na manhã desta segunda-feira, Rebeca Scatrut, retirou de seu perfil a informação que a relacionava à agência. Mas, além de poder ser acessada facilmente no sistema de arquivo do Google, essa informação é apenas a ponta do iceberg. Embora Rebeca se diga sócia-fundadora da empresa, seu nome não aparece mais na lista de sócios do CNPJ da empresa pelo Portal Transparência. Mas então será que essa relação não existe? Se não existe, por que ela mantinha a informação no seu perfil no Twitter e a retirou? Vejamos.

Em 2005, seu nome e o da sócia Alba Chacon, aparecem em uma Auditoria da CGU (parágrafo 5.2.2.3), encaminhada ao Tribunal de Contas, como responsáveis por duas empresas de comunicação, a Versus Comunicação e Assessoria e a RRN Comunicação e Marketing. As duas empresas participaram de tomada de preços junto ao MEC para a campanha Brasil Alfabetizado. Na verdade, foram TRÊS empresas a concorrerem naquela ocasião: as duas pertencentes às mesmas sócias e uma terceira. De acordo com o texto da auditoria, a

“Loureiro & Pires Comunicação e Publicidade, sem data, com endereço inexistente e sem assinatura do responsável pela mesma. Ressaltamos que, em consulta ao sistema CNPJ, não encontramos empresas com o nome fantasia citado”. (trecho do parágrafo de número 5.2.2.3. da Auditoria do CGU).

Ou seja, não existe. A RRN venceu aquela licitação. Ponto para as únicas competidoras da licitação.

Por volta de 2013, Rebeca assinou documentos junto ao MEC, identificando-se como sócia-gerente da Informe Comunicação. Ao que parece, Rebeca desvinculou-se formalmente do Grupo Informe, mas continuou como sócia da RMS Comunicação/Rede Diálogo SS LTDA, empresa que curiosamente tem o mesmo endereço em São Paulo, Rio de Janeiro, Brasília e ainda atende pelos mesmos telefones fixos e celular, que o Grupo Informe, de acordo com cadastro da Receita Federal e do Portal Transparência (ver imagens no fim da matéria).

Em 2019, Rebeca ainda possui vínculos formais com a empresa Grupo Diálogo SS, que presta serviços para o governo, através do Ministério da Saúde, tendo recebido 36.8 mil reais, em dois pagamentos, no mês de maio.

Portanto, tendo como base a informação fornecida pela própria Rebeca Scatrut, que constava em seu perfil do Twitter até a manhã desta segunda-feira, de que é sócia fundadora da Informe Comunicação Integrada SS, e que a RMS/Diálogo SS atente aos mesmos números telefônicos, não há que se duvidar de que a esposa de Ricardo Noblat atua na comunicação do MEC, ainda que juridicamente tenha buscado se desvincular.

Os contratos da Informe Comunicação com ministérios do governo estão claros para quem quiser ver.

Iniciado em 2014, o contrato de prestação de serviço que foi renovado este ano, no valor de R$ 4.840.931,76, veio sendo prorrogado nos anos seguintes. No último dia 6 de junho, recebeu mais uma prorrogação. O objeto do contrato é o “serviço técnico de assessoria de comunicação, para participar na execução das políticas, estratégias e ações de comunicação, envolvendo produção de material jornalístico, reportagem, programação, produção, apresentação de programas… entre outras, do Ministério da Educação”.

A empresa também tem contratos com o Ministério da Cidadania, em licitação no valor de R$ 13.480.660,60, assinado em 2018, com acréscimo de 24,9% no valor inicial do contrato.

Em 2012, Rebeca foi ré de um processo que foi parar no STF em ação foi movida pelo Ministério Público Federal do Distrito Federal que acusa fraude em contratos com agências de publicidade feitos pelo Ministério da Reforma Agrária, comandado por Raul Jungmann no governo FHC, envolvendo a empresa da mulher de Noblat, RNN Comunicação e Informe Comunicação. O rombo nos cofres públicos foi de R$ 33 milhões em dinheiro da época, segundo o MPF.

Coincidência ou não, o processo em questão envolveu uma outra agência, a Arplan, que também teve renovação do contrato confirmada nesta sexta-feira (23), pela Secom, conforme noticiamos nesta segunda (26). A renovação da política, pelo visto, é feita renovando contratos em práticas nem tão novas.

Conflito ético não incomoda Noblat nem a classe jornalística

Ricardo Noblat é crítico radical do governo Bolsonaro e recentemente chegou a criar uma enquete no Twitter perguntando quem era o pior ministro deste governo. O Ministro da Educação, Abraham Weintraub era o primeiro da sua lista (embora a opção mais votada pelos internautas tenha sido “nenhum deles”). Talvez por isso sua esposa tenha retirado de seu perfil a associação com agência contratada pelo MEC.

Em 2007, houve quem defendesse a honra de Ricardo Noblat por associação com as fraudes licitatórias, acusando uma “manobra” que atenderia pelo nome de “culpa por associação”. Como se Noblat não viesse ganhando nada com isso há anos nas empresas da família, por meio de diversas agências e manobras licitatórias. Desde programas na TV Senado, até dinheiro da Lei Rouanet a seu filho.

Imagens que comprovam vínculos