Evento conservador CPAC era um dos alvos de censura do Facebook, denunciou ex-funcionário da rede social

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O evento conservador CPAC, recentemente anunciado para o Brasil, era um dos exemplos de temas que foi censurado pelo Facebook em denúncia de ex-funcionário ocorrida em 2016.

Em maio de 2016 o site Gizmodo publicou uma reportagem fruto de entrevista com ex-funcionários da rede social. Na entrevista, ex-funcionários do Facebook davam detalhes sobre formas de censura usadas pela rede social, tendo como principais alvos influenciadores digitais como Mitt Romney (9,7 milhões de seguidores) e Rand Paul (2,06 milhões de seguidores). O ex-funcionário afirmava que a manipulação feita, citando episódios, teria tido como alvo prejudicar a disseminação de publicações sobre o evento CPAC (Conservative Political Action Conference, o maior evento conservador dos EUA).

Democracia versus monopólio da esquerda na internet

Em agosto de 2019 o deputado federal Eduardo Bolsonaro compartilhou em seu perfil no Twitter que o evento conservador CPAC agora ocorrerá no Brasil. O maior evento conservador tem por objetivo reunir lideranças e o público de direita no Brasil. Apesar das denúncias contra o Facebook em 2016, aparentemente nada mudou. Neste cenário a pergunta que fica é como a democracia poderá resistir a estrutura de Mark Zuckerberg que concentra o poder do Facebook, Instagram e WhatsApp, com ímpeto de manipulação social em prol da esquerda? Em que medida a iniciativa do evento CPAC será prejudicada?

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“Dependendo de quem estava no turno, postagens poderiam ir para lista negra ou para o Trending”

Ex-funcionário do Facebook confirma viés contra sites conservadores

Na denúncia de 2019 era revelado que sites como Breitbart, Washington Examiner e Newsmax, que ficariam com frequência no trending topics (em alta) pelo algoritmo da rede social, acabavam sendo simplesmente retirados de “em alta” (trending), de forma manual, pelos funcionarios do Facebook. A exclusão deles só não ocorria caso sites da “grande mídia” (mainstream) como The New York Times, BBC, CNN, também estivessem cobrindo o mesmo acontecimento.

Nos últimos meses a página do Facebook do site Estudos Nacionais vem observando uma drástica perda de alcance.

“Normalmente nós tínhamos autoridade para colocar no trend qualquer tema que quisesse, mas se algo envolvia o Facebook, o editor precisava ligar para o gerente, e o gerente poderia até ligar para seus superiores antes de aprovar uma [manipulação] em tópicos envolvendo o Facebook”

Ainda na denúncia de 2016 funcionários afirmavam que recebiam orientações expressas para prejudicar determinados temas que não fossem desejados, na visão esquerdista da empresa.

Em 2019, foi registrado em vídeo uma confissão de Mark Zuckerberg, que afirma de forma orgulhosa, ter bloqueado anúncios com viés pró-vida (contra a liberação do aborto), justamente na época do referendo sobre o aborto na Irlanda, mostrando o ímpeto de afetar democracias que tem a rede social.

Influenciadores de direita no Brasil sofrem censura no Youtube

O maior influenciador de direita do mundo no Youtube, Nando Moura, afirmou em vídeo recente que irá mudar a sua estratégia para contornar a censura. Ele passará a distribuir sua geração de conteúdo por meio de diversas plataformas, de modo a não ficar vulnerável.

No YouTube a sistemática de censura pode ser bem semelhante a do Facebook, já que o YouTube tem uma lista de vídeos chamados “Em alta”, que são sugeridos para mais usuários do site. Nando Moura relatou, por exemplo, que seu vídeo cortando o cabelo (sem qualquer caráter político) ficou em primeiro lugar no Youtube na lista “Em alta”, e seus vídeos com conteúdos políticos têm sido desfavorecidos e inclusive desmonetizados, mesmo com evidente interesse do seu público.

Para muitos influenciadores de direita no Youtube, a rede social está usando a estratégia de desmonetizar vídeos para inibir geradores de conteúdo. Essa é a ação visível de censura, mas o mais importante, que é o alcance do vídeo, este pode ser manipulado de forma invisível e não mensurável. Em denúncia publicada neste portal um ex-funcionário do Google afirmou que, na época do referendo da Irlanda sobre aborto, o YouTube teria criado uma lista negra de temas anti-aborto que seriam desfavorecidos na ferramenta interna de busca do YouTube (veja artigo), mostrando alinhamento ao movimento de censura feito pelo Facebook.